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sexta-feira, 11 de maio de 2012

ORAÇÃO DA MÃE


Senhor!

Abriste-me o próprio seio
e confiaste-me os filhos do Teu amor.
Não me deixes sozinha na estrada a percorrer.
Nas horas de alegria, dá-me temperança.
Nos dias de sofrimento, sê minha força.
Ajuda-me a governar o coração
para que meu sentimento não mutile
as asas dos anjos tenros que me deste
e adoça-me o raciocínio para que
a minha devoção afetiva não converta
em severidade arrasadora.

Defende-me contra o egoísmo
para que a minha ternura não transforme em prisão
daqueles que asilaste em meus braços.

Ensina-me a corrigir amando,
para que eu não possa trair o mandato
de abnegação que depuseste em meu espírito.

Nos minutos difíceis, inclina-me à renúncia
com que devo iluminar o trilho daqueles que
me cercam.

Senhor auxilia-me a tudo dar sem nada receber.
Mostra-me os horizontes eternos de Tua Graça,
para que os desejos da carne
não me encarcerem nas sombras.

Pai, sou também Tua filha!
Guia-me nos caminhos escuros,
a fim de que saiba conduzir ao infinito Bem
os promissores rebentos de Tua Glória.

Senhor, não me desampares!
Quando a Tua Sabedoria exigir
o depósito de bênçãos com que me adornaste a estrada
por empréstimo sublime, dá-me o necessário desapego
para que eu Te restitua as jóias vivas
do meu coração, com serenidade e alegria,
e quando a vida me impuser em Teu nome,
o desprendimento e a solidão,
reaquece minh'alma ao calor do Teu Caminho
Celeste para que eu venere a Tua vontade para sempre.
Assim seja.

(Meimei/Chico Xavier)
de A Luz da Oração

AS PROFISSÕES DE MINHA MÃE



Minha mãe foi, com certeza, a mulher que mais profissões exerceu em toda sua longa vida, sem ter sequer concluído o curso fundamental..Tudo que ela aprendeu foi nas primeiras quatro séries que cursou, quando criança. Contudo, era de uma sabedoria sem par.Descobri que minha mãe era uma decoradora de grandes qualidades, à medida que eu crescia e observava que ela sempre tinha um local no melhor móvel da casa, para as pequenas coisas que fazíamos na escola, meu irmão e eu.Em nossa casa, nunca faltou espaço para colocar os quadrinhos, os desenhos, os nossos ensaios de escultura em barro tosco.Tudo, tudo ganhava um espaço privilegiado. E tudo ficava lindo, no lugar que ela colocava.Descobri que minha mãe era uma diplomata, formada na melhor escola do mundo (nosso lar), todas as vezes que ela resolvia os pequenos conflitos entre meu irmão e eu.Fosse a disputa pela bicicleta, pela bola, pelo último bocado de torta, de forma elegantemente diplomática ela conseguia resolver. E a solução, embora pudesse não agradar os dois, era sempre a mais viável, correta, honesta e ponderada.Descobri que minha mãe era uma escritora de raro dom, quando eu precisava colocar no papel as ideias desencontradas de minha cabecinha infantil.Ela me fazia dizer em voz alta as minhas ideias e depois ia me auxiliando a juntar as sílabas, compor as palavras, as frases, para que a redação saísse a contento.Descobri que minha mãe era enfermeira, com menção honrosa, toda vez que meu irmão e eu nos machucávamos.Ela lavava os joelhos ralados, as feridas abertas no roçar do arame farpado, no cair do muro, no estatelar-se no asfalto.Depois, passava o produto antisséptico e sabia exatamente quando devia usar somente um pequeno band-aid, o curativo ou a faixa de gaze, o esparadrapo.Descobri que minha mãe cursara a mais famosa Faculdade de Psicologia, quando ela conseguia, apenas com um olhar, descobrir a arte que tínhamos acabado de aprontar, o vaso que tínhamos quebrado.E, depois, na adolescência, o namoro desatado, a frustração de um passeio que não deu certo, um desentendimento na escola.Era uma analista perfeita. Sabia sentar-se e ouvir, ouvir e ouvir. Depois, buscava nos conduzir para um estado de espírito melhor, propondo algo que nos recompusesse o íntimo e refizesse o ânimo.Era também pós-graduada em Teologia. Sua ciência a respeito de Deus transcendia o conteúdo de alguns livros existentes no mundo.O seu era o ensino que nos mostrava a gota a cair da folha verde na manhã orvalhada e reconhecer no cristal puro, a presença de Deus.Que nos apontava a fúria do temporal e dizia: Deus vela. Não se preocupem.Que nos alertava a não arrancar as flores das campinas porque estávamos pisando no jardim de Deus. Um jardim que Ele nos cedera para nosso lazer, e que devíamos preservar.Ah, sim. Ela era uma ecologista nata. E plantava flores e vegetais com o mesmo amor. Quando colhia as verduras para as nossas refeições, dizia: Não vamos recolher tudo. Deixemos um pouco para os passarinhos. Eles alegram o nosso dia e merecem o seu salário.Também deixava uns morangos vermelhinhos bem à mostra no canteiro exuberante, para que eles pudessem saboreá-los.Era sua forma de manifestar sua gratidão a Deus pelos Seus cuidados: alimentando as Suas criaturinhas.Minha mãe, além de tudo, foi motorista particular. Não se cansava de ir e vir, várias vezes, de casa para a escola, para a biblioteca, para o dentista, para o médico, para o teatro e de volta para casa.Também foi exímia cozinheira, arrumadeira, passadeira, babá. E tudo isto em tempo integral.Como ela conseguia, eu não sei. Somente sei que agora ela está na Espiritualidade. E Deus, como recompensa, por tantas profissões desempenhadas na Terra, lhe deu uma missão muito, muito especial: a de anjo guardião dos filhos que ficaram na bendita escola terrena.
 
 Redação do Momento Espírita, em homenagem à sra. Hilda
Elisabeth Dalpian Marcon, mãe da redatora
Disponível no CD Momento
Espírita, v. 12 e no livro Momento Espírita, v. 6, ed. Fep.
Em 07.05.2012.
 

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