BOAS VINDAS

Seja bem vindo! Espero que aqui encontre alento, beleza, amor e paz! E que possa espalhar isto para o mundo, que vive tão sedento de tudo isto.



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terça-feira, 31 de agosto de 2010

O MEU MOMENTO


O MEU MOMENTO

Sentada naquele café, diante do mar, ouvindo Chico Buarque, sentia-me dona do mundo. Toda a beleza e o êxtase daquele momento... Nada mais importava... A paz e a felicidade estavam dentro de mim. Eu não dependia de algo mais ou alguém para que tudo fosse completo. Pude, então, compreender, num sentido mais amplo e profundo, ou sentir de verdade algo que sempre costumo dizer: a felicidade e a paz estão dentro de nós e não dependemos de ninguém nem de nada para sermos donos delas. Uma coisa é pensar e falar, outra é sentir. E é o que eu sentia naquele momento só meu.
Nós complicamos demais a vida. De que, realmente, necessitamos? De alimentarmo-nos, de água, do sono, de um teto, de amarmos e sermos amados. Tudo o mais é supérfluo.
Deus nos deu tudo: a beleza do universo, um planeta especialmente encantador, a terra fértil, o dom da inteligência, que nos faz co-criadores de sua obra.
Sermos amados vai depender de termos o coração aberto e distribuirmos amor. Quando sorrimos a todos, quando escutamos alguém, de verdade, quando damos um abraço sincero, tudo isso faz com que o outro abra o seu coração para nós. Gentileza gera gentileza, amor gera amor, alegria produz alegria. Assim como, em caso contrário, os sentimentos negativos, como a mágoa, o ressentimento, a inveja, o egoísmo, atraem coisas tristes.
É preciso que a gente compreenda que se não somos felizes não é por que alguém nos deixou, porque não temos dinheiro, porque não temos a casa de nossos sonhos, etc., mas simplesmente porque ainda não percebemos que o dom da vida e a beleza do mundo em si já são a própria felicidade.
Naquele momento, tão cheio de beleza, dei graças a Deus não só pelo que Ele tem me proporcionado, mas, principalmente, por entender que a minha felicidade, a minha paz, a minha alegria não estão nas mãos de ninguém. Não é dizer que eu me basto. Somos seres sociáveis e necessitamos de compartilhar com outros a graça da Vida. É nesse encontro que aprendemos muito e crescemos como criaturas de Deus.
Andar pelas belas ruas de aspecto colonial, vendo casas tão bem conservadas, gente diferente, sentindo a brisa da tarde gostosa, pisando naquelas pedras seculares, é tudo de bom... O que mais importa?!... Ninguém, jamais, poderá me roubar este maravilhoso momento. Isto é tudo!
Quero envelhecer desta forma: enchendo meus olhos com a beleza, sentindo os sabores, ouvindo os sons maviosos das mais diversas fontes, feliz comigo mesma. É o céu que começa na Terra...

Maria Luiza

SÓ POR HOJE



Só por hoje vou rasgar os códigos.
Desacato as regras,
a água morna,
os preços módicos.
Só por hoje
desacredito das retas,
descarrilho do trilho,
desvio das setas.
Preciso de tempo pra sonhar,
respirar fundo e carregar na mão
o sal da vida e o mel do mundo.
Se o compromisso tocar a campainha,
peço que aguarde na casa vizinha,
mansamente, sem fazer alarde.
Mas comunico a todos pela imprensa
que sumiu a lucidez.
Pediu licença. É só por hoje,
mas agora é minha vez.


Flora Figueiredo

O QUE NÃO SEREI



Sim, sei bem

Que nunca serei alguém.

Sei de sobra

Que nunca terei uma obra.

Sei, enfim,

Que nunca saberei de mim.

Sim, mas agora,

Enquanto dura esta hora,

Este luar, estes ramos,

Esta paz em que estamos,

Deixem-me crer

O que nunca poderei ser.

sábado, 28 de agosto de 2010

MENSAGEM



A sua irritação não solucionará problema algum.
As suas contrariedades
não alteram a natureza das coisas.
Os seus desapontamentos
não fazem o trabalho
que só o tempo consegue realizar.
O seu mau humor não modifica a vida.
A sua dor não impedirá que o Sol brilhe amanhã
sobre os bons e os maus.
A sua tristeza não iluminará os caminhos.
O seu desânimo não edificará a ninguém.
As suas lágrimas não substituem o suor
que você deve verter em benefício
da sua própria felicidade.
As suas reclamações, mesmo que afetivas,
jamais acrescentarão nos outros
um só grama de simpatia por você.
Não estrague o seu dia.
Aprenda, com a Sabedoria Divina,
a desculpar infinitamente,
construindo e reconstruindo
sempre para o Infinito Bem.
Texto do espírito André Luis, psicografia de Chico Xavier

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

DECLARAÇÃO DE AMOR


Quando conseguires compreender

toda a felicidade de um sorriso de criança,

Quando souberes de todos os sonhos

que tenho para ti,

Quando puderes contar

todas as estrelas do céu,

Quando conseguires imaginar toda a esperança

que coloco neste amor,

Quando fores capaz de contar

todos os grãos de areia na praia

E todas as palavras que te falo,

Quando conseguires contar

todas as gotas da chuva

quando ela cai,

Quando conheceres todo o desejo

que mora em mim,

Quando souberes de toda a confiança

que coloco em tuas mãos,

Quando puderes contar

todos os flocos de neve

em uma tempestade de inverno

E toda a fé que deposito em ti,

Quando puderes contar todas as folhas

durante um vento de outono

E imaginar a vida que desejo

compartilhar contigo,

Quando puderes sentir

todo o prazer entre dois corações

E toda a paixão que sinto,

Então, quase... quase saberás

o quanto te amo!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A FLOR DO MARACUJÁ




Catulo da Paixao Cearense


Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A flor do maracujá

Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi
Mais brando do que o luá

Quando a flor brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão

Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro

Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê

Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza

Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjera

E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô

I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as flor

Eis aqui seu moço
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A flor do maracujá

domingo, 22 de agosto de 2010

DE MINHA PRECOCE NOSTALGIA




Por Maria Sanz Martins

Quando eu for bem velhinha, espero receber a graça de, num dia de domingo, me sentar na poltrona da biblioteca e, bebendo um cálice de Porto, dizer a minha neta:

- Querida, venha cá. Feche a porta com cuidado e sente-se aqui ao meu lado.
Tenho umas coisas pra te contar.
E assim, dizer apontando o indicador para o alto:
- O nome disso não é conselho, isso se chama corroboração!
Eu vivi, ensinei, aprendi, caí, levantei e cheguei a algumas conclusões.
E agora, do alto dos meus 82 anos, com os ossos frágeis a pele mole e os cabelos brancos, minha alma é o que me resta saudável e forte.
Por isso, vou colocar mais ou menos assim:

É preciso coragem para ser feliz.
Seja valente.
Siga sempre seu coração.
Para onde ele for, seu sangue, suas veias e seus olhos também irão.
E satisfaça seus desejos.
Esse é seu direito e obrigação.

Entenda que o tempo é um paciente professor que irá te fazer crescer, mas a escolha entre ser uma grande menina ou uma menina grande, vai depender só de você.

Tenha poucos e bons amigos.
Tenha filhos.
Tenha um jardim.
Aproveite sua casa, mas vá a Fernando de Noronha, a Barcelona e a Austrália.
Cuide bem dos seus dentes.
Experimente, mude, corte os cabelos.
Ame. Ame pra valer, mesmo que ele seja o carteiro.

Não corra o risco de envelhecer dizendo "ah, se eu tivesse feito..."
Tenha uma vida rica de vida.
Vai que o carteiro ganha na loteria - tudo é possível, e o futuro é imprevisível.
Viva romances de cinema, contos de fada e casos de novela.
Faça sexo, mas não sinta vergonha de preferir fazer amor.

E tome conta sempre da sua reputação, ela é um bem inestimável.
Porque sim, as pessoas comentam, reparam, e se você der chance elas inventam também detalhes desnecessários.
Se for se casar, faça por amor.
Não faça por segurança, carinho ou status.
A sabedoria convencional recomenda que você se case com alguém parecido com você, mas isso pode ser um saco!

Prefira a recomendação da natureza, que com a justificativa de aperfeiçoar os genes na reprodução, sugere que você procure alguém diferente de você.

