BOAS VINDAS

Seja bem vindo! Espero que aqui encontre alento, beleza, amor e paz! E que possa espalhar isto para o mundo, que vive tão sedento de tudo isto.



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quinta-feira, 29 de abril de 2010

AMOR ÁGAPE


A vida passa num instante
Raio que corta o Infinito
E quem pensa que o céu está distante
Não conhece o Amor bendito
Que nos faz seguir adiante.
Amor que transforma e reluz
Que nos ensina a ser melhores.
Amor que a todos seduz.
Um querer sem medida
E sem condição
Uma alegria incontida
Que nos aquece o coração.
Alegria de viver
Uma vida cheia de cores
E belos caminhos trilhados.
Caminhos de felicidade
Mas, de dores, também,
Pois a dor é a oportunidade
De nos fazer crescer no Bem!
Vai, discípulo,
Caminha sem descanso
Porque adiante vem o remanso!
Derrama tuas lágrimas, sem pudor,
Pérolas por Deus recolhidas
E confia no Amor Maior!
Aprende a lição da Vida
Simples dever de casa
E coloca numa pátena
Todo aprendizado sereno!
Abraça a humanidade
Num amplexo amoroso
E, com toda humildade,
Torna-te um Mestre piedoso!

terça-feira, 27 de abril de 2010

VOCÊ


Você traz consigo estrelas que a vida concede.

Estrelas de brilhar, estrelas de crescer, estrelas de encontrar o caminho do sonho que se persegue.

Saber reconhecer as estrelas é o nosso destino.

Porque há quem se encante com o brilho de estrelas que não são suas e se perde.

Há quem deseje o brilho de outra mais distante e por isso passe quase todo o tempo como passageiro, a espera de um trem para lugar nenhum.

Aceitar as estrelas que trazemos é o que faz a diferença entre o que queremos ser e o que verdadeiramente somos.

Brilhar é acreditar na força que elas têm.

E aí então, deixar que suas luzes se derramem alma a dentro.

Que carregar as estrelas seja como conduzir um candeeiro para que, onde quer que se vá, possam todos perceber a claridade.
Autor desconhecido.

domingo, 25 de abril de 2010

EVOLUÇÃO




Caminhos sofridos.
Noites trevosas,
Abismos,
Tempestades,
Desertos,
Enigmas,
Paradoxos,
Mistérios...
Mentiras,
Ilusões,
Traições...
Não posso negar...
Mas nunca estou só,
Pois Teus Anjos
Me alimentam
E me confortam.
Tu és o amor
Que me consome
Que me arde,
Que me ilumina!
Tu, meu Deus,
És a Luz que me guia!
Em Teus braços eu descanso,
Nos remansos me apaziguo.
Tu és a Vida
Que palpita em mim,
És o Cálice que bebo
O pão que me sacia.
Começa, agora, a jornada
De volta pra Casa,
Onde me esperas
Com os braços sempre abertos
E o carinho de Mãe-Pai,
Que me assistiu nos tropeços,
Esperando-me crescer!

domingo, 18 de abril de 2010

DESTINO DE PENÉLOPE




Eu sei que tu vives
E as horas da vida
Se arrastam entre nós...
E dói-me o tempo
Que ainda me separa de ti.
Tu vives...
Em algum lugar,
Onde não estou,
Tu te moves,
Respiras, pensas e sei que sofres...
Entretanto, talvez em sonhos,
Ou desperto nesta mesma hora,
Tu pressintas meu pensamento
Que se aproxima
E te busca.
Tu vives eu sei.
E é bem viva a saudade
Que em meu peito
Bate no mesmo compasso
De meu coração.
Tu vives e me chamas,
Tu vives e esperas,
Assim como eu...
Para ser tua é que nasci.
De pés descalços tenho vivido,
Na cadência de soluços e gritos.
Desalentos e cansaços,
Neste mundo ermo de amor,
Deserto de piedade,
Luz e espanto,
Sombra e encanto,
Dor e pranto...
Reféns da eternidade,
Prisioneiros da matéria,
Temos que recriar a Vida...
Ah, amor,
Serás a metade de mim
Ou apenas a nostalgia
Da Casa do Pai?...

quinta-feira, 15 de abril de 2010

REFLEXÃO


Evangelho segundo S. João 3,31-36.

