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domingo, 6 de fevereiro de 2011

MYRIAM RIOS


Sucesso na primeira versão de “Ti-ti-ti” como Gabriela, Myrian Rios não assiste ao remake escrito por Maria Adelaide Amaral para o horário das 19h da Globo. Depois de se tornar missionária da Comunidade Católica Canção Nova, a atriz, de 52 anos, garante ligar a TV apenas para acompanhar telejornais e programas educativos. Conferir como a jovem Carolina Oliveira está se saindo no papel que ela viveu em 1985, nem pensar.
— Sou missionária há nove anos e não assisto mais às novelas. É um tipo de entretenimento muito vulgar, sem profundidade, que foi ficando sem conteúdo — critica Myrian.
Apresentadora do programa “Porta a porta”, semanal que divulga produtos religiosos no canal Canção Nova (disponível para quem tem parabólica), a atriz tampouco pretende rever o seu trabalho em “O clone”, a última novela da qual participou, agora em reprise no “Vale a pena ver de novo”, na Globo. A deputada estadual recém-eleita no Rio pelo PDT considera os folhetins atuais muito mais apelativos do que os produzidos no passado.
— O Roberto Talma (diretor de núcleo da Globo) veio me perguntar se eu tinha abandonado a carreira. Eu abandonei essa coisa descartável. Mas posso fazer uma novela, por exemplo, educativa, com uma mensagem. O importante é ter um conteúdo que acrescente — diz Myrian, para afirmar em seguida: — Eu não sou ex-atriz, não existe essa coisa de ex.
Nascida em Belo Horizonte, ela estreou em novelas em “O feijão e o sonho”, de 1976, depois de ter sido descoberta num concurso de talentos na TV Globo. Atuou em mais de dez produções, como “Marron glacé” (1979), “Coração alado” (1980) e “Bambolê” (1987). Nesta última, interpretou Ana Galhardo, a protagonista da trama.
— Tenho orgulho da minha carreira. Amei fazer “Marron glacê”, do Cassiano Gabus Mendes. E, depois, ainda fiz com ele “Ti-ti-ti” — lembra.
Hoje, Myrian tem outras prioridades. Contratada do Canção Nova desde 2003, ela quer tocar mais um projeto para a TV como apresentadora. Em seu site oficial, se descreve como “Missionária católica, mãe, filha, irmã, amiga, atriz, uma mulher de fé”.
— Sempre fui de família católica, mas não existe falar que sou convertida. A minha conversão como missionária é diária. Quero ser melhor do que fui ontem. Busco minha santidade diariamente. No dia a dia a gente acaba se magoando e criando um coração mais duro. Vamos perdoar, procurar reconciliar — sugere a atriz, enquanto toma uma água de coco, num quiosque da Lagoa Rodrigo de Freitas.
Myrian não parece à vontade enquanto posa para as fotos. Já durante a entrevista, é franca. Até para falar sobre a importância do sexo em sua vida.
— O fato de ter me tornado missionária mudou muita coisa. Eu vivo em castidade há nove anos — revela a atriz. — Hoje posso namorar, mas seria um namoro santo. Relação sexual só depois de casada — explica Myrian, atualmente solteira.
Ela defende que a “mulher precisa se preservar para se amar e valorizar”.
— Não é através do relacionamento sexual que você conhece a outra pessoa. E, sim, conversando. Pela maneira como um homem te beija e te abraça você também pode conhecê-lo melhor — acredita.
Ex-mulher de Roberto Carlos, com quem viveu por 12 anos, Myrian sempre cita o músico de forma carinhosa. Ela evita entrar em detalhes sobre a relação dos dois. Mas dá sinais de que são bons amigos, por exemplo, ao declarar que o cantor votou nela nas últimas eleições:
— Imagina se o Roberto não iria votar em mim...
O contato de Myrian com a política começou quando ela tornou-se amiga da primeira-dama do Estado, Adriana Ancelmo Cabral, há quatro anos:
— Nossos filhos estudam juntos e nos aproximamos. Adriana me levou para Bangu, para conhecer o presídio de menores infratores. Como missionária, o que poderia fazer era rezar. Passei um ano indo lá para pregar a palavra de Deus.
A atriz perdeu as contas dos pedidos de ajuda que recebeu no presídio. E decidiu que poderia atuar de uma outra forma se estivesse na política.
— No início eu fiquei muito desmotivada. Você ouve tanta coisa. A minha bandeira política é a educação com qualidade, uma escola em tempo integral. Quero resgatar o projeto do Professor Darcy Ribeiro. Foi só por isso que aceitei o desafio. Posso ser missionária e deputada — frisa.
Mãe de Edmar Filho, de 14 anos, do casamento com o cirurgião Edmar da Fontoura Lopes Neto, e de Pedro Arthur, de 9, da relação com o ator André Gonçalves, Myrian diz ter um papo aberto com os filhos em casa:
— Não é porque sou vegetariana há 30 anos que eles precisam ser. Mas procuro educar os meus filhos para serem homens íntegros e tementes a Deus. Não sei se eles vão seguir a castidade, como eu. Mas digo que a mulher não pode ser usada como uma coisa descartável, só para ficar. Eu já converso com eles até sobre aborto.
Apesar de orientar, Myrian garante dar certas liberdades aos filhos.
— Lá em casa não é uma ditadura. Eu prefiro que o Pedro não veja novela. Mas ele gosta de assistir ao pai na televisão — conta.
A atriz diz que o caçula quer ser ator. E não se mostra contra os planos do filho:
— Pedro decidiu que quer ser artista. Ele faz aula de teatro e de hip hop. Está no sangue. Quando o André chama o Pedro para ir ao Maracanã, é o Edmar quem vai. Pedro quer é visitar o Projac.
A relação com os ex, garante Myrian, é a mais cordial possível:
— Os meus dois filhos têm pais presentes. (Zean Bravo)

(FONTE: "A PROVÍNCIA", DE REGINALDO SILVA )

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