Mas para ter sucesso nessa questão, acredite no olfato e desconfie da visão.
É o seu nariz quem diz a verdade quando o assunto é paixão.
Faça do fogão, do pente, da caneta, do papel e do armário, seus instrumentos de criação.

Leia.
Pinte, desenhe, escreva.
E por favor, dance, dance, dance até o fim, se não por você, o faça por mim.
Compreenda seus pais.
Eles te amam para além da sua imaginação, sempre fizeram o melhor que puderam, e sempre farão.
Cultive os amigos.
Eles são a natureza ao nosso favor e uma das formas mais raras de amor.
Não cultive as mágoas - porque se tem uma coisa que eu aprendi nessa vida é que um único pontinho preto num oceano branco deixa tudo cinza.

Era só isso minha querida.
Agora é a sua vez.
Por favor, encha mais uma vez minha taça e me conte:
como vai você?


http://recantodasletras.uol.com.br/prosapoetica/1855015

.................................................................

Vozes do Coração

Composição: Fábio Paniza

Vozes: Fábio Paniza e Grupo Vocal Sábado de Sol;
Arranjo: Douglas Griggio.

" Abra o coração
deixa a solidão,
É hora de renascer....
Não esqueça seu irmão
Teha compaixão
Seja um novo ser, etc "






http://www.musicexpress.com.br/Artista.asp?Artista=190

O ALENTO


Relata-nos o apóstolo Paulo, em sua segunda carta doutrinária à comunidade de Coríntios, em seu capítulo 4, versículos l6/18, que: por isso nunca ficamos dominados. Mesmo que o corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia.
Conclui o apóstolo tardio que: E essa pequena e passageira aflição que sofremos vai nos trazer uma glória enorme e eterna, muito mais do que o sofrimento.
A transitoriedade do que vemos, faz com que fixemos os nossos sentidos apenas no que é sensorialmente manifesto. O visível! Daí a atenção demasiada e explícita que nos toma a dor. Os sofrimentos...
A certeza da glória, para a qual fomos por Deus criado, vem das reminiscências extraídas da memória formada na nossa origem divina; no mundo espiritual, de onde viemos. A morada eterna
Conforme as afirmações paulinas, a função da vida é fazer com que o que é mortal desapareça. São as purgações produzidas pela dor e pelo sofrimento que nos elevam com o que de almas somos. Elas nos conduzirão de volta ao Pai!
Sintetiza ainda o apóstolo Paulo: Vive-se pela fé.
Depois da tempestade, vem a bonança, e a função das quedas é fazer com que as águas do rio criem força. Ademais nos adverte o filósofo Sêneca que: Os pequenos males nos preparam para os males maiores.
O sofrimento e a dor são tão intensos quando expressos no homem que, mesmo um ser divino como Jesus, o filho dileto do Pai, estando encarnado no físico, e, ao passar pelo sofrimento, disse: Pai afasta de mim este cálice.
É a instrumentalidade da dor e sua função em promover a evolução, pois, logo em seguida ao seu lamento, Jesus disse, compreendendo a ação retificadora:Pai, perdoe porque eles não sabem o que fazem

raphaelreysmoc@yahoo.com.br

sábado, 21 de agosto de 2010

FILME PRECIOSO: JESUS

OS QUATRO GIGANTES DA ALMA


Dizem que há na alma dos seres humanos quatro gigantes que acompanham a evolução.Três destes colocam obstáculos, e apenas um abre as portas.Os três gigantes criadores de problemas chamam-se: MEDO, IRA, DEVER.

MEDO é um gigante enraizado profundamente, que se alimenta da necessidade de preservar a vida ante o perigo, mas que se alia com a imaginação e cria neuroses que são capazes de paralisar completamente a vida de uma pessoa.

IRA é um gigante destrutivo,que se alimenta da reação normal de uma pessoa ante o MEDO, mas por ser normalmente abafado e recalcado acaba criando o ódio,que é uma raiva em conserva, podendo consumir uma pessoa por dentro até matá-la.

DEVER é um gigante que entulha o caminho das pessoas com muitas obrigações, podendo esmagá-las com tantas destas que acaba produzindo tédio e imobilidade. Quem poderia abrir todas as portas é o gigante AMOR! Mas raramente alguém o utiliza, porque amar não é algo que acontece do dia para a noite, mas uma dimensão que resulta do esforço para abrir o coração e entregar ao mundo o que haja de melhor na alma de quem assim se atreva a viver.

Desejo que a cada amanhecer você tenha sempre o atrevimento não apenas de viver mais um dia, e sim de viver feliz o seu dia,fazendo dele um dia cheio de dignidade, como somente as pessoas especiais sabem fazer.


(Texto escrito com base na obra de Myra y Lopez "Os quatro gigantes da alma")

CRÍTICA SOBRE O LIVRO "SONHO E AGONIA"


SONHO E AGONIAS, de Maria Luiza Silveira Teles, é um poema de amor. Um longo poema de um amor incondicional, imprescindível e necessário por toda a humanidade. O britânico Bertrand Russel, um dos intelectuais mais influentes do século XX, e Prêmio Nobel de Literatura em 1950, confessa, em sua Autobiografia, que três paixões, simples mas devastadoramente poderosas, governaram a sua vida: 1º. um ardente desejo de amor; 2o. a busca do saber;,3o. uma insuportável piedade diante do sofrimento dos homens.

Quem conhece Maria Luiza sabe que a sua alma está irremediavelmente irmanada à do grande filósofo pacifista que acabei de citar.Comecemos pela busca do saber.Essa é uma seara cultivada com competência por esta pedagoga, jornalista, professora universitária, titular de Psicologia da Educaçãoe Sociologia, pós-graduada em Psicologia e em Sociologia, filósofa, autora de 31 livros e ainda consultora editorial que o Brasil tanto respeita e admira.Essa competência, uma vez mais, está comprovada nas páginas desse novo trabalho.

Ler Sonho e Agonia é assim: já na leitura dos primeiros versos, percebemos que as palavras vão-se combinando no papel e criando ritmo, musicalidade, tecendo imagens que vão nos envolvendo, e a gente vai querendo ler mais, e mais, e vamos deslizando mansamente pelos versos livres - sem a opressão da busca da regularidade métrica -, pelos versos ora brancos, ora rimados, nesse poema que é longo e que a gente não quer que acabe - um longo fio de Ariadne a nos guiar por labirintos.

Nas páginas desse livro, Asas sublimes e galopantes rompem cárceres, e, ao ritmo nitidamente musical das aliterações, vão errantes aos céus da fantasia. Essas asas atingem o leitor. Permitem-nos alcançar a transcendência - a mesma transcendência que alcançamos quando escutamos a poesia simbolista de Cruz e Sousa. Ou quando acompanhamos a fase simbolista de Cecília Meireles.E é a sensação de ter a alma tomada pela mais confortante das primaveras que vamos experimentando, à medida que prosseguimos a viagem dentro dos versos de "Sonho e Agonia". Passemos à outra das três paixões confessadas por Russel: o desejo ardente de amor. Esta é percebida já à simples visão da luz que salta dos olhos de Maria Luiza e a faz transformar tudo que vê em indagações filosóficas e plasticidade poética. Esse desejo ardente, nascido na região mais profunda do seu ser vem à tona e, transfigurado pela arte, transformado em palavras escritas, nos embriaga e nos emociona. Por isso Maria Luiza afirma que no coração o amor não passa (...) O coração que ama é o mesmo coração que sonha, pois que sonho e amor são feitos da mesma matéria. Sabedora disso, Maria Luiza lembra-nos que somos, nós mesmos rios de mistérios grávidos de sonhos.Há mais sonhos e mais amor nos versos de Maria Luiza: Sonhos-estilhaços e a amarga missão de reconstruí-los,dia após dia,re-inventando o amor,a esperança,e a alegria.

Belíssima imagem é também construída pela autora quando nos fala de homens livres (que) vão arrancando as farpas do corpo enquanto caminham e sonham.Sonhos-estilhaços, Sonho e agonia... Os homens têm a dimensão de seus sonhos, lembra-nos a poeta...A necessidade do sonho foi imortalizada pela genialidade de Goethe em sua obra-prima Werther, quando lembra que a vida humana não passa de um sonho. Que nosso espírito só pode encontrar tranquilidade por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes de sua cela.

