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terça-feira, 30 de outubro de 2012

EGO, O FALSO CENTRO



O primeiro ponto a ser compreendido é o ego
Uma criança nasce sem qualquer conhecimento, sem qualquer consciência de seu 
próprio eu. E quando uma criança nasce, a primeira coisa da qual ela se torna 
consciente não é ela mesma; a primeira coisa da qual ela se torna consciente é 
o outro. Isso é natural, porque os olhos se abrem para fora, as mãos tocam os 
outros, os ouvidos escutam os outros, a língua saboreia a comida e o nariz cheira 
o exterior. Todos esses sentidos abrem-se para fora. O nascimento é isso.
Nascimento significa vir a esse mundo: o mundo exterior. Assim, quando uma 
criança nasce, ela nasce nesse mundo. Ela abre os olhos e vê os outros. O outro 
significa o tu. Ela primeiro se torna consciente da mãe. Então, pouco a pouco, 
ela se torna consciente de seu próprio corpo. Esse também é o 'outro', também 
pertence ao mundo. Ela está com fome e passa a sentir o corpo; quando sua 
necessidade é satisfeita, ela esquece o corpo. É dessa maneira que a criança 
cresce.
Primeiro ela se torna consciente do você, do tu, do outro, e então, pouco a 
pouco, contrastando com você, com tu, ela se torna consciente de si mesma. 
Essa consciência é uma consciência refletida. Ela não está consciente de quem 
ela é. Ela está simplesmente consciente da mãe e do que ela pensa a seu 
respeito. Se a mãe sorri, se a mãe aprecia a criança, se diz 'você é bonita', se ela 
a abraça e a beija, a criança sente-se bem a respeito de si mesma. Assim, um ego 
começa a nascer.
Por meio da apreciação, do amor, do cuidado, ela sente que é ela boa, ela sente 
que tem valor, ela sente que tem importância. Um centro está nascendo. Mas
 esse centro é um centro refletido. Ele não é o ser verdadeiro. A criança não 
sabe quem ela é; ela simplesmente sabe o que os outros pensa a seu respeito.
E esse é o ego: o reflexo, aquilo que os outros pensam. Se ninguém pensa que 
ela tem alguma utilidade, se ninguém a aprecia, se ninguém lhe sorri, então, 
também, um ego nasce - um ego doente, triste, rejeitado, como uma ferida, 
sentindo-se inferior, sem valor. Isso também é ego. Isso também é um reflexo.
Primeiro a mãe. A mãe, no início, significa o mundo. Depois os outros se juntarão 
à mãe, e o mundo irá crescendo. E quanto mais o mundo cresce, mais complexo
 o ego se torna, porque muitas opiniões dos outros são refletidas.
O ego é um fenômeno cumulativo, um subproduto do viver com os outros. Se uma 
criança vive totalmente sozinha, ela nunca chegará a desenvolver um ego. Mas isso
 não vai ajudar. Ela permanecerá como um animal. Isso não significa que ela virá
 a conhecer o seu verdadeiro eu, não.
O verdadeiro só pode ser conhecido por meio do falso, portanto, o ego é uma 
necessidade. Temos que passar por ele. Ele é uma disciplina. O verdadeiro só 
pode ser conhecido por meio da ilusão. Você não pode conhecer a verdade 
diretamente.
Primeiro você tem que conhecer aquilo que não é verdadeiro. Primeiro você 
tem que encontrar o falso. Por meio desse encontro, você se torna capaz de conhe-
cer a verdade. Se você conhece o falso como falso, a verdade nascerá em você.
O ego é uma necessidade; é uma necessidade social, é um subproduto social
A sociedade significa tudo o que está ao seu redor, não você, mas tudo aquilo 
que o rodeia. Tudo, menos você, é a sociedade. E todos refletem. Você irá à 
escola e o professor refletirá quem você é. Você fará amizade com as outras crian-
ças e elas refletirão quem você é. Pouco a pouco, todos estarão adicionando algo 
ao seu ego, e todos estarão tentando modificá-lo, de modo que você não se torne
 um problema para a sociedade.
Eles não estão interessados em você. Eles estão interessados na sociedade. 
A sociedade está interessada nela mesma, e é assim que deveria ser. Eles não
 estão interessados no fato de que você deveria se tornar um conhecedor de si 
mesmo. Interessa-lhes que você se torne uma peça eficiente no mecanismo da
 sociedade. Você deveria ajustar-se ao padrão.
Assim, estão interessados em dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade. Ensinam-
lhe a moralidade. Moralidade significa dar-lhe um ego que se ajuste à sociedade.
 Se você for imoral, você será sempre um desajustado em um lugar ou outro...
Moralidade significa simplesmente que você deve se ajustar à sociedade. Se a 
sociedade estiver em paz, existe uma moralidade diferente. Se estiver em guerra,
 a moralidade será outra. E toda criança deve ser educada de tal forma que ela 
se ajuste à sociedade; e isso é tudo, porque a sociedade está interessada no 
fato de que você deveria chegar ao auto-conhecimento.
A sociedade cria um ego porque o ego pode ser controlado e manipulado. 
 Ela  deseja criar membros eficientes. A sociedade não está interessada em você.
A moralidade é um política social. É diplomacia. A criança pode
 ser controlado e manipulado. Nunca se ouviu dizer que a sociedade estivesse 
controlando o eu - não é possível. E a criança necessita de um centro; a criança 
está absolutamente inconsciente de seu próprio centro. A sociedade lhe dá um 
centro e a criança pouco a pouco fica convencida de que esse é o seu centro, o 
ego dado pela sociedade.
Uma criança volta para casa. Se ela foi o primeiro lugar de sua sala, a família 
inteira fica feliz. Você a abraça e beija; você a coloca sobre os ombros e começa 
a dançar e diz 'que linda criança! você é um motivo de orgulho para nós.' Você
 está dando um ego para ela, um ego sutil. E se a criança chega em casa abatida, 
fracassada, foi um fiasco na sala - ela não passou de ano ou tirou o último lugar, 
então ninguém a aprecia e a criança se sente rejeitada. Ela tentará com mais 
afinco na próxima vez, porque o centro se sente abalado.
O ego está sempre abalado, sempre à procura de alimento, de alguém que o 
aprecie. E é por isso que você está continuamente pedindo atenção. Você obtém 
dos outros a idéia de quem você é. Não é uma experiência direta. É dos outros 
que você obtém a idéia de quem você é. Eles modelam o seu centro. Mas esse 
centro é falso, enquanto que o centro verdadeiro está dentro de você. (...)


Osho, em "Além das Fronteiras da Mente"
Fonte: Osho Brasil


Osho, em "Além das Fronteiras da Mente"
Fonte: Osho Brasil


Leia mais: http://www.palavrasdeosho.com/2009/05/ego-o-falso-centro.html#ixzz2AnNZ1iRz

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