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quinta-feira, 4 de março de 2010

PEREGRINAÇÃO


Qual será o verdadeiro motivo que impulsiona as pessoas a fazerem uma peregrinação, como o Caminho de Santiago? Talvez o primeiro objetivo seja o de tornar-se melhor. A verdade, porém, é que a solidão da caminhada, as dores que tomam conta do corpo, as bolhas que arrebentam nos pés, a contemplação silente da paisagem, o encontro com outros que fazem o mesmo percurso, com certeza levam o peregrino a um encontro profundo consigo mesmo.

Esse encontro faz com que o indivíduo possa enfrentar as sombras de seus medos, a realidade de suas limitações, o balanço de sua vida, o grande mistério da morte e da eternidade, o tédio sem nome, o cansaço recorrente, a infinita e corajosa alegria de viver.

Acredito que essas peregrinações são como a própria jornada da Vida. Alguns nos acompanham, ajudam a pensar nossas feridas, oferecem a mão amiga para nos levantar nas quedas, o abraço caloroso quando a enorme agonia das noites escuras, desertas e silenciosas da alma nos levam às lágrimas. Outros são companheiros ocasionais. Irmanamo-nos com eles, mas nos distanciamos na caminhada. Às vezes nos ensinam muito ou até nos ferem. Entretanto, seguem seu caminho sem nós. E, cada vez mais, o peregrino vai mergulhando nas profundidades dos mistérios do universo de si mesmo.

O autoconhecimento sempre nos leva a crescer, a exercitar as virtudes, a trabalhar nossas fraquezas e a tornar-nos melhores. Rituais, por mais belos que sejam, sermões e leituras nunca fomentam a nossa espiritualidade como o caminhar solitário. Porque as verdades que, muitas vezes, tentamos esconder de nós mesmos, batem em nosso rosto junto ao ciciar do vento.

Ao peregrinar, somos sempre dois: o eu real e o eu ideal. Pouco a pouco, as máscaras vão caindo, como as camadas de uma cebola. E, lá no fundo, está o núcleo, o nosso eu verdadeiro. Talvez não tão belo como desejaríamos, mas real. Aí chega o momento em que tudo em nós dói por descobrirmos o nosso lado negro. Só então, porém, podemos renascer, bem lapidados, para uma vida mais plena porque autêntica.

Não é preciso ir à Espanha ou a qualquer outro lugar para fazer essa maravilhosa e dolorosa jornada. Basta que não nos descuidemos de ter, em cada dia, momentos que sejam só nossos. Aí, com a mente vazia e silenciosa, vamos percorrer o caminho mais difícil e cheio de armadilhas: aquele que nos leva ao encontro de nós mesmos.

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