E a personagem, numa narrativa em primeira pessoa, continua: Tudo flutua vagamente nos meus sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo. Maria Luiza, por sua vez, transfere para a nossa pele os arrepios e emoções de um sonho que não morre. E faz entrar pelos nossos olhos imagens de homens pescando sonhos nas curvas do mundo. "Sonho e Agonia" é passaporte para viagens através do mundo, dos sentimentos, dos risos e das lágrimas.Ouçamos a poeta: O dedo e o olhar apontando o caminho aos irmãos de luta.Pranto e espanto diante de homens sem janelas, sem palavras, sem segredos, sem sonhos e sem caminhos... E com essa imagem de homens sem janelas, sem palavras, sem segredos, sem sonhos e sem caminhos..., falemos da terceira paixão citada por Bertrand Russel e que também encontramos na poesia de Maria Luiza: a insuportável piedade diante do sofrimento dos homens. Através de seus versos, Maria Luiza lança seus gritos de luz no frio do inverno, na espera da primavera. Deposita em nossos ouvidos o som dos gemidos, do grito de multidões sofridas. Fala-nos da dor antiga, no soluço do susto, no amargo do riso, no gemido do abraço que não somos mais do que um só. A sensibilidade da poeta transforma em poesia a agonia vislumbrada em olhos vazios, rostos pálidos e corpos esquálidos, o poder e o desamor de tantos...Arranhando portas fechadas de casebres,as unhas afiadasdo homem-fera....E os pobres-diabos arando a terra e colhendo pedras.Trabalhando em silêncio, debulhando caroços e bebendo o cálice de fel que lhes oferecem os poderosos.Maria Luiza põe a caminhar diante dos nossos olhos a procissão de homens que sonham com a Liberdade, sonham e caminham, caminham para a forca, a guilhotina e a crucificação.Eles vertem o cálice da dor. No entanto, bêbados de alegria, ainda cantam hinos, hosanase aleluias. Porque eles sabem: (continua a poeta) sabem que cutelos, cassetetes, obuses,baionetas, sabres e tanques não são capazesde matar sonhos. (Obrigada, Lu, por não deixar eu me esquecer disso.).

Na poesia de Maria Luiza eles vão vestidos apenas de sonhos. Eles são poetas, artistas, sacerdotes, profetas e loucos, eles são o sal do mundo e a luz do caminho sofrido da História. A História que registra os campos de concentrações nazistas, o massacre na Praça da Paz Celestial, o povo russo em cima dos tanques clamando pela democracia, a noite funérea da Inquisição... Todas essas vergonhas são indagações presentes nas páginas de "Sonho e Agonia". Lembrando esses horrores, Maria Luiza se pergunta: Como apagar a vergonha da tirania?

Essa poeta, que de modo sensível e sábio expõe as chagas dos nossos tempos e de todos os tempos - pois que é dever do escritor emaranhar-se em indagações, indignações e estupefações, nos acena, também, com possibilidades de amanheceres. E é em nome daquele ardente desejo de amor do qual falava Bertrand Russel que Maria Luiza conclama: se o momento tarda, rasguemos a memória e reinventemos a esperança, pois que esta ternura e esta bravura deste incerto momento apontam para o dia que se prenuncia. Completa, ainda: E, por mais que o tempo afronte e os homens secos nos fazem arder a almai, nventemos os amanhãs.

Senhoras e senhores: aceitemos o convite da poeta: inventemos os amanhãs.Três paixões permitem-nos a construção desses amanhãs. Três instrumentos possibilitam-nos tecer, fio por fio, esses momentos vindouros: um ardente desejo de amor, a busca do saber e uma insuportável piedade diante do sofrimento dos homens. Os filósofos e os poetas estão por aí, a nos ensinar. Sejamos aprendizes eficientes. Assim estaremos aptos a alcançar o que Maria Luiza, nesse livro, chama de as marcas definidas do Sonho-Liberdade.


Karla Celene Campos

Membro da Academia Montes-clarense de Letras e

do Institituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

JÁ...


Já escondi um amor com medo de perdê-lo,
Já perdi um amor por escondê-lo...
Já segurei nas mãos de alguém por estar com medo,
Já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida,
Já me arrependi por isso...
Já passei noites chorando até pegar no sono,
Já fui dormir tão feliz,
Ao ponto de nem conseguir fechar os olhos...
Já acreditei em amores perfeitos,
Já descobri que eles não existem...
Já amei pessoas que me decepcionaram,
Já decepcionei pessoas que me amaram...
Já passei horas na frente do espelho
Tentando descobrir quem sou,
Já tive tanta certeza de mim,
Ao ponto de querer sumir...
Já menti e me arrependi depois,
Já falei a verdade
E também me arrependi...
Já fingi não dar importância a pessoas que amava,
Para mais tarde chorar quieto em meu canto...
Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
Já chorei de tanto rir...
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,
Já deixei de acreditar nas que realmente valiam...
Já tive crises de riso quando não podia...
Já senti muita falta de alguém,
Mas nunca lhe disse...
Já gritei quando deveria calar,
Já calei quando deveria gritar...
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
Outras vezes falei o que não pensava para magoar outros...
Já fingi ser o que não sou para agradar uns,
Já fingi ser o que não sou para desagradar outros...
Já contei piadas e mais piadas sem graça,
Apenas para ver um amigo mais feliz...
Já inventei histórias de final feliz
Para dar esperança a quem precisava...
Já sonhei demais,
Ao ponto de confundir com a realidade...
Já tive medo do escuro,
Hoje no escuro "me acho..me agacho..fico ali"...
Já caí inúmeras vezes
Achando que não iria me reerguer,
Já me reergui inúmeras vezes
Achando que não cairia mais...
Já liguei para quem não queria
Apenas para não ligar para quem realmente queria...
Já corri atrás de um carro,
Por ele levar alguém que eu amava embora.
Já chamei pela mamãe no meio da noite
Fugindo de um pesadelo,
Mas ela não apareceu
E foi um pesadelo maior ainda...
Já chamei pessoas próximas de "amigo"
E descobri que não eram;
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada
E sempre foram e serão especiais para mim...
Não me dêem fórmulas certas,
Porque eu não espero acertar sempre...
Não me mostre o que esperam de mim,
Porque vou seguir meu coração!...
Não me façam ser o que eu não sou,
Não me convidem a ser igual,
Porque sinceramente sou diferente!...
Não sei amar pela metade,
Não sei viver de mentiras,
Não sei voar com os pés no chão...
Sou sempre eu mesma,
Mas com certeza não serei a mesma para sempre.


(Clarice Lispector - foto)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

OS HUMILDES


"Eu que moro na alta e sagrada morada. moro com o que foi despejado e está humilhado em baixo, a fim de que possa confortar o espírito do humilde e levantar o coração dos despejados".


Profeta Isaías

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

CARIDADE


Caridade é, sobretudo, amizade.

Para o faminto - é o prato de sopa.

Para o triste - é a palavra consoladora.

Para o mau - é a paciência com que nos compete auxiliá-lo

Para o desesperado - é o auxílio do coração.

Para o ignorante - é o ensino despretensioso.

Para o ingrato - é o esquecimento.

Para o enfermo - é a visita pessoal.

Para o estudante - é o concurso no aprendizado.

Para a criança - é a proteção construtiva.

Para o velho - é o braço irmão.

Para o inimigo - é o silêncio.

Para o amigo - é o estímulo.

Para o transviado - é o entendimento.

Para o orgulhoso - é a humildade.

Para o colérico - é a calma.

Para o preguiçoso - é o trabalho.

Para o impulsivo - é a serenidade.

Para o leviano - é a tolerância.

Para o deserdado da Terra - é a expressão de carinho.

Caridade é amor, em manifestação incessante e crescente. É o sol de mil faces, brilhando para todos, e o gênio de mil mãos, amparando, indistintamente, na obra do bem, onde quer que se encontre, entre justos e injustos, bons e maus, felizes e infelizes, por que, onde estiver o Espírito do Senhor aí se derrama a claridade constante dela, a benefício do mundo inteiro.

Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier. Da obra: Viajor
Pintura a óleo de William Adolphe Bouguereau, "A Caridade", de 1878.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CONSTRUINDO A FELICIDADE


As boas coisas que a vida nos traz são percebidas como boas porque as comparamos com as que consideramos más. É uma atitude sábia aceitar como parte de nossa aprendizagem as dores que precisamos suportar. Nenhum caminho é desprovido de pedras; nem sempre o céu está sem nuvens. A felicidade dependerá da habilidade de cada um em saber aproveitar cada uma das pedras encontradas para com elas construir o alicerce que será a base de sua capacidade de crescer em força e autoestima. Aceite o que a vida lhe traz. Ela é sábia! Mas saiba transformar o sofrimento em sabedoria.

