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domingo, 25 de dezembro de 2011

TÁBUA DE SALVAÇÃO? tÁBUA DE PERDIÇÃO




Eis a última cena: então a pessoa está se debatendo inutilmente, a água está entrando pela boca e pelas narinas e queimando-lhe os pulmões como fogo. E eis que, heróicamente, surge você como por encanto pula naquelas águas revoltas e agarra-se à pessoa que está-se afogando, procurando levá-la para a segurança da margem. Mas o desespero toma conta dela e ela se abraça a você firmemente, imobilizando-lhe os seus braços salvadores, enroscando-se em voce, levando os dois inexoravelmente para o fundo e para um dramático afogamento a dois! Um morre pelo desespero. Você, pela sua incauticidade.

Nas crises emocionais e existenciais também se vê a mesma cena: uma pessoa amiga, desesperada, afogando-se em seu desespero existencial , geralmente por problemas afetivos mal resolvidos , e lá chega a sua incauta alminha salvadora com seus aconselhamentos, com suas atitudes carinhosas de apego e solidariedade irrestrita , envolvendo e enrodilhando-se os dois numa trama sem saída que vai levá-los conjuntamente à asfixia emocional. Um quer se salvar ; você quer porque quer salvá-lo. Mas dois sacos vazios não ficam em pé. E assim, na mais completa miséria afetiva, ele te suga o melhor de você e de sua vida pois vê em você a tábua da salvação da sua agonia - afinal, navio que está afundando atraca em qualquer porto. E, nesta asfixia sentimental, porosmose você torna-se vítima de um estranho sentimento de carência existencial que antes era da outra pessoa mas veio a impregnar a sua alma , desprotegida e despreparada para um envolvimento que você não queria mas está aí posto, de tal monta enraizado que você não consegue mais desapegar-se : você já está tendo agora um caso sério em sua vida. Como um fanático religioso que deixa de viver a sua vida para se entregar integralmente a uma religiosidade doentia, seu propósito na salvação do outrem é de tal forma que os seus outros relacionamentos afetivos ficam descuidados e em plano secundário. Passam a ser negligenciados e desprezados por você que geralmente acaba também só e com a cara abismada pois é assim que começam as histórias de um amor adoecido e é assim que acabam : ambos afogados na dor inexplicável da carência emocional que não pode nunca ser chamada de amor . Atitudes gratuitas e impensadas cobram muito caro da gente... pois arranham nossos corações e levam a nossa PAZ . Perdidamente para as profundezas abissais de nós mesmos!Afogados em nós mesmos... e afundados nos divãs agradecidos dos psicanalistas freudianos .

nelson antonio, médico de almas



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