Aquele que vem do Alto está acima de tudo. Quem é da terra à terra pertence e fala da terra. Aquele que vem do Céu está acima de tudo e dá testemunho daquilo que viu e ouviu, mas ninguém aceita o seu testemunho. Quem aceita o seu testemunho reconhece que Deus é verdadeiro; pois aquele que Deus enviou transmite as palavras de Deus, porque dá o Espírito sem medida. O Pai ama o Filho e tudo põe na sua mão. Quem crê no Filho tem a vida eterna; quem se nega a crer no Filho não verá a vida, mas sobre ele pesa a ira de Deus.

Da Bíblia Sagrada

quarta-feira, 14 de abril de 2010

ORAÇÃO BAHAI PELA PAZ



Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio.
Sê digno de confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar alegre e amável.
Sê um tesouro para o pobre, um conselheiro para o rico;
Responde ao apelo do necessitado e preserva sagrada a tua promessa.
Sê imparcial em teu juízo e cauteloso no que dizes.
A ninguém trates com injustiça e mostra toda humildade a todos os homens.
Sê como uma lâmpada para aqueles que andam nas trevas,
Sê causa de júbilo para o entristecido, um mar para o sequioso,
Um refúgio para o aflito, um apoio e defensor da vítima da opressão.
Que a integridade distinga todos os teus atos.
Sê um lar para o estranho, um bálsamo para quem sofre,
Uma torre de força para o fugitivo.
Para o cego deves tu ser olhos, e
Para os pés dos errantes, uma luz que guie.
(Bahá’u’lláh, “Seleção dos Escritos de Bahá’u’lláh”, n. CXXX, p.179.)

HUMILDADE



As chuvas da misericórdia Divina não se acumulam no topo das montanhas do orgulho, mas fluem facilmente para os vales da humildade.
Paramahansa Yogananda, "Máximas de Paramahansa Yogananda"

ESPELHO


"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo; não posso abrir-lhe outro mundo de imagens além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave, Eu ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo e isso é tudo." (Herman Hesse)

OS BARES NUNCA FECHAM...


“Se chegue, tristeza
Se sente comigo
Aqui, nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar”