Maria Luiza

domingo, 15 de agosto de 2010

EARTH SONG

EMOÇÕES


A nossa sociedade tem se robotizado de tal forma, tem enfatizado, com tanta veemência, fatores como o sucesso e o dinheiro, que acaba levando as pessoas, envolvidas que são, completamente, numa luta insana de alcançar seus objetivos, a Afastarem-se de si próprias, de seu interior, de seus amigos e se tornam anestesiadas em suas emoções. Ora, sentir alegria, prazer, entusiasmo, tristeza, amor, raiva, medo... Tudo isso significa apenas ser humano, ser gente. Extravasar, de alguma forma, todas as emoções é sadio, é normal. Conter o choro, conter o riso, a dor, fingir felicidade, engolir a raiva, disfarçar o medo, tudo isso causa graves prejuízos à saúde física e mental.

Sempre existem maneiras de se expressar as emoções, sem agredir as susceptibilidades ou o pudor do próximo.

Emoções guardadas, cuidadosamente reprimidas, controladas, silenciadas, acabam por adoecer seriamente a pessoa que age dessa forma.

Maria Luiza

sábado, 14 de agosto de 2010

CRISTAIS...

CANÇÃO DO SONHO ACABADO


Já tive a rosa do amor
- rubra rosa, sem pudor.
Cobicei, cheirei, colhi.
Mas ela despetalou
E outra igual, nunca mais vi.
Já vivi mil aventuras,
Me embriaguei de alegria!
Mas os risos da ventura,
No limiar da loucura,
Se tornaram fantasia...
Já almejei felicidade,
Mãos dadas, fraternidade,
Um ideal sem fronteiras
- utopia! Voou ligeira,
Nas asas da liberdade.
Desejei viver. Demais!
Segurar a juventude,
Prender o tempo na mão,
Plantar o lírio da paz!
Mas nem mesmo isto eu pude:
Tentei, porém nada fiz...
Muito, da vida, eu já quis.
Já quis... mas não quero mais...



Você vive clamando por Jesus? Sim, precisamos muito Dele. Mas, você sabia que Ele também precisa de nós? Precisa que demos testemunho de seus ensinamentos no dia-a-dia. Que amemos o nosso próximo, mesmo aquele mais difícil; que acolhamos, com amor, todos aqueles que nos procuram, aquebrantados por suas dores físicas e morais; que sejamos sempre humildes como Ele próprio e não exijamos muito da vida; que sejamos sempre gratos por aqueles que nos amam, pela comida no prato, por roupas limpas, pelo cobertor que nos agasalha.
Ele necessita de nós para que não nos apartemos do Bem e lutemos por Justiça. Não é dever apenas dos sacerdotes e dos pastores seguir e pregar os ensinamentos de Jesus: isto é obrigação de cada cristão e, mais do que isto, viver aquilo que Ele pregou. Não sejamos omissos. A oportunidade está à nossa frente. Não nos queixemos, trabalhemos por um mundo melhor! Não exijamos do nosso semelhante transformações quando continuamos a ser um poço de defeitos. Trabalhemos o nosso interior. Agradeçamos ao Senhor por cada dia, pois cada dia é uma nova oportunidade de começar bem tudo de novo.
Abracemo-nos no Amor Maior de Nosso mestre Amado!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

RADIOGRAFIA DE MIM MESMA





Finalmente pude ver tudo
lá por dentro
A radiografia de mim,
mostrou-me enfim
Vértebras quebradas por
pesos que carreguei
Luxações por palavras
que falei
Hematomas por beijos que
eu dei e por tantos que
eu neguei
Sangramentos por
sentimentos que evitei
Hemorragias por tanta
solidão que enfrentei
Isquimia por atitudes
que eu tomei
Taquicardia por sofrimentos
que amargurei
Inflamações por sonhos
que amputei
Cicatrizes por corações
que eu machuquei...

By Silvana Duboc

SAUDADE


"Saudade é solidão acompanhada,

é quando o amor ainda não foi embora,

mas o ser amado já...

Saudade é amar um passado

que ainda não passou,

é recusar um presente que nos machuca,

é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe

o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,

é a dor dos que ficaram para trás,

é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa não sentiria saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,

passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido..." (Pablo Neruda)









quarta-feira, 11 de agosto de 2010

CHARLES AZNAVOUR E DUAS NETAS

DIAS TRISTES


Vou tecendo a vida
Com fios de prata
Muitas vezes a neblina
Cega meus olhos
E alguma coisa
Se rompe dentro de mim
A alegria é atada
E sinto um amargo fim
Que não posso explicar.
Como se uma tragédia
Estivesse por acontecer...
Um aperto no peito
E uma dor fina
Tomam todo meu ser
Qual será o nome
Desse sentimento?
Pressentimento ou saudade?...
Quem sou eu pra definir?
Só sei que o tempo corre
E, lentamente,
A morte se aproxima...
Os sonhos murcham,
Os amores morrem
E o sorriso em meu rosto
É uma triste caricatura...
Que poder tem a criatura
Pra deter o tempo
E aprisionar a felicidade?
São os dias tristes
Em que a alma desatina
Em loucos pensamentos
E a noite parece tomar conta
De dias sem aurora...
Ah, é tamanha a tristeza
Dessa dor sem nome
Que só tenho uma certeza:
Um dia tudo acaba...

AUTOPERDÃO


Em muitas pesquisas realizadas pode-se constatar que os ressentimentos, as mágoas e o sentimento de culpa são encontrados em mais de 90% das pessoas com câncer. Assim o perdão não assume apenas uma importância evangélica, mas também reflete na nossa saúde física e emocional.

A autocondenação e a culpa sabotam nosso aprendizado, porque nos mantêm concentrados no que é ruim, em lugar de nos conduzir na busca do acerto. Precisamos de amor, de compreensão, não de condenação ou castigo. Só o amor, a compreensão e o perdão nos levam a reconhecer e a buscar as mudanças necessárias.

Izaias Claro nos diz que devemos agradecer a nossa consciência quando ela nos avisa do erro, mas não devemos estacionar no remorso. Quando ela desperta façamos como no despertador, uma vez acionado devemos trancá-lo para que não caminhemos com a culpa e sim para a reparação.

Não guardemos culpa. Optemos pelo melhor, modificando nossa conduta. Precisamos reconhecer o erro, mas não nos fixar nele. Precisamos nos permitir o direito de haver errado, mas também, reconhecer que agora desfrutamos a oportunidade de reparar o equívoco.

Na busca do autoperdão é necessário nos ver de forma positiva e construtiva. Se observarmos atentamente os nossos pensamentos e o que falamos, talvez a maioria irá descobrir que, na maior parte do tempo, fala consigo mesmo de forma crítica. Vamos desligar esse diálogo interno negativo, modificando a nossa forma de ver a vida e a nós mesmos, reforçando sempre o bem, o positivo e o correto, centrando nossa atenção na busca do acerto e não na culpa pelo erro.

Durante toda nossa existência fomos acumulando conceitos a nosso respeito. Desde nossa infância, aceitamos comentários e críticas a nós dirigidas. No entanto, nem tudo é verdadeiro. Precisamos reavaliar isso. Restabelecendo o nosso real valor, sem o exagero que é o próprio orgulho, mas também sem o desprezo que seria a nossa auto-humilhação. Por isso, precisamos alimentar a nossa mente com outros conceitos. Como filhos de Deus, embora ainda imperfeitos, somos merecedores do amor e do perdão Divinos. Apesar dos nossos equívocos, também temos muitas virtudes, que às vezes não vemos, pois estamos muito centrados nos erros, nas fraquezas e nos tropeços. Assim necessitamos alimentar e estimular as coisas positivas que existem em nós. Sem lutar contra os pensamentos negativos, mas direcionando-os para coisas positivas, sempre que eles tentarem nos atormentar.

