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Seja bem vindo! Espero que aqui encontre alento, beleza, amor e paz! E que possa espalhar isto para o mundo, que vive tão sedento de tudo isto.



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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

TRISTEZA DE NÃO SER POETA


SE EU SOUBESSE FAZER POESIA,

DE AMOR NÃO MORRERIA,

POIS TODAS AS DORES

EM PALAVRAS DERRAMARIA...

AH, POETA EU QUISERA SER

E DESLUMBRAR O MUNDO

COM ESTE TESOURO

QUE VIVE EM MEU CORAÇÃO...

NASCERIA E MORRERIA

A CADA ALVORECER

E A CADA ENTARDECER.

HOJE SERIA LÁGRIMA,

AMANHÃ SOMENTE SORRISO...

SERIA PÁSSARO, SERIA FLOR,

VIAJANTE, PEREGRINA,

FILÓSOFO E PROFESSOR.

AH, SE POETA DEUS ME FIZERA

ESTE GRITO NÃO ESTARIA SUFOCADO

COMO UM ESPINHO

EM MINHA GARGANTA ATRAVESSADO...

QUISERA FAZER POESIA

E FALAR DE REINOS ENCANTADOS,

DE BOSQUES E CALMARIAS,

FADAS, DUENDES

E JARDINS DESCONHECIDOS.

SE EU FIZESSE POESIA

NÃO ME LAMENTARIA,

POIS EM VERSOS CANTARIA

A DOR DESTA VIDA,

EM MEU PEITO CRAVADA...

MAS,COMO POETA EU NÃO NASCÍ,

SÓ ME RESTA CHORAR

E MORRER DE TANTO AMAR...

CAMINHOS


ESTRANHOS CAMINHOS

OS MEUS.

PESADA ESTA DOR,

PESADO ESTE AMOR,

ESTE DESEJO

DE ETERNIDADE

E PAZ...

PARA ONDE ME LEVAS, CAMINHO ?

A QUE PÁTRIA,

A QUE CORAÇÃO ?

QUE ENCONTRAREI,

POR FIM ?

MAS,EU CREIO !

NÃO ME ASSUSTAM

ESSES CAMINHOS ESTRANHOS

ESTA DOR,

ESTES ROSTOS

QUE NÃO CONHEÇO...

LÁ FORA,

LÁ ADIANTE,

SEI LÁ,

HÁ UM JARDIM

À MINHA ESPERA.

EU HEI DE CHEGAR,

BREVE, ESTAREI LÁ !...

SOMBRAS


ALMAS AMIGAS DE MINH’ALMA,

ÚNICO ALENTO DE MEU CAMINHO,

SEREIS , UM DIA, APENAS LEMBRANÇAS,

FOTOS AMARELECIDAS

DO ÁLBUM DE MINHA VIDA.

SEREIS NADA MAIS QUE SOMBRAS E PÓ,

E EU, COM A ALMA CHEIA DE PRANTO,

CONTINUAREI A CAMINHAR SÓ,

ATÉ QUE, UM DIA, EU MESMA VÁ

REPOUSAR NO SEIO DA MÃE-TERRA,

OU, ENTÃO, AO VOSSO ENCONTRO

EM DIMENSÕES IGNOTAS,

QUE TALVEZ VIVAM

APENAS NA MINHA ESPERANÇA...

PROFETA


FUI ESTRANGEIRO

EM MINHA TERRA.

PORQUE ANDAVA SOZINHO

PELA NOITE

À ESPERA DA HORA

EM QUE SE DESNUDASSEM

OS CORAÇÕES,

PARA QUE EU CONHECESSE

A VERDADE DOS HOMENS,

JULGARAM-ME LOUCO.

PORQUE FALEI DE COISAS

QUE NÃO ENTENDIAM,

PENSARAM SER NECESSÁRIO

QUE EU FOSSE EXPULSO

PARA LONGE E ESCORRAÇADO

COMO UM CÃO,

PARA QUE PUDESSEM,

DE NOVO,

VIVER TRANQUILOS...

MESMO, PORÉM,

QUE ME DEIXASSEM,

EU NÃO TERIA PODIDO FICAR,

POIS SENTIA

QUE ERA PRECISO VAGAR

PELO MUNDO INTEIRO

ATÉ QUE CHEGASSE

A MINHA HORA.

E, QUANDO ESSA HORA CHEGOU,

EM PAÍSES ESTRANHOS, FUI RECEBIDO COM CALOR

E TIDO COMO POETA E CANTOR

RÉQUIEM PARA AMIGA





A primavera se anunciava com o céu claro, o sol ardente e as flores se abrindo. Numa manhã assim, sem aviso prévio, uma alma de luz voltou para a Casa do Pai.

A luz do dia era pequena comparada a sua própria luz. Por onde passava, espalhava-a, derramando paz.

Desde criança, lutou bravamente contra uma doença auto-imune que ameaçou sua vida tantas vezes. Mas, ela não era de se deixar abater facilmente. Seu bom-humor, sua força não davam tréguas à doença.

