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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

RECADO DE CRIANÇA


Mamãe e papai: hoje eu tenho um recado para vocês: gostaria muito que, sem deixar de serem modernos, pudessem ter a doçura de antigamente e sentassem comigo no chão e penetrassem em meu mundo e fossem comigo mocinho e bandido, mãezinha e filhinha, bombeiro e carpinteiro...
Gostaria, mamãe, que ainda tivesse tempo para vestir minhas bonecas, me contar histórias e cantar comigo cantigas de roda...
Que vocês pudessem aceitar-me como sou: feio ou bonito, loiro ou moreno, menos ou mais inteligente, levado, serelepe, treiteiro,capeta...
Que pudessem compreender a mágica e a fantasia do mundo em que vivo e a dimensão que pequenos gestos podem tomar para mim.
Gostaria que soubessem das sombras e dos pesadelos que, às vezes, povoam as minhas noites e que não me xingassem, então, quando, sem querer, embora grandinho, ainda escapasse um pipi na cama ou virasse um copo na mesa.
Não me importo se , às vezes, vocês perderem a paciência comigo porque bem sei que são humanos... Mas gostaria tanto que, mesmo quando me pusessem de castigo, e me dessem algumas palmadinhas, deixassem bem claro o quanto me amam. Porque, para mim, a dor do castigo ou da palmada vai passar bem depressa, mas a sensação de desamor, esta há de ficar para sempre...
Gostaria que ainda pudessem me embalar de quando em quando, me colocassem no colo e me falassem do amor com que me geraram, da alegria com que me esperaram e do cuidado que tiveram comigo quando eu era pequenino... Que todos os dias não se esquecessem de me beijar e abraçar e que ainda houvesse noites em que pudessem se assentar à minha cabeceira e rezar comigo, falando de coisas sem importância...
Gostaria que vocês se interesassem não apenas pelo meu desempenho na escola, mas pelo que vivo e sinto lá. Que o seu SIM fosse SIM e que seu NÃO fosse NÃO, para que em sua firmeza eu pudesse encontrar a segurança.
Gostaria ainda que pudessem me sjudar a ver e sentir a beleza do vida, do sexo e do amor. Que me ensinassem a penetrar no mundo das cores e dos sons e a escutar e sondar a beleza do mundo.
Gostaria tanto, mamãe, que, depois de ter me trazido ao mundo, você pudesse, com sua ternura, com sua fé e alegria, introduzir-me na festa da vida. Que, em sua plena condição de MULHER, pudesse ser, pelo menos por alguns instantes, simplesmente, a minha MAMÃE!...
Seu filho.
Maria Luiza
(adaptação de um texto de minha obra "A Greve das Crianças", da Editora Vozes).

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