Vinicius de Moraes


Bares existem em qualquer lugar do planeta. Alguns luxuosos, cheios de beleza e arte, outros modestos, e mesmo “copos sujos”. Neles, de qualquer forma, em grupo ou sós, celebra-se a Vida, afogam-se as mágoas, as tristezas, a saudade, um amor não correspondido, brinda-se aos que se foram...
Alguns enquanto bebem escrevem poemas nos guardanapos, viajando por seu interior e contemplando e registrando o que ali acontece.
Karla Celene Campos, poetisa de boa cepa, já visitou um bocado deles. Do Brejo das Almas, com seus bares tão peculiares, assim como os de Montes Claros – em especial a extinta e saudosa “Cachaçaria do Durães”, nosso ponto de encontro dominical – os bares da Estrada Real, Diamantina, São Gonçalo, Milho Verde, etc. até os de Espanha e Portugal.
E nesta sua jornada, em estado de deslumbramento com a vida e as gentes, ela vai fazendo suas anotações em guardanapos. E destas anotações nasceu uma grande, fascinante e bem estruturada obra: “Os Bares nunca Fecham...”.
Amo Karla. Não apenas porque é minha prima, mas, acima de tudo, por sua grandeza, com um riquíssimo universo interior, a encarnação da Alegria, do Entusiasmo, da Paixão.
Amo as pessoas que vivem com paixão, sempre repito isto. Aquelas que se entregam intensamente, que saboreiam cada minuto como se fosse o último. Pessoas que só sabem ver a Beleza da vida, de braços e coração abertos. Pessoas que desconhecem a inveja, sentimento menor que toma conta daqueles que não têm asas.
Sem dúvida alguma, e sei que todos haverão de concordar comigo, Karla é uma grande estrela. Quando ela nos mira, seus olhos brilham. Ela está sempre em estado de deslumbramento, aquele estado de êxtase que confessa Fernando Pessoa gostaria de estar, “como se acabara de nascer”.
Ela é poeta, contadora de “causos”, filósofa, bailarina, atriz. Deus a fez completa, em minha visão. E, além do talento, Ele lhe deu um companheiro de verdade e filhos maravilhosos.
Tudo que ela faz o faz com beleza e consistência. Sua formação intelectual é sólida. Assim, ela pode navegar, corajosamente, por todos os mares, que jamais perderá o rumo. Ela sabe que sempre haverá um cais à sua espera, com um bar pelas cercanias, onde, sozinha ou em grupo, levantará o copo, brindando à vida, o amor, a saudade, a amizade e a todos os artistas de todas as épocas e lugares.
Ela sempre busca o néctar das melhores flores. Desta forma, em tudo que escreve percebemos o universo de múltiplos olhares, autores que a marcaram em toda a sua trajetória.
Karla ama os livros, assim como eu. Vivemos mergulhadas neles e amamos sentir-lhes a textura, a tessitura, o cheiro de coisa antiga e guardada ou o de tinta fresca. Entristeço-me muito quando alguém me diz que não lê porque tem preguiça de fazê-lo. Sinto piedade destes. Nunca haverão de “navegar por mares nunca dantes navegados” e seu universo será sempre restrito. Aliás, Carlos Ruiz Zafón, autor espanhol de uma das melhores obras que já tive o privilégio de ler, “A Sombra do Vento”, comenta, com muita propriedade: “ (...) a arte de ler está morrendo muito aos poucos, (...) é um ritual íntimo, (...) um livro é um espelho e só podemos encontrar nele o que carregamos dentro de nós (...), colocamos nossa mente e alma na leitura, e (...) esses bens estão cada dia mais escassos”. A verdade é que as pessoas não lêem porque são pobres interiormente.
Nélida Pinõn, orgulho de nossa literatura, a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, confessou à Revista Isto É que “considera empobrecido nosso cenário cultural pela massificação e pela deficiente formação educacional do brasileiro. (...) É um país onde a leitura é uma raridade”. Quem não lê, pouco tem a oferecer em termos literários. Como emocionar e alavancar o leitor se não se faz uma única reflexão?
Karla, entretanto, com sua riqueza interior, nos move e comove. Mesmo quando escreve prosa ela não abandona o seu estilo poético, com suas figuras de linguagem. Vejamos: “ o negror de um céu órfão de estrelas”, “a imensidão oceânica se ofereceu sem pudor”, “o sol fingia que era verão”, “ mastigou a maciez de cada sílaba, bebeu a doçura do conjunto de suas letras, aspirou o perfume que parecia saltar do nome soletrado”, “a chuva executava um balé enlouquecido”, “sei o cheiro do tempo que passa, da página que é virada, da vida que se vai”... “Desavergonhadamente, sem ao menos um fiapo de nuvem a ocultar a sua nudez, sem nenhum pudor, a Lua se entregava feminina aos olhares e aos telhados, exageradamente, artisticamente, platonicamente - acessível aos olhos e aos corações, deixando, entretanto, em cada boca, o gosto acre-doce dos amores impossíveis, de amores que não estão ao alcance das mãos”. E por aí ela vai nos encantando.
