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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

NOSTALGIA






Que mundo é esse em que estamos vivendo quando o que nos interessa é a vida de outros? Quão pobres são nossas vidas para tentarmos preenchê-las espiando a intimidade de outrem?

O dinheiro tornou-se tão importante que por ele todos os padrões morais podem ser quebrados e o sexo tão banalizado? Ou já não existem padrões morais?...

Por que nos deixamos imbecilizar pela mídia? Aliás, quanto mais idiotas, mais escravos do consumismo, mais lucro e melhor para o capitalismo e os donos do capital...

Somos manipulados como marionetes porque queremos tudo pronto para ser consumido e não nos preocupamos mais em pensar. Pensar dá trabalho... E as mentes se tornam cada vez mais preguiçosas... Ver televisão não exige quase nada de nossos cérebros, enquanto ler é se apoderar de um universo que demanda uma série de operações mentais. E o pior é que as nossas crianças estão indo pelo mesmo caminho...

Vivi uma infância maravilhosa. Brincava muito e nossa família era enorme, composta não apenas de nossos pais e irmãos, mas dos primos e tios.

Naquela época, tínhamos muito respeito pelos mais velhos e costumávamos tomar a benção de nossos pais e tios. Éramos, também, muito ligados aos vizinhos.

Toda vez que alguém mudava para a vizinhança, mamãe me obrigava a ir até a casa do novo vizinho, sempre com um prato de biscoito, doce ou outra guloseima qualquer, para oferecer os préstimos. Hoje ninguém nem se cumprimenta no elevador! E se você sorri para o porteiro, ele lhe devolve o mais escancarado dos sorrisos, pensando no íntimo, (quem sabe?...) que você é exótica...

Tínhamos regras rígidas de educação e nem questionávamos o que era certo ou errado. Se nossos pais o diziam, não havia motivo para duvidarmos, já que tínhamos neles uma confiança absoluta.

Brincávamos muito na rua: de roda, de pique, queimada, passar anel, correr pelas enxurradas, etc. Éramos livres e não temíamos nada, a não ser o escuro e os insetos.

Hoje, já na terceira idade, lembro-me, com enorme saudade, da minha infância e da minha adolescência. E sinto uma dor profunda quando penso no que é a vida de minha neta. Claro, ela não conheceu outra realidade e não deve sentir falta de nada. Contenta-se em brincar na escola, dentro de casa e no sítio (graças a Deus, pelo menos ela tem um sítio para ir e ter contato com a natureza...). Mas, quantas crianças não têm nada disso?...

Num mundo tão cheio de violência, em que o mal se banaliza, fico a imaginar, com enorme preocupação, qual será o futuro dela e de tantas crianças...

O que está acontecendo conosco? Que mundo fomos criar para nossos filhos e netos? Além do estrago que fizemos com o planeta, somos reféns do medo, numa sociedade em que os bandidos nos mantêm dentro de casas cercadas por muros altos e cercas elétricas.

Que valores estão norteando a vida de nossas crianças e de nossos jovens? Eles preferem um tênis novo, de marca, a um carinho nosso...

Sinto falta do mundo da minha infância, quando nossos pais colocavam cadeiras na rua para prosearem com os vizinhos, enquanto nós, os filhos, nos esbaldávamos de tanto brincar até a hora inflexivelmente marcada de ir para a cama.

Que saudade daquela vida simples em que podíamos ser tão felizes, sentindo-nos tão seguros, sob a vigilância amorosa e severa de nossos pais!

Gostaria que alguém pudesse me devolver esse tempo tão bonito, esse mundo em que havia confiança, solidariedade e amor.

Quantas noites viramos lendo romances de amor? Burlávamos a atenção de nossos pais apagando a luz cada vez que levantavam. Entretanto, se nos pegavam a ler, vinha a ordem peremptória e estraga-prazer: “Menina, apague a luz! Vá dormir! Está em fase de crescimento!”

É com uma identificação absoluta que leio a frase de Arnaldo Jabor: “Vamos voltar a ser “gente”. Voltar a mostrar indignação diante da falta de ética, de moral, de respeito... Construir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde as pessoas respeitem as pessoas. Utopia? Quem sabe? Precisamos tentar... Nossos filhos merecem e nossos netos nos agradecerão.”

AINDA SE MORRE DE AMOR








Ela era apenas uma menina quando ele a conheceu, uma menina que desabrochava para a vida de mulher. Bastou um único olhar para apaixonar-se. Este amor iria durar toda uma vida, mas um amor calado, sem esperanças, sufocado no peito.

Em seu coração, ele a chamava de “princesa”. E como poderia uma princesa olhar para um simples empregado de seus pais?

Ela era doce, gentil, educada. Parecia-lhe uma flor. Tratava-o sempre muito bem, como a qualquer um... Nem de longe poderia desconfiar daquele amor, pois ele era sempre respeitoso e, quando lhe falava, abaixava os olhos, talvez para que não pudesse ler neles aquele sentimento avassalador.

