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sábado, 21 de agosto de 2010

CRÍTICA SOBRE O LIVRO "SONHO E AGONIA"


SONHO E AGONIAS, de Maria Luiza Silveira Teles, é um poema de amor. Um longo poema de um amor incondicional, imprescindível e necessário por toda a humanidade. O britânico Bertrand Russel, um dos intelectuais mais influentes do século XX, e Prêmio Nobel de Literatura em 1950, confessa, em sua Autobiografia, que três paixões, simples mas devastadoramente poderosas, governaram a sua vida: 1º. um ardente desejo de amor; 2o. a busca do saber;,3o. uma insuportável piedade diante do sofrimento dos homens.

Quem conhece Maria Luiza sabe que a sua alma está irremediavelmente irmanada à do grande filósofo pacifista que acabei de citar.Comecemos pela busca do saber.Essa é uma seara cultivada com competência por esta pedagoga, jornalista, professora universitária, titular de Psicologia da Educaçãoe Sociologia, pós-graduada em Psicologia e em Sociologia, filósofa, autora de 31 livros e ainda consultora editorial que o Brasil tanto respeita e admira.Essa competência, uma vez mais, está comprovada nas páginas desse novo trabalho.

Ler Sonho e Agonia é assim: já na leitura dos primeiros versos, percebemos que as palavras vão-se combinando no papel e criando ritmo, musicalidade, tecendo imagens que vão nos envolvendo, e a gente vai querendo ler mais, e mais, e vamos deslizando mansamente pelos versos livres - sem a opressão da busca da regularidade métrica -, pelos versos ora brancos, ora rimados, nesse poema que é longo e que a gente não quer que acabe - um longo fio de Ariadne a nos guiar por labirintos.

Nas páginas desse livro, Asas sublimes e galopantes rompem cárceres, e, ao ritmo nitidamente musical das aliterações, vão errantes aos céus da fantasia. Essas asas atingem o leitor. Permitem-nos alcançar a transcendência - a mesma transcendência que alcançamos quando escutamos a poesia simbolista de Cruz e Sousa. Ou quando acompanhamos a fase simbolista de Cecília Meireles.E é a sensação de ter a alma tomada pela mais confortante das primaveras que vamos experimentando, à medida que prosseguimos a viagem dentro dos versos de "Sonho e Agonia". Passemos à outra das três paixões confessadas por Russel: o desejo ardente de amor. Esta é percebida já à simples visão da luz que salta dos olhos de Maria Luiza e a faz transformar tudo que vê em indagações filosóficas e plasticidade poética. Esse desejo ardente, nascido na região mais profunda do seu ser vem à tona e, transfigurado pela arte, transformado em palavras escritas, nos embriaga e nos emociona. Por isso Maria Luiza afirma que no coração o amor não passa (...) O coração que ama é o mesmo coração que sonha, pois que sonho e amor são feitos da mesma matéria. Sabedora disso, Maria Luiza lembra-nos que somos, nós mesmos rios de mistérios grávidos de sonhos.Há mais sonhos e mais amor nos versos de Maria Luiza: Sonhos-estilhaços e a amarga missão de reconstruí-los,dia após dia,re-inventando o amor,a esperança,e a alegria.

Belíssima imagem é também construída pela autora quando nos fala de homens livres (que) vão arrancando as farpas do corpo enquanto caminham e sonham.Sonhos-estilhaços, Sonho e agonia... Os homens têm a dimensão de seus sonhos, lembra-nos a poeta...A necessidade do sonho foi imortalizada pela genialidade de Goethe em sua obra-prima Werther, quando lembra que a vida humana não passa de um sonho. Que nosso espírito só pode encontrar tranquilidade por meio de uma resignação povoada de sonhos, como um presidiário que adornasse de figuras multicoloridas e luminosas perspectivas as paredes de sua cela.

