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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PENA DO AMOR PERDIDO


PENA DO AMOR PERDIDO

Maria Luiza Silveira Teles


Não é esta a noite
E nem este o rosto....
São outros olhos
Que me olham
Com ternura e medo...
É uma outra boca
Que inventa
Palavras novas...
São outras mãos
Que buscam
A linguagem de meu corpo.
Não é esse tédio...
Mas a alegria do encontro
Não é essa a noite !
É aquela em que esgotei
Toda a vida.
Não é esse o amor
Que deixei perder
E não são essas
As lágrimas de encantamento !
Mas, é esta, decerto
A minha pena...

GENTE DO SERTÃO




Dois dedos de prosa
No momento letárgico
Da tarde morna
Que lenta se esvai
A vida pára
Lá no sertão.
O chão em brasa
A boca seca
O suor que escorre.

A criança chora
Na noite vazia
E na casa escura
Com fogo apagado
.Os dias correm
E os olhos se viram
Com a eterna esperança
Para um céu azul.

Cachorro esquelético
Na tarde morna
Apenas dormita
E a prosa é triste
“Será que chove?”
“Sei não...”

E a prosa morre
No silêncio doído
Da gente sofrida
Do pobre sertão
Que vira notícia
De jornal e televisão

Notícia logo esquecida
Como aquela gente
Sem afeto e pão.
Amanhã o jornal noticia
A chuva que chega
E tudo vira inundação

Na água se perdem
Panelas vazias
Sonhos e casebres se vão.
Vida é coisa besta
Festa e alegria
Dor e pranto...
Com a colheita
O riso e o pão.

E, depois, tudo se repete
Como num triste refrão.
Isto é vida?
Sei não...
Mas sertão também tem
Ipês floridos, bromélias e alecrins
Poços e cascatas escondidas
Frutos suculentos e saborosos
Que alimentam a gente da terra
E extasiam aqueles
Que por lá vão.

Tem festa de igreja
E santos de devoção
Tem cantos plangentes
De gente que sabe
Rendar e celebrar a vida
Que sempre renasce
Como flor em botão.

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