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domingo, 19 de junho de 2011

PASSEIO AO PASSADO



Volto ao passado e me vejo na janela à espera de teus passos na rua em direção à nossa casa. Espero-te com o coração descompassado, um frio na barriga, um frêmito que toma conta de meu corpo, como se fosse a primeira vez que te visse.
Tu chegas e abres a porta. Jogo-me em teus braços, ansiosa por ter-te. Tu me beijas e, mesmo cansado, me levas para a cama e nos amamos com loucura.
Depois, nos deitamos na rede e ficamos calados a olhar-nos com tamanha intensidade como se quiséssemos gravar para sempre na retina e na memória o que nossos lábios não sabiam dizer, mas os olhos sim...
Passo a mão nos contornos de seu belo rosto para jamais esquecer-me de cada detalhe. Por que sabíamos que, um dia, haveríamos de nos separar e que tudo ficaria na saudade? Não era esse o nosso plano e nem tampouco nossos anseios e sonhos...
Enquanto eu passava a mão por teu rosto, tu acariciavas os meus cabelos e me sussurravas versos de amor, de Olavo Bilac. Vasculho a memória e não consigo lembrar-me dos versos, mas vejo teus olhos cor de mel esverdeado a olhar-me com paixão.
Ah, vida cruel! Circunstâncias alheias ao nosso sentimento roubaram-me de ti... Lembro-me bem que, por dois longos anos, chorei sozinha e escondida a saudade da qual não era bom que desconfiassem...
Tentamos levar nossas vidas adiante, sem saber um do outro. E conseguimos porque éramos ambos fortes de espírito.
Entretanto, muitos anos depois, recebo um telefonema a dizer-me que ainda me amavas e que estavas a morrer. Maldito cigarro que te destruiu os pulmões!... E, aí, o que fazer?! Tu me pedias perdão e eu não tinha nada a perdoar-te, pois foste o único homem que, embora por caminhos tortos, me amou com tal paixão e me fizeste uma verdadeira mulher.
Hoje, músicas me levaram de volta a ti. E, de novo, pude contemplar, em minha mente, os olhos cor de mel que me olhavam com enorme ternura e paixão. Pude sentir, quase que como verdade, o teu abraço apaixonado e minha entrega completa e agradecida ao teu carinho e cuidado que me levaram a conhecer emoções dantes ignoradas...
Que tu descanses em paz! E que pelo amor que me deste Deus tenha misericórdia de ti!
Eu continuo sozinha tentando crescer, tentando viver o presente, dádiva Divina, e olhar para frente. Tento trabalhar e deixar sementes em meu caminho.
Vez por outra, porém, o vendaval da saudade me transporta no tempo e te traz de volta a mim...


Maria Luiza

Um comentário:

  1. Muito lindas suas palavras... estória envolvente, onde vemos a força que tem o amor... a dor da perda, da solidão.
    Boa semana minha querida...beijos...
    Valéria

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