Outra situação, que em nada nos ajuda, são as lamentações. Eu deveria ter estudado ou trabalhado mais. Eu deveria ter agido diferente. Eu não deveria ter perdido aquela oportunidade. E muitos outros deverias ... Às vezes chegamos a dizer: Não me perdôo por ter agido assim. Em outras, até decretamos antecipadamente a nossa sentença, quando dizemos: Eu não irei me perdoar se errar dessa vez. Com esse discurso, inconscientemente estamos fazendo um julgamento negativo das nossas ações e nos enchendo de culpas.

Diante do erro, vamos lembrar que ficar remoendo acontecimentos infelizes, em nada nos ajuda, pois estacionaremos na culpa. Vamos esquecer os nossos insucessos. Todos nós somos dignos de uma nova oportunidade para a reparação dos nossos enganos. Vamos aproveitar bem essa existência, extraindo dela o que ela nos possibilita de melhor, mesmos nos erros e nos tropeços. Se cairmos, vamos levantar quantas vezes forem necessárias, lembrando de agradecer a Deus todas as experiências por mais dolorosas que possam ter sido.

Vamos sentir e vivenciar o momento presente, sem a vinculação com os erros do passado, mas sem a ansiedade do futuro. O passado não pode ser mudado, apenas reparado. O futuro está distante. O que mais importa agora é como estamos agindo hoje. É hoje que podemos reparar o passado. É agora que podemos construir um futuro melhor.

Sempre é tempo para iniciar uma mudança em nossa vida. Não vamos esperar a próxima encarnação, pois talvez as dificuldades possam até ser maiores. Talvez não tenhamos as mesmas oportunidades.Diante do erro, busquemos a reparação, escolhendo Jesus como modelo e guia, aceitando os nossos limites, mas nos perdoando sempre. Tendo consciência que a evolução é uma caminhada individual, somente nossa, e ninguém poderá fazê-la por nós.
"Habitue-se a perdoar. Faça do perdão a sua estrada da paz interior.Tenha certeza que o perdão é o fim de uma luta: consigo mesmo,com os familiares, com os amigos e inimigos".(Jason de Camargo)
Fonte: página do Grupo Espírita Seara do Mestre, de Santo Angelo -

terça-feira, 10 de agosto de 2010

ACORDA!




" Acorda linda moça

já é hora de despertar...

não espera que o mundo mude de cor

para pintar de azul teu caminhar..

Acorda mesmo que no teu sonho

o amor seja pleno

sem maltratar..
prometo que
quando acordares

os pássaros da esperança

só cantarão a melodia

do teu sonhar..!"

Silvane Saboia

sábado, 7 de agosto de 2010

AO MEU AMADO


Não permita que a vida
Lhe escorra pelos dedos...
Tanta beleza por viver,
Tanta tristeza a padecer...
Tantos risos a se gargalhar.
Não fuja do amor por medo,
Pois de todos haveremos
Um dia nos separar...
Não deixe de viver
Este lindo momento
Que o faz vibrar
E para sempre há de ficar
Em seu nobre
Ou lascivo pensamento...
Viva intensamente,
Beba o cálice até a borda,
Pois vida, meu amado,
Não sei se outra lhe será dada...
Cante com as manhãs,
Adormeça com as estrelas,
Deixe que a lua de prata
Ilumine sua alcova
E seus sonhos mais sublimes
E loucos...
Ouça os pássaros,
Veja as flores,
Sinta o perfume
Que aromatiza o ar...
Ouça o silêncio
E os sons da mata!
Viva! Viva plenamente!
Pois vida é Amor,
Vida é beleza,
É ter em tudo ardor,
Paixão de se doer!...

Nelson Antonio Corrêa

À noite, fujo de mim ... insólito internauta, estrelas escorrendo pelos dedos no teclado e escondo a imagem lúcida e visível do meu corpo de dia, nas caixas encantadas de segredos, que oculto em territórios impossíveis, ditos nicknames.Então, penso no mundo que aprendi a sonhar e me instalo num raio de luar, num espaço que é meu, tão real e sensível, que esqueço o cotidiano...Aí me enfeito em núvens com cabelos de chuvas, olhos de garoa e incríveis adereços de neblina. E sei tear, com lascas de infinito, imensos agasalhos... E sei falar com flores coloridas, salpicadas de orvalho... E me envolvo em cantigos de ninar que repetem : sonhar, sonhar, sonhar...Mas chega o dia. Inverno ou primavera. Existem máscaras à minha espera. E me adorno com elas, com elas me protejo... Sólido como pedra, então planejo, organizo e dirijo, alheio e impassível, ligado ao que é real, ao que é tangível, provando a dor, a solidão, o medo. E descubro o que sou : um terrível brinquedo !...

PARA QUEM FOI MEU MUNDO



Carmen Ortiz Cristal

Uma história incomum...
Nada foi banal, foi tanto o que te dei!…
Cheguei a tua vida por forças superiores
De início senti que seriam muitas lutas
Mesmo assim assumi!...
Como uma sombra, sem medo,
Independente de tudo e todos
Estava ali para lutar por ti,
Dar-me em troca de tua felicidade

Com um sorriso e muito amor
Enfrentei a solidão, os fantasmas do passado...
Para que tuas horas, dantes tão vazias,
Fossem preenchidas com amor e alegria
No afã dos versos meus, a ti cantei noite e dia
Para que a dor que te escravizava fosse calada
Enfim te sentisse, acreditasse muito amado

Com meu riso,
minhas peraltices de menina sapeca
Preenchi o silêncio que te atormentava
Na inconseqüência de uma eterna criança
Brinquei, dancei sobre versos e muitas rimas
Para te fazer ver quanto à vida era bela
E por ser uma dádiva divina merecia se vivida
Plantar em teu coração o renovar da esperança
Acreditando ser teu direito o mundo dos prazeres
Ser tua a felicidade!...
Quanto lutei em silêncio...

Em tuas noites insones, ao saber de tuas penas
A teu lado, calada, perambulei!
Foram tantas madrugadas a te acompanhar
Ao te ver perdido entre lembranças doloridas
Fiquei ali sem arredar o pé de ti
Por amor, incondicionalmente...
Dando do coração e da razão
Em meus braços te envolvi num abraço amigo
Protetor, a te guardar de ti mesmo...
Te proteger do frio que teu corpo fazia tremer....

Livre do abandono fui teu abrigo!...
Acalanto de tua alma solitária....
Até mesmo contra tua vontade
Jamais deixei de estar ao lado,
Fiel ao amor dedicado
Por entender ser amiga, companheira...
Fui mansidão...

Tomei teus medos,
Fiz do meu corpo teu escudo
Da minh’alma um lago cristalino
Aonde viesses matar a sede de carinho
De meus braços proteção
Com amor fui segurança de dias incertos

Expulsei a morte!... Fiz da vida uma meta
Dei-te as forças que eu não tinha
Desejei arrancar-te de um castigo
A que insanamente te condenavas
Oferecendo a essência do que eu era
Meu ser, meu amor, minha poesia...

Mas como tudo nesta vida
O que é dado com abundância perde seu valor
Assim vi a indiferença
Vi a dor que eu tirava do teu caminho
Invadir sem nenhum pudor, minhas horas,
Meus dias foram escurecendo...
A luz que te ofereci, foram as trevas onde cai

Por um sorriso teu deixei o meu morrer
Tua solidão invadiu meu mundo
E o que em mim era poesia, passou a ser lamento!...
Com traições fui vitimada, perdi a rima...

Esgotada em minhas forças, a poesia foi morrendo
Nada mais restando, hoje sou ninguém!...
Desisto de ti, desisto de mim...
A solidão senhora, encarcerou minh’alma
Anulou minhas vontades...
Resta apenas
Um último verso para ti que muito amei,
Este verso!... Um verso simples, sem métrica...
Rimando amor e dor num último e triste adeus...


Amar não significa que tenhamos de nos anular,
se perdermos o rumo de nós o amor não encontrará forças
para sobreviver e vencer os infortunios da vida...