Durante toda a narrativa ela também filosofa e vê o aspecto social e político da nossa era. Mergulhemos, mais uma vez, em suas palavras: “Comum aos mortais é a dor de viver. Algumas pessoas, no entanto, tomam providências para que a convivência com tal dor não se transforme num vazio existencial inútil.”; “A mocidade e os mistérios. O futuro incógnito, o presente de prazeres e angústias. Um tesão enorme pela vida e ao mesmo tempo um grande medo dela...”; “Inversão de valores. Pobreza espiritual. Pobreza nas conversas. Papos desinteressantes. Pobreza musical. Repararam no tipo de música que faz sucesso hoje? Música?!
Um tecnologismo desumano se apodera do deslumbrado e despreparado humano, que não está sabendo como lidar com isso. O que seria uma forma de facilitar a vida, garantir o tempo para o ócio e o prazer tornou-se mecanismo exigente que só faz roubar mais o nosso tempo. Tanta pressa, pressa tanta pra quê, se já não há tempo para o bom-humor?
Aquecimento global, violência generalizada, falta de espiritualidade, planeta doente... “Ano 2008: John, a utopia acabou”.
Karla é gente e se mostra sem pudor. Ela grita, ela sangra, ela ama, ela nos coloca um punhal no peito enquanto navegamos pela beleza de seus mares, assim como ela fala da poesia de Elthomar Santoro: “A poesia de Santoro é feita para sangrar, incomodar, doer; para nos libertar das mediocridades e mesmices (...)”. Ela se identifica com o poeta porque ela, também, por sua vez, faz o mesmo conosco.
Ah, a beleza da viagem que nos descreve, o estado de encantamento e fome em que nos põe!... Cada vez a gente tem sede de mais e mais... Não queremos que a leitura termine! É tudo muito intenso! É brasa, é carne, é gelo, é lágrima, é riso...
Karla, com sua literatura, assim como Miriam Carvalho e alguns tantos montesclarenses, nos dá orgulho da terra! Ela sempre será lembrada por seus registros cheios de encanto. Sua prosa e seus versos serão eternos, assim como daqueles que, pela vida afora, souberam nos tocar, emocionar e ajudar no processo de crescimento, no salto quântico. Ainda falando sobre ela, posso usar suas próprias palavras para mostrar a sua beleza e o esmero de sua obra, quando ela descreve o artista e o sertão: “o artista sabe que, se não há como deter o tempo, pelo menos é possível fazer com que a página virada não se perca no branco da falta de formas, da falta de cores, da falta de almas. Sabe que, através da arte, a vida não se esvai.
Misturando formas, cores e almas, o artista pinta o cenário. Teima em insistir na vegetação que insiste em vida, mesmo se chuva não há, mesmo se ajuda não vem.
Faz surgir o marrom, o cinza, a terra e a poeira na cerca de madeira, no adobe e no sapé. Faz surgir a serra azul, a terra vermelha e a fé na pequenez do homem que conta com a grandeza de Deus pra levar a vida. Pra continuar a lida. Pra abençoar os seus.
Como quem faz poema. Como quem faz canção. Compõe cenário que deixa vazar a vida dos homens de vida vazia, dos homens de luz e barro que compõem este cerrado. Que lutam pela existência, que vivem de brisa e de insistência; de resistência e sertão”.
Eu, também, Karla, ao ler esta sua mais nova obra, “preciso da mudez de bocas caladas pra poder agasalhar na alma todas estas sensações”. Você sempre será plena e por isso alcançará a plenitude em seus versos, em seus gestos, em palavras e canções.
Você ainda está no verão da vida e terá muito caminho pela frente, muito registros a serem feitos por sua pena e seu rico coração. Já eu, termino o outono e antevejo o inverno... Entretanto, meu coração desconhece esta realidade e sempre haverá de sentir que é primavera... Você tem razão, “bares têm alma, têm personalidade”. E num desses bares quaisquer de nossas vidas, estarei sempre a esperar por você para brindarmos a primavera eterna de nossas almas, aos amores perdidos, à saudade teimosa, à vida sem razão, mas, também, em sua eterna beleza.
Em seu “Os Bares nunca fecham...” você nos lembra da efemeridade de tudo e, de maneira belíssima, chama o poeta para atestar a verdade do que coloca:

