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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

" TU ÉS PEDRO NAVA "



Manoel Hygino dos Santos é, sem dúvida, brilhante. Mas, mais do que isso, o jornalista, o escritor, o crítico literário, o historiador, é de uma cepa de intelectuais que está morrendo, cujo porte é de tamanha profundidade e extensão, que, ao escrever, é capaz de fazer análises de cunho psicológico, filosófico, sociológico, político e social, o que só é permitido àqueles que possuem um grande acervo de conhecimentos.

Hoje, as pessoas têm muita informação e alguma profundidade naquilo em que se especializaram. Mas, homens com Manoel Hygino, acostumados à leitura dos clássicos de todos os tempos e nações, conhecedores de toda a trajetória humana na Terra, exercitados na filosofia dos "monstros sagrados", tornam-se cada vez mais raros.

Manoel Hygino, assim como alguns idosos que tenho a felicidade de conhecer, é de uma estirpe em extinção, o que , realmente, é uma pena.

Depois de algumas outras obras, incursionando, inclusive, no período da ditadura militar, ele, anos atrás, nos presenteiou com algo instigante e apaixonante: "Tu és Pedro Nava – um crime que ficou sem castigo".

Não pude conter-me:: quando iniciei sua leitura, bebi suas palavras com a sede de um náufrago, não conseguindo parar sem chegar ao final.

O autor faz um estudo do suicídio de Pedro Nava, nome relevante em nossa literatura. Homem, cuja grandeza intelectual, por sua vida extraordinária e por sua obra de grande porte, jamais poderia ser contestado, mas sempre reverenciado.

O autor passeia, também, pela vida de outros grandes escritores, que lançaram mão do suicídio. Ele coloca, então, em foco o grande mistério que cerca a morte de criaturas fabulosas, que deixaram sua marca profunda na História da Humanidade e não suportaram mais viver.

Dizem que, nos grandes incêndios, as pessoas se jogam, espontaneamente, das alturas, porque não suportam a ansiedade de esperar pela morte.

Vida e Morte: grandes Mistérios e grandes desafios para o filosofar humano.

O suicídio, que vai contra o primeiro princípio da vida, o instinto de sobrevivência, é, talvez, o maior mistério que envolve a aura Vida&Morte.. Muitos filósofos, psicólogos, psiquiatras, sociólogos, como Durkheim, têm dedicado estudos, tentando explicar a esfinge do suicídio.

Não quero aqui discutí-lo. Minha posição é bem clara, mesmo que alguns possam achá-la superficial: ou acreditamos na vida eterna , na existência de uma Inteligência Suprema e hierarquia no Universo, ou realmente a vida não tem sentido algum e o caminho de quem pensa seria apenas um: o suicídio.

È fácil viver tranquilo, e no terra-a-terra, quando o indivíduo não possui grande inteligência. Ele nem se faz perguntas: simplesmente vive e cuida das coisas da matéria.

A Vida, porém, para os profundos pensadores, é sempre um Mistério , que instiga e angustia, mesmo quando se possui fé, como no caso de Santa Teresa D’Ávila, citada por Manoel Hygino.

Acredito que, se não fosse o câncer, a grande escritora, Clarice Lispector, por sua grandeza e angústia, teria se juntado a tantos outros homens brilhantes que usaram desse recurso.

Voltando à obra de Manoel Hygino, ele faz um estudo cuidadoso das múltiplas versões e explicações para o suicídio de Pedro Nava. Faz desfilar, por nós, as idéias de pensadores reconhecidos, como Fábio Lucas, Alaor Barbosa, Chico Lopes, Rodrigo Melo Franco de Andrade e outros.

É uma obra de pesquisa detalhada que, mesmo tratando de um tema sombrio, nos fascina por toda o tempo da leitura.

Penso que essa obra de Manoel Hygino vem enriquecer, de maneira extraordinária, os estudos sobre Pedro Nava. Ele deixa no ar uma pergunta importante, que não pode se calar, e que se liga ao próprio título da obra "um crime que ficou sem castigo": quem teria dado aquele último telefonema para o grande médico e escritor? Sem dúvida, o autor desse telefonema foi a mão que apertou o gatilho.

Que direito têm as pessoas de bisbilhotar e condenar a vida particular dos homens de grandeza pública ? Isso é algo que me estarrece, pois penso que entrar na privacidade de outrem é um crime sem perdão.

Nossa vida particular somente pertence a nós mesmos:

é um sacrário que alguém só pode se adentrar com a nossa permissão.

Mas, a vida de pessoas que se expõem, como nós, os escritores, é sempre ciscada pelos escaravelhos humanos que adoram a imundície e que, incapazes, de fazer qualquer coisa para ficar na História, jogam lama no nome de quem muito pensa e produz. É a velha chaga da Inveja...

Mais uma vez, obrigada, Manoel Hygino, obrigada e parabéns! O povo brasileiro e, principalmente, nós mineiros, ficamos em dívida com você por esse tesouro que resolveu legar para a História de nossa Literatura e Filosofia.

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