MENSAGEM


"Ás vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas. O tempo passa e descobrimos que grandes eram os sonhos, e as pessoas pequenas demais para torná-los reais Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante." Chaplin

SAUDADE FILIAL




Este é o quinto ano, papai, que não comemoro o dia dos pais, Você não está mais aqui e esse dia passou a ser um dia de saudade. Aliás, todas as datas significativas me lembram você e é difícil segurar o pranto...
A vida prossegue, papai. E eu que pensei que sem sua presença, sem seu apoio, jamais conseguiria viver!... Mas Deus é de uma misericórdia tamanha que, cada dia, vai colocando em meu coração um unguento capaz de fechar a ferida...
Ah, papai, como tudo de bom e bonito me faz lembrar você! Onde está o meu companheiro para dividir o encanto das leituras, para ouvir comigo e deslumbrar-se com as belas músicas que, como o senhor dizia, são a assinatura de Deus?! Sempre que ouvíamos a Nona Sinfonia de Beetoven , o senhor repetia: “Quem não acreditar em Deus, filha, basta ouvir a Nona Sinfonia para crer.” Onde o seu sorriso discreto, sua alma acolhedora, seus conselhos tão sábios?!
O senhor não era nenhum santo, nenhum de nós o é, mas acredito que só pela sabedoria e pelo amor que tinha por seus filhos, seus pais, irmãos, toda sua família, por mamãe, seus amigos, pela natureza, pelos animais, pela Justiça, com certeza deve estar num plano maravilhoso a que tantos chamam de “Céu”...
Recebe, papai, onde estiver, todo o amor e a gratidão desta filha que tanto o ama ! Ainda hoje, quando alguma coisa importante acontece, ou quando leio um livro que sei que o senhor apreciaria, tenho a súbita vontade de telefonar-lhe... Como se tivesse telefone daqui para aí!...
Acho, papai, que não demora muito o nosso reencontro! Eu, também, ando rateando. E mamãe, cada dia um pouco, vai se distanciando deste mundo. Às vezes, quando a escuto falando sozinha, pergunto: “Quem é, mamãe? Com quem a senhora está conversando?”.Ela responde que é com o senhor e diz que, logo, logo, o senhor vem buscá-la. Não sei se é delírio ou se é real, mas a saudade que ela sente é imensa! Ela começou a morrer quando o senhor se foi... E eu que dizia que o sangue alemão dela não a deixava se emocionar!... Ela o amava tanto que, desde que o senhor se foi, ela vai indo, também, lentamente. Desligou-se deste mundo porque já pressente o outro que se avizinha...
Que todos os pais do mundo me perdoem, mas, se me perguntassem qual deveria ser o símbolo do amor paterno, eu responderia prontamente: meu pai!
Se houve melhor, eu não sei. O senhor cumpriu de maneira extraordinária o papel que Deus concedeu a um pai terreno. Errou? Sim, quem não erra? Mas amou com um amor incomensurável e incondicional, um amor que, geralmente, é próprio das mães e não dos pais...
Um abraço, papai, e o beijo terno de sua filha que o verá sempre como o amor personificado. Não tenho nada a perdoar-lhe porque sempre soube que, apesar de ser um pai maravilhoso, era tão gente como eu, e gente erra. Tenho errado tanto, caído múltiplas vezes, blasfemado outras, mas vou aprendendo dia a dia mais pelo Caminho de Luz, o caminho do Mestre Jesus que, desde pequenina, o senhor me ensinou a amar.
Paz e Luz para o senhor, papai, e até breve!
Ah, esqueci de contar-lhe que fizeram um filme sobre o seu amigo Chico! Ri e chorei ao vê-lo e muitas das minhas lágrimas foram porque todo ele me lembrava você...

Maria Luiza

AO MEU PAI



Quando nasci, você tomou-me nos braços e sorriu o mais belo sorriso de felicidade. Quando comecei a andar, você me deu a mão para que eu ensaiasse os primeiros passos e não caísse.
Quando adoecia, você passava a noite à beira de minha cama e eu dormia confiante porque minha mão estava na sua. Quando fui para o colégio interno, você estava ao meu lado e, enquanto eu apertava a sua mão, com medo daquele mundo desconhecido, você me mostrava as maravilhas do conhecimento.
Durante toda a minha infância, juntamente com meus irmãos, você nos divertia com as mágicas que inventava, fazia cavalinho, contava-nos histórias mirabolantes, que nos faziam rir, chorar e nos levava a conhecer Bach, Beetowen, Chopin, Tchakovski, Mozart, Wagner e tantos outros músicos que amava e nos ensinava a amar. Prometia sempre um prêmio para quem acertasse o autor, o nome da música, a sinfonia, a ária.
Quando, bem cedo, comecei a brincar com as letras, a ajuntá-las e a escrever nos seus jornais, abriu-me o mundo encantado dos mil e um autores. Quando me tornei moça, você tinha ciúmes de todos os meus namorados e ninguém servia para mim, pois você sonhava em casar-me com um "príncipe". Quando aquele que eu escolhi para companheiro esperava-me no altar, você levou-me até ele, traído pela emoção.
A vida foi continuando e as nossas conversas, alegrias e tristezas pareciam não ter fim. O tempo sempre era muito pouco. Contava-nos "causos", casos e histórias de sua terra natal e de figuras lendárias no norte de Minas. Ensinou-me a amar criaturas admiráveis que só conheci por fotografias.
Aprendi com você a História da França, da Inglaterra, de Roma, da Grécia, do Brasil. Foi você quem me contou as histórias da Bíblia e levou-me a amar Jesus Cristo, cuja vida estudou profundamente, pesquisou, escreveu, admirou e amou.
Foi você que me abriu o caminho da espiritualidade, alargando, cada vez mais o meu mundo de luz. Com você aprendi a ética que norteou toda a minha vida: o amor, o respeito, a compaixão, a justiça.
Tudo que me acontecia, tinha pressa em contar-lhe. Quando buscava conforto, nas agruras da vida, que não me pouparam, buscava seu abraço e sua palavra consoladora.
Quando me desesperei, aos 38 anos, porque, depois de tanto estudar, tanto ler, tanto pensar, tanto buscar, cheguei à conclusão que nada sabia e fui correndo ao seu encontro em busca de conselho, você me disse, com tranqüilidade: - Que bom, minha filha, agora você vai, realmente, aprender o caminho da sabedoria!
Você foi meu pai, amigo, mestre, conselheiro, meu companheiro de todas as horas.
Depois, eu amadurecia e você envelhecia. E vieram os momentos terríveis em que sua saúde rateava e eu quase enlouquecia só de pensar que poderia perdê-lo. Mas, Deus foi misericordioso e sua vida foi longa, bonita, desprendida, produtiva e brilhante.
Você tinha estopim curto, era verdadeiro, honesto, sempre correto demais e as pessoas se enganavam, quando não o conheciam, imaginando-o uma pessoa brava e truculenta. No entanto, era manso de coração, terno, bondoso e compassivo.
Começamos a inverter os papéis. Você, que era a minha rocha, o meu porto, o meu cais, foi decaindo, se sentindo inseguro, e buscava, então, refúgio em mim. Depois de algumas isquemias cerebrais, você, que era mestre da palavra, deixou de falar. Mas, o amor imenso que nos unia sempre nos levava à compreensão. Acompanhei-o, minuto por minuto, agonia por agonia, em seus últimos dias.
Assisti você ir para a sala cirúrgica, tão tranqüilo. Chorei de felicidade ao saber que a cirurgia em seu cérebro tinha sido um sucesso. Mas, a esta alegria foram se seguindo os dias em que sua matéria, já cansada, machucada, doída, ia, cada vez mais, enfraquecendo. Ah, se eu pudesse teria sofrido aquele calvário em seu lugar! Mas, ali estava, com o meu amor, impotente, só podendo colocá-lo nos braços de nosso Pai Maior. Percebi os momentos em que você, finalmente, nos deixava e minh'alma tão sofrida já não suportava mais o seu sofrimento. Fui obrigada a pedir ao Pai que o levasse.
Fui forte, sim, até quando a guarda dos militares, em posição de funeral, deu o primeiro tiro e as notas musicais do toque de silêncio soaram. Aí, meu pranto jorrou como sangue e a dor rompeu meu peito.
Você fez história e será lembrado como o comandante, o delegado, o escritor, o historiador, o prefeito, o jornalista combativo, o assessor direto de vários comandantes-gerais da Corporação, que tanto amou; o assistente militar de Secretário de Estado, de Dom Armando Lombardi, o representante do Papa no Brasil, o intelectual, cujo nome está inscrito em várias instituições. Para mim, entretanto, você será lembrado como o melhor dos pais, o mais apaixonado por seus filhos.
Você segue o seu caminho, na eternidade, conforme a sua semeadura e a vontade do Criador e eu, sua filha terrena, até que chegue a minha hora, viverei como uma parte sua, buscando sempre honrar todo o legado do Bem, que deixou em sua trajetória pelo planeta. A saudade será grande! O vazio será enorme! E a minha gratidão e o meu amor serão eternos!
Até um dia, papai querido!