“Que é a vida? Uma ilusão,
Uma sombra, uma ficção;
O maior bem é tristonho,
Porque toda a vida é sonho
E os sonhos, sonhos são.”

Calderón de la Barca

Brindemos os sonhos e vamos vivê-los enquanto vida houver! E continuemos as nossas anotações...

ETERNO INSTANTE


Gosto de gente assim, que mergulha de cabeça no amor, sem medo da dor; que abraça a Vida com paixão, vive com intensidade, caindo e levantando; mora no Parnaso, sem tirar os pés do chão; usa sempre a palavra para edificar, expressar sentimentos nobres, fazer jorrar a emoção e jamais para ferir ou aviltar.
Amo pessoas que transcendem o corriqueiro, o medíocre, o rasteiro. Pessoas que ainda acreditam na bondade, na criatividade e no poder de superação do ser humano; que fazem parte de um movimento que se alastra pelo planeta, movimento este composto por aqueles que crêem no Bem, no Amor, na Justiça, preocupadas com o seu crescimento pessoal e da humanidade.
Amo pessoas que compreendem a dor, porque já passaram por esse processo e procuram minimizá-lo no próximo, transformando-o em Beleza, Arte e Compaixão. Pessoas que buscam a Verdade, mas nunca se arvoram em donos dela, porque sabem que a Verdade é o próprio Deus e estamos todos, por caminhos retos ou tortos, indo em direção a Ele. Pessoas cheias de Amor, cujas lágrimas são sempre de deslumbramento e gratidão diante da misericórdia do Pai. Nelas a Vida pulsa sempre vibrante e suas vozes de esperança e fé se elevam e se ajuntam a tantas outras que acreditam no eterno recomeçar.
Amo pessoas como a minha amiga, Miriam Carvalho, que, no “eterno instante”, sabem tecer e bordar a Vida, bebendo a taça da Alegria e da Dor, brindando sempre a Graça e o Dom.
Miriam é o amor, a poesia, a filosofia, a solidariedade encarnados em uma só criatura, que espalha com a palavra escrita ou falada apenas a beleza e o mistério da vida. Talvez muitos não a compreendam, nem tampouco sua poesia, pois estão longe de sua nobreza e de seu brilho. Mas a verdadeira estrela não se sente incomodada com o brilho de outras, pois, tem seu brilho próprio. Só quer cumprir a sua função de estrela: brilhar juntamente com suas irmãs, enfeitando o céu.
O humano e o divino se misturam e se desnudam de uma forma incrível na poesia desta criatura. O carnal e o místico se abraçam amorosamente no “eterno instante”.
Ah, quão pobres seriam nossas vidas se não existissem pessoas como Miriam! Sua poesia sabe transformar a dor em beleza, o cotidiano em beleza, o corriqueiro em sublimação. Seus olhos sabem enxergar com amor e compaixão os nossos montes que já não são tão claros e seu coração guarda como relíquias as belas lembranças de um tempo, em que vivemos juntas, e os ventos “nos elevavam, sem receio de perigo, (...) aos cimos dos claros montes”.
Seus olhos contemplaram mágoas, misérias, desterros “de um amor sem cordeiros, de um amor sem bezerros” e soube transmutar tudo em “beleza, sabedoria e esperança”.
Miriam é muito mais que poeta, é um ser humano de uma riqueza incomensurável, que sabe, mesmo com os pés sangrando, caminhar sobre pedras, com o olhar sempre posto na glória eterna dos Céus. Para ela o importante é viver plenamente, sempre aberta, convidando o próximo a se levantar, a caminhar a seu lado, a beber de sua taça, a comer de seu pão, a participar com ela da Festa da Vida, pois para Miriam não apenas “escrever poemas traz um sabor de festa”, mas tudo tem o doce sabor de uma festa eterna.
Miriam consegue de uma forma magistral descrever toda a beleza e o mistério do “tempo, da morte, da esperança, da perda, do encontro e desencontro, da ventura e desventura, da dor e da visão universal da existência com seus antagonismos”.
Ela nos arrasta aos abismos de possibilidades que a vida nos oferece e busca na sua escritura, como ela mesma confessa, “a integração intersubjetiva do trabalho poético, que descreve um percurso do racional ao afetivo”.
Sua poesia não é apenas a emoção que jorra, mas um delicado trabalho de artesã caprichosa. Ela se diz camoniana, mas seus versos não nos remetem apenas a Camões, nas suas analogias, mas nos fazem lembrar todos os grandes poetas que souberam deixar talhados na Pedra da Existência o mundo insondável e abissal dos belos e contraditórios sentimentos que tomaram suas almas.
Miriam mostra a sua intimidade não só com a própria vida, com seus movimentos que lembram o vai-e-vem das ondas, nem apenas com os sentimentos que impulsionam os humanos e com o inconsciente coletivo, mas, também, a sua intimidade com a escritura e a alma daqueles que souberam “poetar”.
Vejamos:

