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sábado, 7 de agosto de 2010

AO MEU AMADO


Não permita que a vida
Lhe escorra pelos dedos...
Tanta beleza por viver,
Tanta tristeza a padecer...
Tantos risos a se gargalhar.
Não fuja do amor por medo,
Pois de todos haveremos
Um dia nos separar...
Não deixe de viver
Este lindo momento
Que o faz vibrar
E para sempre há de ficar
Em seu nobre
Ou lascivo pensamento...
Viva intensamente,
Beba o cálice até a borda,
Pois vida, meu amado,
Não sei se outra lhe será dada...
Cante com as manhãs,
Adormeça com as estrelas,
Deixe que a lua de prata
Ilumine sua alcova
E seus sonhos mais sublimes
E loucos...
Ouça os pássaros,
Veja as flores,
Sinta o perfume
Que aromatiza o ar...
Ouça o silêncio
E os sons da mata!
Viva! Viva plenamente!
Pois vida é Amor,
Vida é beleza,
É ter em tudo ardor,
Paixão de se doer!...

Nelson Antonio Corrêa

À noite, fujo de mim ... insólito internauta, estrelas escorrendo pelos dedos no teclado e escondo a imagem lúcida e visível do meu corpo de dia, nas caixas encantadas de segredos, que oculto em territórios impossíveis, ditos nicknames.Então, penso no mundo que aprendi a sonhar e me instalo num raio de luar, num espaço que é meu, tão real e sensível, que esqueço o cotidiano...Aí me enfeito em núvens com cabelos de chuvas, olhos de garoa e incríveis adereços de neblina. E sei tear, com lascas de infinito, imensos agasalhos... E sei falar com flores coloridas, salpicadas de orvalho... E me envolvo em cantigos de ninar que repetem : sonhar, sonhar, sonhar...Mas chega o dia. Inverno ou primavera. Existem máscaras à minha espera. E me adorno com elas, com elas me protejo... Sólido como pedra, então planejo, organizo e dirijo, alheio e impassível, ligado ao que é real, ao que é tangível, provando a dor, a solidão, o medo. E descubro o que sou : um terrível brinquedo !...

PARA QUEM FOI MEU MUNDO



Carmen Ortiz Cristal

Uma história incomum...
Nada foi banal, foi tanto o que te dei!…
Cheguei a tua vida por forças superiores
De início senti que seriam muitas lutas
Mesmo assim assumi!...
Como uma sombra, sem medo,
Independente de tudo e todos
Estava ali para lutar por ti,
Dar-me em troca de tua felicidade

Com um sorriso e muito amor
Enfrentei a solidão, os fantasmas do passado...
Para que tuas horas, dantes tão vazias,
Fossem preenchidas com amor e alegria
No afã dos versos meus, a ti cantei noite e dia
Para que a dor que te escravizava fosse calada
Enfim te sentisse, acreditasse muito amado

Com meu riso,
minhas peraltices de menina sapeca
Preenchi o silêncio que te atormentava
Na inconseqüência de uma eterna criança
Brinquei, dancei sobre versos e muitas rimas
Para te fazer ver quanto à vida era bela
E por ser uma dádiva divina merecia se vivida
Plantar em teu coração o renovar da esperança
Acreditando ser teu direito o mundo dos prazeres
Ser tua a felicidade!...
Quanto lutei em silêncio...

Em tuas noites insones, ao saber de tuas penas
A teu lado, calada, perambulei!
Foram tantas madrugadas a te acompanhar
Ao te ver perdido entre lembranças doloridas
Fiquei ali sem arredar o pé de ti
Por amor, incondicionalmente...
Dando do coração e da razão
Em meus braços te envolvi num abraço amigo
Protetor, a te guardar de ti mesmo...
Te proteger do frio que teu corpo fazia tremer....

Livre do abandono fui teu abrigo!...
Acalanto de tua alma solitária....
Até mesmo contra tua vontade
Jamais deixei de estar ao lado,
Fiel ao amor dedicado
Por entender ser amiga, companheira...
Fui mansidão...