Maria Luiza

DEIXARIA NESTE LIVRO...


Federico García Lorca


Deixaria neste livro toda a minha alma.

Este livro que viu as paisagens comigo e viveu horas santas.

Que pena dos livros que nos enchem as mãos

de rosas e de estrelas e lentamente passam!

Que tristeza tão funda é olhar os retábulos

de dores e de penas que um coração levanta!

Ver passar os espectros de vida

que se apagam,

ver o homem desnudo em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,a síntese do mundo,

que em espaços profundos se olham e se abraçam.

Um livro de poesias é o outono morto:

os versos são as folhas negras em terras brancas,

e a voz que os lê é o sopro do vento

que lhes incute nos peitos- entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore com frutos de tristeza

e com folhas murchas de chorar o que ama.

O poeta é o médium da Natureza

que explica sua grandeza por meio de palavras.

O poeta compreende todo o incompreensível,

e as coisas que se odeiam,ele, amigas as chama.

Sabe que as veredas são todas impossíveis,

e por isso de noite vai por elas com calma.

Nos livros de versos,entre rosas de sangue,

vão passando as tristes e eternas caravanas

que fizeram ao poeta quando chora nas tardes,

rodeado e cingido por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,mel celeste que mana

de um favo invisível que as almas fabricam.

Poesia é o impossível feito possível.

Harpa que tem em vez de cordas corações e chamas.

Poesia é a vida que cruzamos com ânsia,

esperando o que levas em rumo a nossa barca.

Livros doces de versos são os astros que passam pelo silêncio mudo para o reino do Nada, escrevendo no céu suas estrofes de prata.

Oh! que penas tão fundas e nunca remediadas,

as vozes dolorosas que os poetas cantam!

Deixaria neste livro toda a minha alma...

Do livro "Federico García Lorca - Obra Poética Completa".
Tradução de William Agel de Melo -
Editora Universidade de Brasília.Co-edição: Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1989.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

NOSSA SENHORA

PRISÃO


A maior prisão que podemos ter na vida é aquela quando a gente descobre que estamos sendo não aquilo que somos, mas o que o outro gostaria que fôssemos.

Pe. Fábio de Melo

ELE VEM


Não ouviste seu passo silencioso? Ele vem, vem, vem sempre. Em cada instante, em cada estação, todas as noites, ele vem, vem, vem sempre. Modula mais de uma cantiga em mais de um tom. Porém, todas as notas significam: ele vem, vem, vem sempre.

Nos dias perfumosos de abril, luminoso, pelo caminho da floresta, ele vem, vem, vem sempre. Nas angústias das tempestades das noites de julho, no carro trovejante das nuvens, ele vem, vem, vem sempre.

De tristeza em tristeza, seus passos pisam em meu coração. Mas a alegria nasce no coração ao contato de seu pé.


Rabindranath Tagore

ELE VEM

O CANCIONEIRO



"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do
abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma
prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis,
porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao
que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao
que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até
mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e
canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que
me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro
dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se
não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."


Fernando Pessoa

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

MISSIONÁRIO


Quem é minha mãe?

quem são meus irmãos?

Meu lar é o mundo,

minha esposa é a vida,

meus filhos os homens

de todas as raças

e de todo rincão.

Meu país não tem fronteiras

e o Amor é a minha bandeira.

Não tenho fome,

não tenho sede

e nem desejo.

A Verdade é a minha tocha,

e Jesus o meu pão.

Eu sou mensageiro

da eternidade:

acender a esperança

é a minha missão.


(Dedico este poema ao Frei Valdomiro Soares Machado (Frei Valdo) que, hoje, celebra suas bodas de prata de sacerdócio e seus sessenta e dois anos de idade)

CURIOSIDADES



Profecia Maia – 2012 Fim dos tempos
Posted by: David in Fim dos tempos
Atualmente, muitas pessoas sabem o que é a profecia maia, porém para quem ainda não tem a menor idéia, a profecia maia não é nada além do que uma astrológica contagem regressiva para um suposto fim do mundo.
Para os maias, o fim dos nossos tempos começou em 1999 e acabará em 2012.
Calma! Antes de tudo, um lembrete: Hollywood é Hollywood, não entrem em pânico, não procurem arcas para se salvar, não abusem da vida só porque existe uma sugestão de que o mundo irá acabar.
Os maias se dedicavam muito ao estudo astrológico, responsável por um amplo entendimento do universo, e, a partir desses estudos, criaram um calendário com base nas contagens de ciclos conhecidos como “katun”.
Dessa forma, o calendário maia foi escrito há mais de 5 mil anos, e seu termino é em 21 de dezembro de 2012. Entretanto, essa é uma data fictícia, pois há estudiosos afirmando que a data real será o dia 23.
Calendário Maia
O nosso calendário tem como base o calendário gregoriano (promulgado pelo Papa Gregório XIII, no ano 1582, em substituição ao calendário Juliano), que foi modificado duas vezes, por motivos religiosos. Assim, pelos cálculos, 2012 já passou; e o mundo ainda continua… Então, teoricamente, não podemos nos prender a previsões catastróficas.
Ah, sim! A idéia de que o mundo terá um fim é mais antiga do que nos imaginamos. E não tem só o mérito maia.
Nostradamus
Um grande exemplo disso foi em 1999, quando o mundo entrou em pânico, pensando que os computadores, as máquinas, etc., deixariam de funcionar, causando o “bug” do milênio. Esse pânico teve como base uma das profecias de Nostradamus.
Obviamente, se o tão propagado fim do mundo tivesse acontecido em 2000, não estaríamos mais aqui, e você não estaria lendo este texto, tranquilamente.
Em nosso dia a dia, podemos observar que, de certa forma, o fim do mundo já é uma realidade: países desmoronando por causa de terremotos; tsunamis arrasando Estados; chuvas fortes e enchentes inundando bairros, cidades; pessoas praticando a violência sem nem mesmo conseguir explicar o porquê de seus atos.
O caos tomou conta do nosso cotidiano, de forma que não percebemos que o “fim dos tempos” já ocorre, que, hoje, lutamos para sobreviver, mas, graças a Deus, também podemos observar que muitas pessoas ainda se esforçam para fazer do mundo um lugar melhor para se viver.
O homem, desde os primórdios da civilização, consome o planeta de forma indiscriminada, e a Terra, por sua vez, só procura se curar. Os desastres naturais não são uma “vingança pessoal da natureza contra a humanidade”; de forma alguma, o mundo procura, sim, dessa forma sobreviver.
Mas, infelizmente, durante esses “desastres”, muitas pessoas morrem. Muitos morreram nos recentes terremotos.
É isso nada mais é do que a consequência de uma “pequena” lei, conhecida como “Lei da Ação e Reação”.
É triste admitir que o ser humano abusou do “poder”, e o resultado é que está arriscado a perder o seu planeta.
http://petit.com.br/sobrenatural/

Como o Espiritismo analisa esse assunto?
- A Terra não será transformada por um cataclismo que aniquile de súbito uma geração. A atual desaparecerá gradualmente e a nova lhe sucederá do mesmo modo, sem que haja mudança na ordem natural das coisas. Tudo, pois, exteriormente, se passará como de costume, com uma única diferença, embora capital: a de que uma parte dos Espíritos que nela encarnavam não mais encarnarão. Em cada criança que nasça, em lugar de um Espírito atrasado e propenso ao mal, encarnará um Espírito mais adiantado e propenso ao bem. Trata-se, portanto, muito menos de uma nova geração corporal, do que de uma nova geração de Espíritos. Assim, desapontados, ficarão os que contem que a transformação resulte de efeitos sobrenaturais e maravilhosos.
(KARDEC, Allan. Obras Póstumas. “Regeneração da Humanidade”. Rio/RJ: Ed. FEB)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A ARTE DA PAZ