“Com certeza
um amanhã benigno
para além dos nossos afetos
aferidos em cada ser
vai certeiro, vai levando
o movimento da vida...”.

Eu me curvo, humilde, diante da grande poetisa, da grande literata, que sabe traçar com delicadeza e maestria cada palavra de seus poemas.
Seu nome, no futuro, certamente, estará ao lado de Göethe, Elizabeth Browning, Florbela Espanca, Drummond, Quintana, Neruda e tantos outros porque ninguém foge a peneira do Tempo que sabe eliminar os cascalhos inúteis e separar as pedras preciosas.
Sintamos a beleza e o sentido da voz da poetisa:

“Nossas vidas já sorriem para outra vida,
para aquelas portas celestes de porcelana
que se abrem ao convite de domingo
num tempo de alva luz e manhãs livres
num bloco de estrelas sem noite,
no espelho translúcido do dia sem dia
num espaço sideral sem fronteiras,
onde o tempo infinito grava eternamente
com adaga de ouro e luz
o aberto amor do Pai”.

O homem comum diria: “Morremos e vamos para o céu”. Mas para Miriam estas são palavras mui pobres que não expressam a maravilha de nunca morrer e ser acolhida nos braços do Pai...
Meu Deus, quanta beleza em expressões como “tempo de alva luz e manhãs livres”, “estrelas sem noites”, “dia sem dia”!... Só mesmo uma alma superior, uma mente rica e uma formação acadêmica ampla e profunda para dar condições a alguém para dizer algo tão simples de modo tão belo e singular.
A poesia de Miriam nos desperta, nos sacode, nos sacia. A gente voa na beleza de seus versos e, ao mesmo tempo, mergulhamos em abismos profundos e andamos por desertos sem fim... Mas a esperança nos enche a alma:

“Luzeiros pensamentos
como lindas peças raras
hão de luzir um dia
na mais leve e pura essência
cheirando a malva do céu
nos vazios espaciais,
nas superfícies alvas
hão de luzir um dia”.

Miriam nos empolga e nos leva as lágrimas. A riqueza de suas figuras de linguagem nos povoam a mente e a alma com sentimentos que nem conseguimos expressar...
“Eterno Instante” talvez seja um dos mais belos presentes que uma alma nobre e um talento incrível deixam como herança para Montes Claros, para Minas e para o mundo.
E eu fico por aqui
“num coração que não cabe
um olhar de esquecimento
e uma alma sem intento”.

domingo, 4 de abril de 2010

SONATA DA ESPERA


Tempo que passa
Sem que se dê conta
Saudade que fica
E me deixa tão tonta
Entre passado e presente...
Um amor sem porto
Uma dor que machuca...
E neste limbo ainda busco
A emoção que renasce
Em eterna primavera.
O coração desconhece
Idade e velhice
E bate frenético
Num ritmo louco
Na sonata da espera.
Em que terra,
Em que cais,
Em que estrela
Tu te escondes?
Não vês que cansada
Clamo teu nome
Em madrugadas insones?
Vem, amor!
Sufoca esse grito,
Com teus beijos.
Incendeia minh’alma
E me mata de vez
Me embriaga em teus braços,
Mergulha em meus olhos
E, num doce galope,
Viaja comigo
No belo infinito...
Apaga o tempo e o passado
E me faz de novo menina
Pelos sonhos arrebatada.

ALGUMAS DE MINHAS OBRAS

MEU MAIS NOVO LIVRO

MEU MAIS NOVO LIVRO