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sexta-feira, 25 de março de 2011

A FESTA DOS VELÓRIOS


Munca consegui entender porque as pessoas conversam tanto nos velórios. Na verdade, somente a família do morto chora em silêncio, mergulhada na dor da perda e da ausência.
As pessoas tagarelam e contam piadas. Botam a conversa em dia. É um encontro de confraternização.
Será esse comportamento uma maneira de exorcizar a morte? De não pensar que, um dia, lá estarão os amigos a nos velar e levar à tumba fria?
Sei lá! Ou será a vida moderna, na sua ferocidade, na sua velocidade para tudo, inclusive para os compromissos, que, de repente, faz da morte um intervalo para o encontro daqueles a quem queremos tão bem e com quem não podemos conviver na medida do nosso querer?
Seja como for, aqui e em outros cantos do planeta, o velório é quase uma festa, com "comes e bebes". Seria uma festa comemorando a Vida e não a morte? Por que o que é a morte senão o fim de um ciclo? Talvez todos, em seu íntimo, e talvez inconscientemente, brindem à vida daquele que se foi. Do dever cumprido, da lembrança do que foi e do que deixou.
Porque ninguém passa pela vida em brancas nuvens, impunemente. A vida tem um preço e todos nós pagamos por ela. Ou com alegria e belas obras, ou com tristeza, mas trabalho e dor.
Não estou absolvendo a todos os seres humanos. Mas, a mim não cabe julgar ninguém. Cada um tem sua própria consciência, que é o inferno, o céu ou o purgatório, no encontro com a Morte. Esse é um momento de extrema solidão a quem ninguém pode fugir. Nós e nossa consciência. Um encontro difícil e doloroso. Sei disso porque embora cá ainda esteja pela Graça Divina, já passei por este momento, quando todos esperavam que eu morresse.
Finalizando tais elucubrações, acredito que é isso: nos velórios comemoramos a Vida, o Amor, a esperança do reencontro, as belezas e as dores da Viagem. Só pode ser!

Maria Luiza

4 comentários:

  1. Muito bem colocado o tema querida...penso que no fundo, cada qual do seu modo, nem sempre o mais adequado a situação ao meu ver, reage muitas vezes em função do medo de encarar a realidade de todos nós...pois, todos vamos morrer, encerrar um ciclo, recomeçar outro, num outro plano.
    Minha amiga, tenha um feliz e sereno sábado...beijos
    Valéria

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  2. ótimo texto e para reflexão. A morte não existe, apenas se transforma. Sempre é vida!!!
    Talvez por isso, inconscientemente aconteça isso.

    Um ótimo fim de semana, Anjo!

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  3. MARIA LUIZA,

    JÁ ME FIZ ESSA PERGUNTA MUITAS VEZES, E CHEGUEI A CONCLUSÃO QUE UM VELÓRIO, ACABA TORNANDO-SE UMA FORMA DE REENCONTRO DE AMIGOS E FAMILIARES QUE MUITAS VEZES NÃO SE VÊEM HÁ ANOS...EXISTEM FAMÍLIAS QUE SÓ SE ENCONTRAM EM CASAMENTOS E VELÓRIOS DEVIDO A UMA SÉRIE DE FATORES...E ACABAM SE EXCEDENDO EM SUAS INOPORTUNAS CONVERSAÇÕES...

    REFLEXIVO TEXTO...

    BEIJOS,

    REGGINA MOON

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  4. Sofro só em imaginar o velório de um ente querido.
    Se há lágrimas num velório, é porque houve muitos risos na vida de quem se foi.

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