Tomei teus medos,
Fiz do meu corpo teu escudo
Da minh’alma um lago cristalino
Aonde viesses matar a sede de carinho
De meus braços proteção
Com amor fui segurança de dias incertos

Expulsei a morte!... Fiz da vida uma meta
Dei-te as forças que eu não tinha
Desejei arrancar-te de um castigo
A que insanamente te condenavas
Oferecendo a essência do que eu era
Meu ser, meu amor, minha poesia...

Mas como tudo nesta vida
O que é dado com abundância perde seu valor
Assim vi a indiferença
Vi a dor que eu tirava do teu caminho
Invadir sem nenhum pudor, minhas horas,
Meus dias foram escurecendo...
A luz que te ofereci, foram as trevas onde cai

Por um sorriso teu deixei o meu morrer
Tua solidão invadiu meu mundo
E o que em mim era poesia, passou a ser lamento!...
Com traições fui vitimada, perdi a rima...

Esgotada em minhas forças, a poesia foi morrendo
Nada mais restando, hoje sou ninguém!...
Desisto de ti, desisto de mim...
A solidão senhora, encarcerou minh’alma
Anulou minhas vontades...
Resta apenas
Um último verso para ti que muito amei,
Este verso!... Um verso simples, sem métrica...
Rimando amor e dor num último e triste adeus...


Amar não significa que tenhamos de nos anular,
se perdermos o rumo de nós o amor não encontrará forças
para sobreviver e vencer os infortunios da vida...

MENSAGEM


"Ás vezes construímos sonhos em cima de grandes pessoas. O tempo passa e descobrimos que grandes eram os sonhos, e as pessoas pequenas demais para torná-los reais Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante." Chaplin

SAUDADE FILIAL




Este é o quinto ano, papai, que não comemoro o dia dos pais, Você não está mais aqui e esse dia passou a ser um dia de saudade. Aliás, todas as datas significativas me lembram você e é difícil segurar o pranto...
A vida prossegue, papai. E eu que pensei que sem sua presença, sem seu apoio, jamais conseguiria viver!... Mas Deus é de uma misericórdia tamanha que, cada dia, vai colocando em meu coração um unguento capaz de fechar a ferida...
Ah, papai, como tudo de bom e bonito me faz lembrar você! Onde está o meu companheiro para dividir o encanto das leituras, para ouvir comigo e deslumbrar-se com as belas músicas que, como o senhor dizia, são a assinatura de Deus?! Sempre que ouvíamos a Nona Sinfonia de Beetoven , o senhor repetia: “Quem não acreditar em Deus, filha, basta ouvir a Nona Sinfonia para crer.” Onde o seu sorriso discreto, sua alma acolhedora, seus conselhos tão sábios?!
O senhor não era nenhum santo, nenhum de nós o é, mas acredito que só pela sabedoria e pelo amor que tinha por seus filhos, seus pais, irmãos, toda sua família, por mamãe, seus amigos, pela natureza, pelos animais, pela Justiça, com certeza deve estar num plano maravilhoso a que tantos chamam de “Céu”...
Recebe, papai, onde estiver, todo o amor e a gratidão desta filha que tanto o ama ! Ainda hoje, quando alguma coisa importante acontece, ou quando leio um livro que sei que o senhor apreciaria, tenho a súbita vontade de telefonar-lhe... Como se tivesse telefone daqui para aí!...
Acho, papai, que não demora muito o nosso reencontro! Eu, também, ando rateando. E mamãe, cada dia um pouco, vai se distanciando deste mundo. Às vezes, quando a escuto falando sozinha, pergunto: “Quem é, mamãe? Com quem a senhora está conversando?”.Ela responde que é com o senhor e diz que, logo, logo, o senhor vem buscá-la. Não sei se é delírio ou se é real, mas a saudade que ela sente é imensa! Ela começou a morrer quando o senhor se foi... E eu que dizia que o sangue alemão dela não a deixava se emocionar!... Ela o amava tanto que, desde que o senhor se foi, ela vai indo, também, lentamente. Desligou-se deste mundo porque já pressente o outro que se avizinha...
Que todos os pais do mundo me perdoem, mas, se me perguntassem qual deveria ser o símbolo do amor paterno, eu responderia prontamente: meu pai!
Se houve melhor, eu não sei. O senhor cumpriu de maneira extraordinária o papel que Deus concedeu a um pai terreno. Errou? Sim, quem não erra? Mas amou com um amor incomensurável e incondicional, um amor que, geralmente, é próprio das mães e não dos pais...
Um abraço, papai, e o beijo terno de sua filha que o verá sempre como o amor personificado. Não tenho nada a perdoar-lhe porque sempre soube que, apesar de ser um pai maravilhoso, era tão gente como eu, e gente erra. Tenho errado tanto, caído múltiplas vezes, blasfemado outras, mas vou aprendendo dia a dia mais pelo Caminho de Luz, o caminho do Mestre Jesus que, desde pequenina, o senhor me ensinou a amar.
Paz e Luz para o senhor, papai, e até breve!
Ah, esqueci de contar-lhe que fizeram um filme sobre o seu amigo Chico! Ri e chorei ao vê-lo e muitas das minhas lágrimas foram porque todo ele me lembrava você...