A Arte da Paz começa em você.Trabalhe em você mesmo e no caminho que escolheu na Arte da Paz.Todos têm um espírito que pode ser refinado!Um corpo que pode ser treinado de algum modo!Um caminho agradável para seguir!Você está aqui para sentir sua divindade interior e manifestar sua iluminação inata.Coloque paz em sua vida e então aplique a Arte em tudo que encontrar.Ninguém precisa ter prédios, dinheiro, poder ou status para praticar a Arte da Paz.O paraíso é exatamente onde você está e esse é o lugar para treinar.Todas as coisas, materiais e espirituais,vêm de uma mesma fonte e estão ligadas como uma família.O passado, o presente e o futuro estão dentro da força vital.O universo surgiu e se desenvolveu de uma única força e nós crescemos através de um processo maravilhosode unificação e harmonização.A Arte da Paz é o remédio para o mundo doente.Há maldade e desordem no mundo porque as pessoas se esqueceram de que todas as coisas vieram de uma única força.Voltemos para essa fonte,deixando para trás todo pensamento egoísta,desejos mesquinhos e raiva.Aqueles que não possuem nada, possuem tudo.Se você não tem nada que o ligueao verdadeiro desprendimento você nunca entenderá a Arte da Paz.A Arte da Paz funciona em todo o lugar,da vastidão do espaço à menor planta ou animal.A força da vida é onipresente e seu poder ilimitado. A Arte da Paz nos permite sentir e penetrar nessa tremenda reserva de energia universal.Oito forças sustentam a Criação:Movimento , Imobilidade, Solidificação, Fluidez, Extensão, Contração, Unificação, Divisão. Vida é crescimento.Se pararmos de crescer,tecnicamente e espiritualmente,melhor morrer.A Arte da Paz é a celebração da união do paraíso, terra e a humanidade.E isso é verdadeiro, bom e belo.Agora e de novo é necessárioum retiro entre grandes montanhas e vales escondidos para restaurar sua ligação com a fonte da vida.Expire e deixe-se voar até os confins do universo;inspire e traga o cosmos para dentro de você.Depois aspire toda fecundidade e vibração da terra.Finalmente combine a respiração da terra com a sua própria e torne-se a respiração da vida.Todos os princípios do paraíso e da terra vivem dentro de você.A própria vida é a verdade e isto não mudará nunca.Tudo no paraíso e na terra respira.A respiração é o que une a Criação.E quando infinitas variações na respiração podem ser sentidas,as técnicas individuais da Arte da Paz estão nascendo.Observe o vai e vem das marés.Quando as ondas chegam à praia elas crescem e quebram, criando um som.Sua respiração deve seguir o mesmo caminho,absorvendo todo o universo em seu abdome a cada inspiração.Saiba que nós temos estes tesouros:a energia do sol e da lua,a respiração do paraíso e o vai e vem das marés.
MORIHEI UESHIBA

domingo, 1 de agosto de 2010

SEMPRE EM VOO ABERTO...

A ARTE DE CALAR


Ensina-nos a mitologia grega que Hermes, o mensageiro dos deuses, em discurso a seu filho Tat, lhe diz: “A Sabedoria ideal está no Silêncio”. Nenhuma palavra é mais verdadeira. A verdadeira Sabedoria está na comunhão do pensamento humano com os eflúvios que chegam dos poderes superiores, e esses eflúvios não podem ser percebidos senão no recolhimento. É por isso que vemos o Buda meditando em atitude de recolhimento, que a misteriosa Ísis, deusa do antigo Egito, se apresenta com um dedo sobre os lábios fechados, convidando o sábio ao silêncio que atrai as revelações. É somente no silêncio que o ser se analisa a fundo. Maeterlinck, grande poeta e filósofo belga, assim se exprime: “As abelhas trabalham senão na obscuridade; o pensamento não trabalha senão no silêncio e a virtude no segredo”. Somente no silêncio é que o ser humano tem, verdadeiramente, consciência das suas forças latentes e das que o envolvem no ambiente. É na paz do pensamento, quando nada de exterior vem perturbar a sua meditação que ele sente nascer e se expandir em novas faculdades. Seu coração deve sentir-se em uma calma absoluta, não somente no silêncio exterior, mas no arrefecimento das paixões; deve sentir-se livre do seu tumulto devastador, para perceber as harmonias que descem do infinito e o penetram, deslizando-se como uma suave melodia. É difícil alguém conseguir chegar a um profundo equilíbrio se não aprecia ou não procura, como uma satisfação pessoal, a calma absoluta: a calma interior de todo o seu ser, o domínio perfeito das paixões e dos impulsos e também a calma exterior do lar, de um templo, ou da serenidade deliciosa da natureza. Antes de tudo, é preciso estabelecer a calma em si mesmo. Todos os desejos, paixões, impulsos e arrebatamentos devem ser submetidos ao domínio perfeito da razão. É no repouso do pensamento, precedido pela calma dos sentidos, que as grandes vozes se fazem ouvir. Uma calma soberana deve reinar no nosso ser físico e devemos obter também a calma absoluta do nosso campo mental e do nosso domínio emocional. A noção de nossa força real nos vem, principalmente, nos momentos de repouso. No período de calma momentânea de silêncio meditativo, em que recordamos os nossos feitos, ou na preparação do que vamos realizar, é que vivemos mais poderosamente. Maeterlinck diz ainda, com muita exatidão, em sua obra “Tesouro dos Humildes”: “O silêncio é o elemento, no qual se formam as grandes coisas, para que, em seguida, possam emergir, perfeitas e majestosas, à luz da vida que elas vão dominar”. O silêncio é principalmente importante para o despertar dos nossos poderes psíquicos. Como poderíamos praticar a concentração do pensamento, cristalizar o nosso desejo interior, no tumulto exterior? O ruído é para todas as manifestações psíquicas, um poderoso dissolvente. Nossas faculdades mais altas, inspirações, intuição, não podem aparecer senão no silêncio. É através do silêncio que podemos conseguir vencer nossas paixões e submeter as nossas vontades. O silêncio nos propicia assim, o despojo de nossas vaidades e o aplacamento de nosso egoísmo pessoal. É a convivência da emoção e sentimento, pela meditação. Esta condição é que nos permite pensar e agir com equilíbrio. Nos momentos de solidão, meditação e recolhimento, o ser pode abandonar voluntariamente o seu corpo, em um repouso pacífico. Não é a doce preguiça que nos embala nesse instante; ao contrário, todo o ser se locupleta de energias novas. A procura do silêncio nos é necessária. Os momentos de calma e repouso, não têm por fim afastá-lo do impulso que lhe conduz à ação. Principalmente, a ação necessária de falar e apregoar a igualdade e a justiça. Mas, para que possamos saber o que falar, quando falar, como falar e o quanto falar, é preciso que estejamos acostumados, disciplinadamente, ao silêncio meditativo. Sêneca nos diz que “o homem quanto mais fala, menos pensa”. Por isso é necessário saber dosar. Importa também, que dominemos o medo, o temor, a cólera, a impaciência, a impulsividade, qualquer que seja. É necessário nos libertarmos da ansiedade e da dúvida. Certamente está aí, para muitos de nós, um trabalho difícil. Trabalho que exige perseverança, mas que felizmente, não vai além de nossas forças. É através da prática da auto-sugestão que podemos educar nossos gestos, nossas atitudes, o tom de nossa voz, o modo de nosso olhar. É na introspecção que fazemos essa maravilhosa construção de nós mesmos. É empregando os meios harmoniosamente combinados às necessidades de cada um, que, com persistência, venceremos nossos impulsos, imporemos o silêncio ao nosso corpo, tanto quanto ao nosso coração e ao nosso espírito. Assim, nos tornaremos senhores de nós mesmos e adquiriremos a noção de força calma e do equilíbrio soberano. É no silêncio que professamos a nossa fé em Deus. A prece silente de nossa mente e nossos corações nos conduz a exercícios espirituais e nos põe em contato com o Altíssimo. A arte mais necessária, não é a de falar bem, mas a de saber ouvir. Não é possível ouvir senão através do silêncio. Lembremos que a voz de Deus só se faz ouvir pelo silêncio e no repouso da alma.

Roberto Barcelos Costa Maio-1997

MENSAGEM


" Tudo muda, é o ciclo da natureza:

Depois de dias chuvosos,

vem o melhor dos tempos.

Num instante o mundo todo

muda sua roupa molhada.

Milhares de li de montanhas

desenrolam seu tapete de brocado.

Sob o sol morno e o vento

imaculado, as flores sorriem.

Nas grandes árvores, com

seus ramos lavados, os pássaros fazem coro.

O calor desce sobre

a terra do homem

e a vida desperta.

O amargor agora cede lugar à felicidade.

É assim que a natureza quer que seja."


Ho Chi Minh

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