E a personagem, numa narrativa em primeira pessoa, continua: Tudo flutua vagamente nos meus sentidos, e assim, sorrindo e sonhando, prossigo na minha viagem através do mundo. Maria Luiza, por sua vez, transfere para a nossa pele os arrepios e emoções de um sonho que não morre. E faz entrar pelos nossos olhos imagens de homens pescando sonhos nas curvas do mundo. "Sonho e Agonia" é passaporte para viagens através do mundo, dos sentimentos, dos risos e das lágrimas.Ouçamos a poeta: O dedo e o olhar apontando o caminho aos irmãos de luta.Pranto e espanto diante de homens sem janelas, sem palavras, sem segredos, sem sonhos e sem caminhos... E com essa imagem de homens sem janelas, sem palavras, sem segredos, sem sonhos e sem caminhos..., falemos da terceira paixão citada por Bertrand Russel e que também encontramos na poesia de Maria Luiza: a insuportável piedade diante do sofrimento dos homens. Através de seus versos, Maria Luiza lança seus gritos de luz no frio do inverno, na espera da primavera. Deposita em nossos ouvidos o som dos gemidos, do grito de multidões sofridas. Fala-nos da dor antiga, no soluço do susto, no amargo do riso, no gemido do abraço que não somos mais do que um só. A sensibilidade da poeta transforma em poesia a agonia vislumbrada em olhos vazios, rostos pálidos e corpos esquálidos, o poder e o desamor de tantos...Arranhando portas fechadas de casebres,as unhas afiadasdo homem-fera....E os pobres-diabos arando a terra e colhendo pedras.Trabalhando em silêncio, debulhando caroços e bebendo o cálice de fel que lhes oferecem os poderosos.Maria Luiza põe a caminhar diante dos nossos olhos a procissão de homens que sonham com a Liberdade, sonham e caminham, caminham para a forca, a guilhotina e a crucificação.Eles vertem o cálice da dor. No entanto, bêbados de alegria, ainda cantam hinos, hosanase aleluias. Porque eles sabem: (continua a poeta) sabem que cutelos, cassetetes, obuses,baionetas, sabres e tanques não são capazesde matar sonhos. (Obrigada, Lu, por não deixar eu me esquecer disso.).

Na poesia de Maria Luiza eles vão vestidos apenas de sonhos. Eles são poetas, artistas, sacerdotes, profetas e loucos, eles são o sal do mundo e a luz do caminho sofrido da História. A História que registra os campos de concentrações nazistas, o massacre na Praça da Paz Celestial, o povo russo em cima dos tanques clamando pela democracia, a noite funérea da Inquisição... Todas essas vergonhas são indagações presentes nas páginas de "Sonho e Agonia". Lembrando esses horrores, Maria Luiza se pergunta: Como apagar a vergonha da tirania?

Essa poeta, que de modo sensível e sábio expõe as chagas dos nossos tempos e de todos os tempos - pois que é dever do escritor emaranhar-se em indagações, indignações e estupefações, nos acena, também, com possibilidades de amanheceres. E é em nome daquele ardente desejo de amor do qual falava Bertrand Russel que Maria Luiza conclama: se o momento tarda, rasguemos a memória e reinventemos a esperança, pois que esta ternura e esta bravura deste incerto momento apontam para o dia que se prenuncia. Completa, ainda: E, por mais que o tempo afronte e os homens secos nos fazem arder a almai, nventemos os amanhãs.

Senhoras e senhores: aceitemos o convite da poeta: inventemos os amanhãs.Três paixões permitem-nos a construção desses amanhãs. Três instrumentos possibilitam-nos tecer, fio por fio, esses momentos vindouros: um ardente desejo de amor, a busca do saber e uma insuportável piedade diante do sofrimento dos homens. Os filósofos e os poetas estão por aí, a nos ensinar. Sejamos aprendizes eficientes. Assim estaremos aptos a alcançar o que Maria Luiza, nesse livro, chama de as marcas definidas do Sonho-Liberdade.


Karla Celene Campos

Membro da Academia Montes-clarense de Letras e

do Institituto Histórico e Geográfico de Montes Claros.

Um comentário:

  1. Depois de um comentário desta extirpe, tenho que sair correndo para adquirir o livro, que por indolência, ainda não li.
    Dilemar Neto.

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