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quarta-feira, 14 de abril de 2010

ETERNO INSTANTE


Gosto de gente assim, que mergulha de cabeça no amor, sem medo da dor; que abraça a Vida com paixão, vive com intensidade, caindo e levantando; mora no Parnaso, sem tirar os pés do chão; usa sempre a palavra para edificar, expressar sentimentos nobres, fazer jorrar a emoção e jamais para ferir ou aviltar.
Amo pessoas que transcendem o corriqueiro, o medíocre, o rasteiro. Pessoas que ainda acreditam na bondade, na criatividade e no poder de superação do ser humano; que fazem parte de um movimento que se alastra pelo planeta, movimento este composto por aqueles que crêem no Bem, no Amor, na Justiça, preocupadas com o seu crescimento pessoal e da humanidade.
Amo pessoas que compreendem a dor, porque já passaram por esse processo e procuram minimizá-lo no próximo, transformando-o em Beleza, Arte e Compaixão. Pessoas que buscam a Verdade, mas nunca se arvoram em donos dela, porque sabem que a Verdade é o próprio Deus e estamos todos, por caminhos retos ou tortos, indo em direção a Ele. Pessoas cheias de Amor, cujas lágrimas são sempre de deslumbramento e gratidão diante da misericórdia do Pai. Nelas a Vida pulsa sempre vibrante e suas vozes de esperança e fé se elevam e se ajuntam a tantas outras que acreditam no eterno recomeçar.
Amo pessoas como a minha amiga, Miriam Carvalho, que, no “eterno instante”, sabem tecer e bordar a Vida, bebendo a taça da Alegria e da Dor, brindando sempre a Graça e o Dom.
Miriam é o amor, a poesia, a filosofia, a solidariedade encarnados em uma só criatura, que espalha com a palavra escrita ou falada apenas a beleza e o mistério da vida. Talvez muitos não a compreendam, nem tampouco sua poesia, pois estão longe de sua nobreza e de seu brilho. Mas a verdadeira estrela não se sente incomodada com o brilho de outras, pois, tem seu brilho próprio. Só quer cumprir a sua função de estrela: brilhar juntamente com suas irmãs, enfeitando o céu.
O humano e o divino se misturam e se desnudam de uma forma incrível na poesia desta criatura. O carnal e o místico se abraçam amorosamente no “eterno instante”.
Ah, quão pobres seriam nossas vidas se não existissem pessoas como Miriam! Sua poesia sabe transformar a dor em beleza, o cotidiano em beleza, o corriqueiro em sublimação. Seus olhos sabem enxergar com amor e compaixão os nossos montes que já não são tão claros e seu coração guarda como relíquias as belas lembranças de um tempo, em que vivemos juntas, e os ventos “nos elevavam, sem receio de perigo, (...) aos cimos dos claros montes”.
Seus olhos contemplaram mágoas, misérias, desterros “de um amor sem cordeiros, de um amor sem bezerros” e soube transmutar tudo em “beleza, sabedoria e esperança”.
Miriam é muito mais que poeta, é um ser humano de uma riqueza incomensurável, que sabe, mesmo com os pés sangrando, caminhar sobre pedras, com o olhar sempre posto na glória eterna dos Céus. Para ela o importante é viver plenamente, sempre aberta, convidando o próximo a se levantar, a caminhar a seu lado, a beber de sua taça, a comer de seu pão, a participar com ela da Festa da Vida, pois para Miriam não apenas “escrever poemas traz um sabor de festa”, mas tudo tem o doce sabor de uma festa eterna.
Miriam consegue de uma forma magistral descrever toda a beleza e o mistério do “tempo, da morte, da esperança, da perda, do encontro e desencontro, da ventura e desventura, da dor e da visão universal da existência com seus antagonismos”.
Ela nos arrasta aos abismos de possibilidades que a vida nos oferece e busca na sua escritura, como ela mesma confessa, “a integração intersubjetiva do trabalho poético, que descreve um percurso do racional ao afetivo”.
Sua poesia não é apenas a emoção que jorra, mas um delicado trabalho de artesã caprichosa. Ela se diz camoniana, mas seus versos não nos remetem apenas a Camões, nas suas analogias, mas nos fazem lembrar todos os grandes poetas que souberam deixar talhados na Pedra da Existência o mundo insondável e abissal dos belos e contraditórios sentimentos que tomaram suas almas.
Miriam mostra a sua intimidade não só com a própria vida, com seus movimentos que lembram o vai-e-vem das ondas, nem apenas com os sentimentos que impulsionam os humanos e com o inconsciente coletivo, mas, também, a sua intimidade com a escritura e a alma daqueles que souberam “poetar”.
Vejamos:

“Com certeza
um amanhã benigno
para além dos nossos afetos
aferidos em cada ser
vai certeiro, vai levando
o movimento da vida...”.

Eu me curvo, humilde, diante da grande poetisa, da grande literata, que sabe traçar com delicadeza e maestria cada palavra de seus poemas.
Seu nome, no futuro, certamente, estará ao lado de Göethe, Elizabeth Browning, Florbela Espanca, Drummond, Quintana, Neruda e tantos outros porque ninguém foge a peneira do Tempo que sabe eliminar os cascalhos inúteis e separar as pedras preciosas.
Sintamos a beleza e o sentido da voz da poetisa:

“Nossas vidas já sorriem para outra vida,
para aquelas portas celestes de porcelana
que se abrem ao convite de domingo
num tempo de alva luz e manhãs livres
num bloco de estrelas sem noite,
no espelho translúcido do dia sem dia
num espaço sideral sem fronteiras,
onde o tempo infinito grava eternamente
com adaga de ouro e luz
o aberto amor do Pai”.

O homem comum diria: “Morremos e vamos para o céu”. Mas para Miriam estas são palavras mui pobres que não expressam a maravilha de nunca morrer e ser acolhida nos braços do Pai...
Meu Deus, quanta beleza em expressões como “tempo de alva luz e manhãs livres”, “estrelas sem noites”, “dia sem dia”!... Só mesmo uma alma superior, uma mente rica e uma formação acadêmica ampla e profunda para dar condições a alguém para dizer algo tão simples de modo tão belo e singular.
A poesia de Miriam nos desperta, nos sacode, nos sacia. A gente voa na beleza de seus versos e, ao mesmo tempo, mergulhamos em abismos profundos e andamos por desertos sem fim... Mas a esperança nos enche a alma:

“Luzeiros pensamentos
como lindas peças raras
hão de luzir um dia
na mais leve e pura essência
cheirando a malva do céu
nos vazios espaciais,
nas superfícies alvas
hão de luzir um dia”.

Miriam nos empolga e nos leva as lágrimas. A riqueza de suas figuras de linguagem nos povoam a mente e a alma com sentimentos que nem conseguimos expressar...
“Eterno Instante” talvez seja um dos mais belos presentes que uma alma nobre e um talento incrível deixam como herança para Montes Claros, para Minas e para o mundo.
E eu fico por aqui
“num coração que não cabe
um olhar de esquecimento
e uma alma sem intento”.

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