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quinta-feira, 6 de maio de 2010

ELEGIA PARA ELEITO




Yvonne Silveira

Sem prenúncio de dor ou de cansaço
sequer mal-estar, um só leve traço
chega o irreversível.
E levaram-te. Inútil tentativa
de mais dias doar à longa vida,
ou amenisar tua alma ferida.
Dexei-te ir.
E na noite cruel, interminável,
súplicas e lágrima se perderam.
-Não me deixes sozinho,- eu ouvia,
no desespero do medo. Mentira.
Pedido constante que tu fazias,
enquanto eu lidava durante os dias.
-Aqui estou, jamais te deixarei.
E dexei-te sozinho.
No pior momento do teu viver.
Não me ouviste a voz, não sentiste o beijo,
que no rosto agonizante terias.
O inútil pranto, ó vã esperança.
O sol levou a noite, o dia se fez
E tu voltas.
Rosto lívido, o belo rosto de outrora,
inesquecível rosto de aurora,
com as azougues do tempo envelhecido,
junto ao meu, nesse andar pelo caminho
percorrido, sempre, de braços dados...
em que agora se soltavam.
Ó, o caminho de flores sorrindo,
de espinhos, de pedras, rolando frias.
Onde estão as angélicas Silvestres?
Os beijos roubados, ao sol morrendo?
Inicío do longo e belo caminho,
de vitórias, derrotas e amor,
em que com lutas, sonhos realizamos
o ideal de sevir, doar, fazer.
Oitenta anos!
Soltaram-se os laços. E tu, primeiro,
(querias) – alcança o túnel da luz.
Na casa vazia, vive a presença
Tranquilo, quieto e sem andar,
sem ver o sol brilhar na madrugada,
com o alegre cantar da passarada,
mudo para os teus ouvidos, sem queixar.
Somente a voz.
Palavras de afeto, carinho e amor.
(Maria Luíza, neta querida,
E tu Pedro, razões do meu viver
- Boa esposa que Deus me enviou).
Muda estava a alma do meu poeta.
Tantos versos me fez, de grande amor.
Como contou a vida, a Natureza,
meditando os mistérios, a beleza.
Volta!volta!
Em desespero peço, mas a terra
Que envolve teu corpo, não se abrirá.
“ Nesse jogo não se ganha a vida”-
Disseste, mas sabes que a ela irei.
Espera, ó amado!
Na mesma vaga estarei contigo,
almas lado a lado, pelos caminhos do céu.

O ELEITO




Yvonne Silveira

Está longe, na sucessão dos dias,
o teu belo e jovem rosto
que me despertou os sonhos de amor.
Cativa tornei-me
e viajei contigo
do nascer ao pôr-do-sol,
em longo acontecer.
Auroras de esperanças,
ocasos de desencantos,
passo e par, pela rota do viver
tão branda, às vezes,
tão cheia de estorvos,sempre.
Dias de sol floresciam
os lírios da fantasia,
a esperança de união perfeita
crescia em frêmitos de amor.
Mas vinham as sombras,
o sol se escondia
e fantasmas desfilavam:
ciúmes, incertezas,
desanimando,
o amor enrugando,
o amplexo dos corpos e das almas
afrouxando.
Porém, foste o eleito
e, mesmo sangrando os pés,
nas pedras do desamor, passageiro,
seguimos triunfantes.
Os dias, gastando a vida,
foram levando
teu belo e jovem rosto de aurora.
o sol da tarde entra
pela janela dos sonhos
Que se enrolam, vagarosamente...
Sei ó eleito,
que vem chegando a noite,
o cansaço faz dormir as estrelas
do teu rosto de aurora,
já não sonhas, não vês.
Seguro-te as mãos,
prendo-as com afagos de seda...
Em breve se desatarão,
sem que possas levar
as lembranças dos dias de sol,
das flores de tua poesia
em lindos versos a cantar-me
a beleza que só tu vias
e sempre verei o teu rosto de aurora...
a canção da saudade
aproxima-se pelas ondas douradas
do amor que não morre,
e tu, ó eleito,
ó amado
virás de novo segurar-me as maõs
o teu jovem rosto de aurora,
belo rosto de aurora,
conduzindo-me
para a mansão do mistério,
onde eternamente viverá
o nosso ínvio
e inviolável amor

PEDINDO LICENÇA


Maria Augusta Christo Gouvêa

Quero, hoje, pedir licença ao mundo para chorar.
Quero encontrar aquela lágrima que se petrificou no fundo de minha alma.
Lágrima que me daria a dimensão da dor e da vida.

Não mais encontro o meu eu, no tanto tempo perdido.
Não o encontro na face escancarada em gargalhadas caricaturais,
dando ao mundo a figura que ostento na covardia da sobrevivência

Quero lágrimas que tenham a coragem de lavar esta máscara,
que me faz tão mentirosa,quando me visto de princesa,
guardando os andrajos no escuro da alma vazia.

Tirem-me a máscara!
Lavem-me do lodo da ilusão.
Venha, em enxurrada, purificar-me.
Despejem a bílis que amargura uma vida,
quando as cores são falsas e as dores são camufladas.

Tirem-me da vitrina de modelos cintilantes.
Deixem-me vestir meus trajes rotos
de tanto se arrastarem pelos caminhos
O caminho perdido no inventar uma rota de crenças infundadas

Não me olhem com olhos de louros metalizados,
como jóia azinhavrada em velhos baús,
onde falsas jóias empoeiram-se por séculos.

Mundo onde patino em passos lentos,
devolva-me as minhas lágrimas.
Não as esconda de mim.
São as únicas que me restam.

21/11/07

ORAÇÃO DA NOITE




Ignácio Larrañaga




Meu Pai, agora que as

vozes silenciaram e os clamores se apagaram,

aqui ao pé da cama minha alma se eleva a Ti para dizer:

creio em Ti, espero em Ti, amo-te com todas as minhas forças.

Glória a Ti, Senhor.



Deposito em tuas mãos a fadiga e a luta,

as alegrias e desencantos deste dia que ficou para trás.

Se os nervos me traíram,

se os impulsos egoístas me

dominaram, se dei lugar ao rancor

ou à tristeza, perdão, Senhor!

Tem piedade de mim.



Se fui infiel, se pronunciei palavras vãs,

se me deixei levar pela impaciência,

se fui um espinho para alguém, perdão, Senhor!



Nesta noite, não quero me entregar

ao sono sem sentir sobre a minha alma

a segurança de tua misericórdia,

tua doce misericórdia inteiramente

gratuita, Senhor.



Eu te agradeço, meu Pai,

porque foste a sombra fresca que

me cobriu durante todo este dia.



Eu te agradeço porque

- invisível, carinhoso, envolvente

- cuidaste de mim como uma mãe,

em todas estas horas.



Senhor, ao redor de mim

tudo já é silêncio e calma.



Envia o anjo da Paz a esta casa.

Relaxa meus nervos, sossega o meu espírito,

solta as minhas tensões,

inunda meu ser de silêncio e de serenidade.



Vela por mim, Pai querido,

enquanto eu me entrego confiante ao sono

como uma criança que dorme feliz em teus braços.



Em teu nome, Senhor,

descansarei tranqüilo.

Assim seja.

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