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sábado, 7 de agosto de 2010

PARA QUEM FOI MEU MUNDO



Carmen Ortiz Cristal

Uma história incomum...
Nada foi banal, foi tanto o que te dei!…
Cheguei a tua vida por forças superiores
De início senti que seriam muitas lutas
Mesmo assim assumi!...
Como uma sombra, sem medo,
Independente de tudo e todos
Estava ali para lutar por ti,
Dar-me em troca de tua felicidade

Com um sorriso e muito amor
Enfrentei a solidão, os fantasmas do passado...
Para que tuas horas, dantes tão vazias,
Fossem preenchidas com amor e alegria
No afã dos versos meus, a ti cantei noite e dia
Para que a dor que te escravizava fosse calada
Enfim te sentisse, acreditasse muito amado

Com meu riso,
minhas peraltices de menina sapeca
Preenchi o silêncio que te atormentava
Na inconseqüência de uma eterna criança
Brinquei, dancei sobre versos e muitas rimas
Para te fazer ver quanto à vida era bela
E por ser uma dádiva divina merecia se vivida
Plantar em teu coração o renovar da esperança
Acreditando ser teu direito o mundo dos prazeres
Ser tua a felicidade!...
Quanto lutei em silêncio...

Em tuas noites insones, ao saber de tuas penas
A teu lado, calada, perambulei!
Foram tantas madrugadas a te acompanhar
Ao te ver perdido entre lembranças doloridas
Fiquei ali sem arredar o pé de ti
Por amor, incondicionalmente...
Dando do coração e da razão
Em meus braços te envolvi num abraço amigo
Protetor, a te guardar de ti mesmo...
Te proteger do frio que teu corpo fazia tremer....

Livre do abandono fui teu abrigo!...
Acalanto de tua alma solitária....
Até mesmo contra tua vontade
Jamais deixei de estar ao lado,
Fiel ao amor dedicado
Por entender ser amiga, companheira...
Fui mansidão...

Tomei teus medos,
Fiz do meu corpo teu escudo
Da minh’alma um lago cristalino
Aonde viesses matar a sede de carinho
De meus braços proteção
Com amor fui segurança de dias incertos

Expulsei a morte!... Fiz da vida uma meta
Dei-te as forças que eu não tinha
Desejei arrancar-te de um castigo
A que insanamente te condenavas
Oferecendo a essência do que eu era
Meu ser, meu amor, minha poesia...

Mas como tudo nesta vida
O que é dado com abundância perde seu valor
Assim vi a indiferença
Vi a dor que eu tirava do teu caminho
Invadir sem nenhum pudor, minhas horas,
Meus dias foram escurecendo...
A luz que te ofereci, foram as trevas onde cai

Por um sorriso teu deixei o meu morrer
Tua solidão invadiu meu mundo
E o que em mim era poesia, passou a ser lamento!...
Com traições fui vitimada, perdi a rima...

Esgotada em minhas forças, a poesia foi morrendo
Nada mais restando, hoje sou ninguém!...
Desisto de ti, desisto de mim...
A solidão senhora, encarcerou minh’alma
Anulou minhas vontades...
Resta apenas
Um último verso para ti que muito amei,
Este verso!... Um verso simples, sem métrica...
Rimando amor e dor num último e triste adeus...


Amar não significa que tenhamos de nos anular,
se perdermos o rumo de nós o amor não encontrará forças
para sobreviver e vencer os infortunios da vida...

Um comentário:

  1. Minha amiga,
    Fantástico. Maravilhoso. Sua alma já não pensa, canta hinos de amor.
    Parabéns, parabéns, parabéns.
    Bjs de luz.
    Dilemar

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