Para que sua dor fosse maior, mas, ao mesmo tempo, para sua felicidade e orgulho, o pai da garota encarregou-o de olhar por ela, sempre à distância, para que ela não desconfiasse. Isto porque ela tinha saúde frágil e muitas vezes desmaiava na igreja, no cinema, com ele sempre ali a amparando. Quando ela voltava dos desmaios era sempre o olhar dele, aquele olhar temeroso e cheio de carinho, com o qual ela se deparava primeiro.

Além do problema da saúde, ela começava a chamar a atenção dos rapazes e o pai o encarregara de não deixar nenhum se aproximar dela.

Morou algum tempo em casa dela e aprendeu com os pais e com ela própria uma ética que nortearia toda sua vida. Sempre justo, honesto, verdadeiro, gentil. Estes seriam os mesmos valores que, um dia, ele passaria para seus filhos.

Tinha um enorme e grosso caderno, ao qual ninguém nunca teve acesso, no qual ele ia escrevendo seus versos para a princesa.

Um dia, porém, - sempre chega este dia – a vida os separou. Ele continuou vivendo uma vida pela metade, pois ela lhe faltava. E ela se lembraria muitas vezes dele como um irmão que ficara pelo caminho...

Ele se casou com outra e constituiu uma bela família, mas sempre com a lembrança doída daquele amor que seria eterno. Separou-se da mulher, pois é sempre difícil viver com uma e ter outra no coração... Seu caderno continuava registrando suas dores, sua saudade, o abismo de sua alma e os desertos difíceis por onde teve que andar...

Ele precisava encontrá-la! Mas, pensava, era uma loucura! Ela teria sua vida, deveria estar casada e com filhos. Além disso, com a inteligência que já naqueles tempos demonstrava, deveria ser alguém muito importante.

Ninguém pode prever as voltas que este mundo dá. Pois não é que, já na terceira idade, sentindo que a vida o abandonava, ele conseguiu encontrá-la?! Ela continuava com aquele jeito simples e doce de menina! Descobriu que, realmente, ela era muito importante, mas quem o diria com aquela humildade?! Abraçou-o feliz e aquela chama virou uma labareda que tomou conta de seu ser. A viagem para encontrá-la foi muito dura e difícil para ele, mas valeu poder estar com ela! Não a perderia mais!

Mês após mês, ele sempre lhe telefonava. Agora, já não tinha mais vergonha de lhe falar daquele amor que o consumira por uma vida! Afinal, ela estava só e ele também e as distâncias sociais que, antes, os separaram eram insignificantes nos dias de hoje...

Pediu-lhe cartas e ela lhe escreveu. Pediu uma foto e ela enviou-a. Pediu que fosse visitá-lo e ela concordou. Marcou a viagem e ele preparou tudo, com enorme zelo, para recebê-la como uma princesa, o que ela verdadeiramente era e fora sempre para ele.

O destino, porém, foi impiedoso e, nos dias do embarque, problemas familiares a impediram de viajar... Como ele sofreu! As forças o abandonavam... Ela seria a única luz que poderia devolver-lhe a vida! Mas ela não foi...

Continuaram, porém, a falar-se pelo telefone. Foram quatro anos, sem forças, com a moléstia o devastando, apesar da pouca idade. E não morria a esperança, como ele próprio dizia, de entregar-lhe aquele beijo guardado há tanto tempo!

Ele precisava de uma cirurgia urgente no coração e ela animou-o muito para fazê-la, mas ele não quis. Disse-lhe que preferia morrer em sua cama a fazê-lo numa sala de cirurgia. Ela retrucava: “mas não é para morrer, é para viver mais!”. Ele, porém, não acreditava que sobreviveria...

O telefone não tocou mais e o coração dela oprimiu-se. Uma angústia não a abandonava. Teve vontade de ligar, mas teve medo... medo daquilo que seu coração já tinha lhe avisado...

Depois de três meses, tomou coragem e ligou. A filha atendeu. O coração dela disparou. Disse que queria falar com o pai e um longo silêncio se seguiu... Quando a moça conseguiu falar, disse-lhe: “não tivemos como avisar a senhora...”- “avisar-me de que?” – pergunta besta quando já sabia a resposta... “Parece que ele tinha o telefone da senhora na cabeça, pois não o encontramos em nenhuma agenda...”. E a frase-punhal veio certeira: “Ele faleceu há três meses”.

Como podia ser? Levara com ele aquele imenso amor? Aquele beijo nunca dado? E, agora, mais do que nunca, ela se sentia só. Vida cruel! E agora? Repetia bobamente... Alguém se importa? Não, ninguém! Cada um tem sua história e que importa ao mundo a morte de alguém que morreu de amor?...

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