Maria Luiza

AO MEU PAI



Quando nasci, você tomou-me nos braços e sorriu o mais belo sorriso de felicidade. Quando comecei a andar, você me deu a mão para que eu ensaiasse os primeiros passos e não caísse.
Quando adoecia, você passava a noite à beira de minha cama e eu dormia confiante porque minha mão estava na sua. Quando fui para o colégio interno, você estava ao meu lado e, enquanto eu apertava a sua mão, com medo daquele mundo desconhecido, você me mostrava as maravilhas do conhecimento.
Durante toda a minha infância, juntamente com meus irmãos, você nos divertia com as mágicas que inventava, fazia cavalinho, contava-nos histórias mirabolantes, que nos faziam rir, chorar e nos levava a conhecer Bach, Beetowen, Chopin, Tchakovski, Mozart, Wagner e tantos outros músicos que amava e nos ensinava a amar. Prometia sempre um prêmio para quem acertasse o autor, o nome da música, a sinfonia, a ária.
Quando, bem cedo, comecei a brincar com as letras, a ajuntá-las e a escrever nos seus jornais, abriu-me o mundo encantado dos mil e um autores. Quando me tornei moça, você tinha ciúmes de todos os meus namorados e ninguém servia para mim, pois você sonhava em casar-me com um "príncipe". Quando aquele que eu escolhi para companheiro esperava-me no altar, você levou-me até ele, traído pela emoção.
A vida foi continuando e as nossas conversas, alegrias e tristezas pareciam não ter fim. O tempo sempre era muito pouco. Contava-nos "causos", casos e histórias de sua terra natal e de figuras lendárias no norte de Minas. Ensinou-me a amar criaturas admiráveis que só conheci por fotografias.
Aprendi com você a História da França, da Inglaterra, de Roma, da Grécia, do Brasil. Foi você quem me contou as histórias da Bíblia e levou-me a amar Jesus Cristo, cuja vida estudou profundamente, pesquisou, escreveu, admirou e amou.
Foi você que me abriu o caminho da espiritualidade, alargando, cada vez mais o meu mundo de luz. Com você aprendi a ética que norteou toda a minha vida: o amor, o respeito, a compaixão, a justiça.
Tudo que me acontecia, tinha pressa em contar-lhe. Quando buscava conforto, nas agruras da vida, que não me pouparam, buscava seu abraço e sua palavra consoladora.
Quando me desesperei, aos 38 anos, porque, depois de tanto estudar, tanto ler, tanto pensar, tanto buscar, cheguei à conclusão que nada sabia e fui correndo ao seu encontro em busca de conselho, você me disse, com tranqüilidade: - Que bom, minha filha, agora você vai, realmente, aprender o caminho da sabedoria!
Você foi meu pai, amigo, mestre, conselheiro, meu companheiro de todas as horas.
Depois, eu amadurecia e você envelhecia. E vieram os momentos terríveis em que sua saúde rateava e eu quase enlouquecia só de pensar que poderia perdê-lo. Mas, Deus foi misericordioso e sua vida foi longa, bonita, desprendida, produtiva e brilhante.
Você tinha estopim curto, era verdadeiro, honesto, sempre correto demais e as pessoas se enganavam, quando não o conheciam, imaginando-o uma pessoa brava e truculenta. No entanto, era manso de coração, terno, bondoso e compassivo.
Começamos a inverter os papéis. Você, que era a minha rocha, o meu porto, o meu cais, foi decaindo, se sentindo inseguro, e buscava, então, refúgio em mim. Depois de algumas isquemias cerebrais, você, que era mestre da palavra, deixou de falar. Mas, o amor imenso que nos unia sempre nos levava à compreensão. Acompanhei-o, minuto por minuto, agonia por agonia, em seus últimos dias.
Assisti você ir para a sala cirúrgica, tão tranqüilo. Chorei de felicidade ao saber que a cirurgia em seu cérebro tinha sido um sucesso. Mas, a esta alegria foram se seguindo os dias em que sua matéria, já cansada, machucada, doída, ia, cada vez mais, enfraquecendo. Ah, se eu pudesse teria sofrido aquele calvário em seu lugar! Mas, ali estava, com o meu amor, impotente, só podendo colocá-lo nos braços de nosso Pai Maior. Percebi os momentos em que você, finalmente, nos deixava e minh'alma tão sofrida já não suportava mais o seu sofrimento. Fui obrigada a pedir ao Pai que o levasse.
Fui forte, sim, até quando a guarda dos militares, em posição de funeral, deu o primeiro tiro e as notas musicais do toque de silêncio soaram. Aí, meu pranto jorrou como sangue e a dor rompeu meu peito.
Você fez história e será lembrado como o comandante, o delegado, o escritor, o historiador, o prefeito, o jornalista combativo, o assessor direto de vários comandantes-gerais da Corporação, que tanto amou; o assistente militar de Secretário de Estado, de Dom Armando Lombardi, o representante do Papa no Brasil, o intelectual, cujo nome está inscrito em várias instituições. Para mim, entretanto, você será lembrado como o melhor dos pais, o mais apaixonado por seus filhos.
Você segue o seu caminho, na eternidade, conforme a sua semeadura e a vontade do Criador e eu, sua filha terrena, até que chegue a minha hora, viverei como uma parte sua, buscando sempre honrar todo o legado do Bem, que deixou em sua trajetória pelo planeta. A saudade será grande! O vazio será enorme! E a minha gratidão e o meu amor serão eternos!
Até um dia, papai querido!