Ela era aquela mulher forte de que fala a Bíblia. Entregue, dia e noite, ao trabalho, suas mãos de abençoada habilidade criavam verdadeiras obras de arte.

Era calada. Ouvia mais do que falava. Confidente e amiga de tantos jovens que seu velório vestiu-se da beleza da juventude, qual bando de passarinhos chilreando num canto melancólico. Este foi o maior enfeite de sua despedida, pois ela, na sua simplicidade, já havia pedido um velório sem coroas e adereços.

Ela parecia se apoiar nas palavras de Santa Teresa d’Ávila: “Nada te perturbe, nada te assuste. Tudo passa. Deus é imutável. A paciência tudo alcança. A quem possui Deus, nada falta. Deus é plenitude”.

Só nós, que privávamos de sua intimidade, conhecemos suas bravas batalhas: as cirurgias, a hemodiálise, os transplantes, o caminho espinhoso sem o apoio do companheiro, a criação do filho, que ela tanto amou e desejou...

Irmanadas na luta pela mesma doença auto-imune, costumávamos dizer: “Somos duras na queda. Tiramos tudo de letra”. Mas, ela sofreu muito mais do que eu, pois, por uma benção, que nem sei se mereço, a doença, até agora, não me atacou os rins.

E, depois de problemas tão graves, dois transplantes, quando se livrara finalmente da hemodiálise, numa cirurgia simples de hérnia, quando nenhum de seus amigos se preocupou porque sabíamos que isso para ela não era nada, sua alma resolveu voar rumo ao infinito, deixando-nos órfãos.

Pegou-nos a todos de surpresa. Amante da vida como era, sei que não gostaria de nos ver tristes. Mas é que a ausência de um ser amado dói muito. Por mais que tenhamos uma visão esperançosa da morte, por mais que pensemos que estamos preparados. A ausência é sempre dolorosa.

Não ver mais aquela fisionomia de paz, não assistir suas mãos habilidosas criar novas belezas, não ouvir sua voz paciente... tudo isso é por demais doloroso!

Gostaria de ter convivido mais com ela, aprendido, de verdade, a lição suprema da humildade, da paciência, da solidariedade, da resignação.

Nunca ouvi de sua boca uma única reclamação. Sempre que a gente perguntasse, a resposta era sempre a mesma: “Tudo ótimo”. Mesmo quando seu irmão caçula se foi, de morte súbita e prematura, ela não se queixou. Sua dor foi calada.

Mãe de tantos... Um pouco mãe de minha própria filha, a chamada Dinda de minha neta, por ser madrinha de seu melhor amiguinho... Ah, Nádia, o mundo pode não ter tomado conhecimento de sua bela jornada. Mas, para mim e para todos que a conheceram, você era um mundo de ternura. Para todos nós sua partida foi triste e haveremos de sentir muito a sua falta.

Pessoas vazias, cheias do próprio ego, vaidade e orgulho, tantas vezes recebem homenagens grandiosas. Mas, pessoas grandes como você passam despercebidas para aqueles que estão envolvidos apenas com seus objetivos menores de suas vidas sem grandeza alguma.

Depois de tê-la conhecido e convivido com você por mais de trinta anos, mais cresce a minha convicção de que pessoas “cheias de Deus”, as pessoas santas são sempre silenciosas e humildes.

Esteja em paz, minha amiga e me perdoe se não me doei mais a você!

Aqui continuamos nós na espera do reencontro. E como tão bem disse São João da Cruz: ”O amor não cansa e nem se cansa”. E você era só amor.

+ Minha amiga se foi em 19 de Setembro de 2009.

NÃO SOU MESTRE...


Não sou mestre de ninguém. Ninguém é discípulo meu.
Sou como a flecha na encruzilhada, cuja missão é apontar o caminho certo e depois ser abandonada.
Se o viajante parar diante de mim, contemplando a minha forma de cores, se, em vez de demandar a invisível longiquidade, se enamorar da minha visível propinquidade, não compreender a minha mensagem, que aponta para além de mim, rumo ao infinito... Aí de mim, se for espelho, perante o qual os homens parem para se contemplarem a si mesmos, em mortífero narcisismo!
Feliz de mim se for janela aberta, que permita visão de horizontes longiquos, passagem franca para o Infinito!
Não sou Mestre de ninguém. Ninguém é discípulo meu!
Indico a todos o Mestre invisível, que habita na alma de cada um e para além de todos os mundos.
Sinto-me feliz, quando o viajor, orientado pela legenda da minha seta, me abandona e vai em demanda da indigita meta em espontânea liberdade, rumo à longínqua felicidade..

Trago dentro de mim as verdades acima escritas, que retirei do Livro "A Voz do Silêncio", de Humberto Rohden

ALGUMAS DE MINHAS OBRAS

MEU MAIS NOVO LIVRO

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