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sábado, 17 de dezembro de 2011

LEMBRANDO O NATAL...




E já vai longe o Natal das rabanadas,
feitas em casa, de pão encomendado.
Dormido.
Mergulhadas em leite com açúcar,
lambuzadas de ovo e cheirando longe.
Servidas bem quentes,
ou no dia seguinte.

E já vai longe o Natal das frutas picadinhas.
Saladas coloridas em potes transparentes.
Das jarras de ponche,
dos vinhos baratos.
E bacalhau desfiado nos dedos.
Transformados em bolinhos,
sorrisos, mesas cheias de vizinhos,
amigos, euforias.

Mais longe ainda o Natal das cozinhas plenas,
de mães atarefadas.
Árvores de ráfia verde-escuro,
que desdobravam, um a um, seus galhos de arame.
E recebiam algodão do ano passado.
A neve dos dias quentes e suados,
na festa calorenta
que sabia esperar.

O Natal
das crianças sonolentas,
das bonecas com cheiro de brinquedo novo,
das roupas bem passadas,
dos presentes escondidos
dos amigos secretos.

O Natal dos afetos.

Ficou-nos o Natal que é janta simples e banal.
Que acende o pisca-pisca das varandas
e que detesta nostalgia
e jingle-bells.

Que esqueceu as cartas,
os sapatos novos,
os trenós.

Que nos deixou a sós.

Que já não faz visita, e nem passa cartão.

Ficou-nos o Natal meio sem graça,
que num instante passa.

E que não tem paixão.


de Therezinha Mello: poeta e contista
(1º lugar no concurso de contos da UBE/2011)

POR SAÚDE



Divino Amigo, em Tuas mãos estão a nossa integridade espiritual, o nosso equilíbrio, a saúde da alma e do corpo que nos reveste...
Fortalece-nos, possibilitando-nos servir-Te em todos os dias de nossas vidas.
Restaura-nos as forças combalidas e cura as chagas do nosso coração.
Vitaliza-nos, Senhor, ante o esmorecimento de nossas energias no corpo desgastado pelo tempo.
Não consintas que a morte nos sobrevenha antes que tenhamos cumprido com os nossos deveres primordiais.
Se possível, concede-nos indispensável moratória, através da intercessão daqueles que zelam pela nossa saúde.
Acima da Medicina dos homens, está a Vontade de Deus.
Cumpram-se em nós e por nós os Teus desígnios, hoje e sempre!


Assim seja.


Livro: Preces e Orações – Médium: Carlos A. Baccell - Irmão José

A VIDA ME ENSINOU...



A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo,
sem tirá-las do meu coração...
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem
quando isso não é verdade,
para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir;
aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças;
sorrir quando o que mais desejo é gritar
todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo
estão com problemas;
Ser carinhoso com todos
que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos
que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam
ou querem fazer de mim depósito
de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente,
pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente,
pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade
(sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade
sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos
para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba,
sempre lutando para preservar tudo
o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi,
e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar,
lhe dando forma da maneira que eu escolher.



Charles Chaplin

A CASA DE CADA UM



Nesta época, gosto de tratar da vida. Dou a roupa que não uso mais. Livros que não pretendo reler. Envio caixas para bibliotecas. Ou abandono um volume em um shopping ou café, com uma mensagem: "Leia e passe para frente!". Tento avaliar meus atos através de uma perspectiva maior.
Penso na história dos Três Porquinhos. Cada um construiu sua casa. Duas, o Lobo derrubou facilmente. Mas a terceira resistiu porque era sólida. Em minha opinião, contos infantis possuem grande sabedoria, além da história propriamente dita. Gosto desse especialmente.
Imagino que a vida de cada um seja semelhante a uma casa. Frágil ou sólida, depende de como é construída. Muita gente se aproxima de mim e diz: Eu tenho um sonho, quero torná-lo realidade! Estremeço.
Freqüentemente, o sonho é bonito, tanto como uma casa bem pintada. Mas sem alicerces. As paredes racham, a casa cai repentinamente, e a pessoa fica só com entulho. Lamenta-se.
Na minha área profissional, isso é muito comum. Diariamente sou procurado por alguém que sonha em ser ator ou atriz sem nunca ter estudado ou feito teatro. Como é possível jogar todas as fichas em uma profissão que nem se conhece?
Há quem largue tudo por uma paixão. Um amigo abandonou mulher e filho recém-nascido. A nova paixão durou até a noite na qual, no apartamento do 10º andar, a moça afirmou que podia voar. Deixa de brincadeira , ele respondeu.
Eu sei voar, sim! rebateu ela.
Abriu os braços, pronta para saltar da janela. Ele a segurou. Gritou por socorro. Quase despencaram. Foi viver sozinho com um gato, lembrando-se dos bons tempos da vida doméstica, do filho, da harmonia perdida!
Algumas pessoas se preocupam só com os alicerces. Dedicam-se à vida material. Quando venta, não têm paredes para se proteger. Outras não colocam portas. Qualquer um entra na vida delas.
Tenho um amigo que não sabe dizer não (a palavra não é tão mágica quanto uma porta blindada). Empresta seu dinheiro e nunca recebe. Vive cercado de pessoas que sugam suas energias como autênticos vampiros emocionais. Outro dia lhe perguntei: Por que deixa tanta gente ruim se aproximar de você?
Garante que no próximo ano será diferente. Nada mudará enquanto não consertar a casa de sua vida.

São comuns as pessoas que não pensam no telhado. Vivem como se os dias de tempestade jamais chegassem. Quando chove, a casa delas se alaga.
Ao contrário das que só cuidam dos alicerces, não se preocupam com o dia de amanhã.
Certa vez uma amiga conseguiu vender um terreno valioso recebido em herança. Comentei:
Agora você pode comprar um apartamento para morar.
Preferiu alugar uma mansão. Mobiliou. Durante meses morou como uma rainha. Quase um ano depois, já não tinha dinheiro para botar um bife na mesa!

Aproveito as festas de fim de ano para examinar a casa que construí. Alguma parede rachou porque tomei uma atitude contra meus princípios?
Deixei alguma telha quebrada?
Há um assunto pendente me incomodando como uma goteira?
Minha porta tem uma chave para ser bem fechada quando preciso, mas também para ser aberta quando vierem as pessoas que amo?
É um bom momento para decidir o que consertar. Para mudar alguma coisa e tornar a casa mais agradável.
Sou envolvido por um sentimento muito especial.
Ao longo dos anos, cada pessoa constrói sua casa.
O bom é que sempre se pode reformar, arrumar, decorar!
E na eterna oportunidade de recomeçar reside a grande beleza de ser o arquiteto da própria vida.


Walcyr Carrasco







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