Maria Luiza

DEIXARIA NESTE LIVRO...


Federico García Lorca


Deixaria neste livro toda a minha alma.

Este livro que viu as paisagens comigo e viveu horas santas.

Que pena dos livros que nos enchem as mãos

de rosas e de estrelas e lentamente passam!

Que tristeza tão funda é olhar os retábulos

de dores e de penas que um coração levanta!

Ver passar os espectros de vida

que se apagam,

ver o homem desnudo em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,a síntese do mundo,

que em espaços profundos se olham e se abraçam.

Um livro de poesias é o outono morto:

os versos são as folhas negras em terras brancas,

e a voz que os lê é o sopro do vento

que lhes incute nos peitos- entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore com frutos de tristeza

e com folhas murchas de chorar o que ama.

O poeta é o médium da Natureza

que explica sua grandeza por meio de palavras.

O poeta compreende todo o incompreensível,

e as coisas que se odeiam,ele, amigas as chama.

Sabe que as veredas são todas impossíveis,

e por isso de noite vai por elas com calma.

Nos livros de versos,entre rosas de sangue,

vão passando as tristes e eternas caravanas

que fizeram ao poeta quando chora nas tardes,

rodeado e cingido por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,mel celeste que mana

de um favo invisível que as almas fabricam.

Poesia é o impossível feito possível.

Harpa que tem em vez de cordas corações e chamas.

Poesia é a vida que cruzamos com ânsia,

esperando o que levas em rumo a nossa barca.

Livros doces de versos são os astros que passam pelo silêncio mudo para o reino do Nada, escrevendo no céu suas estrofes de prata.

Oh! que penas tão fundas e nunca remediadas,

as vozes dolorosas que os poetas cantam!

Deixaria neste livro toda a minha alma...

Do livro "Federico García Lorca - Obra Poética Completa".
Tradução de William Agel de Melo -
Editora Universidade de Brasília.Co-edição: Livraria Martins Fontes Editora Ltda., 1989.

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