BOAS VINDAS

Seja bem vindo! Espero que aqui encontre alento, beleza, amor e paz! E que possa espalhar isto para o mundo, que vive tão sedento de tudo isto.



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segunda-feira, 29 de abril de 2013

PENSAMENTO DO DIA

Bendito seja eu por tudo o que não sei
gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.



Fernando Pessoa

domingo, 28 de abril de 2013

MÁGOA




Síndrome alarmante, de desequilibro, a presença da mágoa faculta a fixação de graves enfermidades físicas e psíquicas no organismo de quem a agasalha.

A mágoa pode ser comparada à ferrugem perniciosa que destrói o metal em que se origina.

Normalmente se instala nos redutos do amor-próprio ferido e paulatinamente se desdobra em seguro processo enfermiço, que termina por vitimar o hospedeiro.

De fácil combate, no início, pode ser expulsa mediante a oração singela e nobre, possuindo, todavia, o recurso de, em habitando os tecidos delicados do sentimento, desdobrar-se em modalidades várias, para sorrateiramente apossar-se de todos os departamentos da emotividade, engedrando cânceres morais irreversíveis. Ao seu lado, instala-se, quase sempre, a aversão, que estimulam o ódio, etapa grave do processo destrutivo.

A mágoa, não obstante desgovernar aquele que a vitaliza, emite verdadeiros dardos morbíficos que atingem outras vítimas incautas, aquelas que se fizeram as causadoras conscientes ou não do seu nascimento.

Borra sórdia, entorpece os canais por onde transita a esperança, impedindo-lhe o ministério consolador.

Hábil, disfarça-se, utilizando-se de argumentos bem urdidos para negar-se ao perdão ou fugir ao dever do esquecimento. Muitas distonias orgânicas são o resultado do veneno da mágoa, que, gerando altas cargas tóxicas sobre a maquinaria mental, produz desequilíbrio no mecanismo psíquico com lamentáveis consequências nos aparelhos circulatório, digestivo, nervoso...

O homem é, sem dúvida, o que vitaliza pelo pensamento. Sua idéias, suas aspirações constituem o campo vibratório no qual transita e em cujas fontes se nutre.

Estiolando os ideais e espalhando infundadas suspeitas, a mágoa consegue isolar o ressentido, impossibilitando a cooperação dos socorros externos, procedentes de outras pessoas.

Caça implacavelmente esses agentes inferiores, que conspiram contra a tua paz. O teu ofensor merece tua compaixão, nunca o teu revide.

Aquele que te persegue sofre desequilibros que ignoras e não é justo que te afundes, com ele, no fosso da sua animosidade.

Seja qual for a dificuldade que te impulsione à mágoa, reage, mediante a renovação de propósitos, não valorizando ofensas nem considerando ofensores.

Através do cultivo de pensamentos salutares, pairarás acima das viciações mentais que agasalham esses miasmas mortíferos que, infelizmente, se alastram pela Terra de hoje, pestilenciais, danosos, aniquiladores.

Incontáveis problemas que culminam em tragédias quotidianas são decorrência da mágoa, que virulenta se firmou, gerando o nefando comércio do sofrimento desnecessário.

Se já registras a modulação da fé raciocinada nos programas da renovação interior, apura aspirações e não te aflijas. Instado às paisagens inferiores, ascende na direção do bem. Malsinado pela incompreensão, desculpa. Ferido nos melhores brios, perdoa.

Se meditares na transitoriedade do mal e na perenidade do bem, não terás outra opção, além daquela: amar e amar sempre, impedindo que a mágoa estabeleça nas fronteiras da tua vida as balizas da sua província infeliz.

"Quando estiveres orando, se tiverdes alguma coisa contra alguém, perdoai-lhe, para que vosso Pai que está nos Céus, vos perdoe as vossas ofensas". - Marcos: 11-25.

"Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isto, meus caros filhos, prova melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: "A felicidade não é deste mundo". - ESE Cap.V - Item 20.





Autor: Joanna de Ângelis


sexta-feira, 26 de abril de 2013

REFLEXÃO DO DIA

"Penetrar no campo transversal, na encruzilhada dos sentidos implica em compreender que o existir humano, na amplitude de sua complexidade, se constitui desde os territórios  complementares e interdependentes, da Arte, da Ciência, da Filosofia e das Tradições espirituais (espiritualidade) como campos singulares que se interligam na formação de nossa pluralidade existencial,"

Miguel Araújo

quinta-feira, 25 de abril de 2013

ESPERANÇA E MISERICÓRDIA









A Transição planetária está avançando inexoravelmente; estamos vivenciando o começo do Novo Ciclo, uma nova energia, a quebra inevitável de padrões obsoletos e perversos. Sim, estamos próximos da consolidação do processo, da celebração; no entanto, é estranhamente grande a quantidade de pessoas que escrevem para o site em busca de algum tipo de ajuda, acometidas de profundo desconforto, somado a um sentimento de frustração e de vazio que chega ao desespero. Trata-se de seres inteligentes, conscientes e espiritualizados, discorrendo até em tirar sua própria vida, mesmo cientes de que as consequências deste ato seriam pontuais e totalmente deletérias. 
É difícil sentir, à distância, o que se passa no fundo da alma de uma pessoa, a comunicação eletrônica é limitada e às vezes a troca é insuficiente para conseguir ajudar como deveria ser, tocando nos pontos cruciais da desarmonia, sugerindo saídas abrangentes que têm a ver com aspectos mentais, emocionais e até econômicos, num mundo globalizado onde imperam o egoísmo, a ambição, o desamor e um materialismo desenfreado.

Percebo claramente o estrago que os vários sistemas de crenças produzem, a importância absurda dispensada principalmente ao aspecto físico da existência, que exalta as curvas saradas de um corpo bronzeado, que busca a todo custo a "eterna juventude" e despreza aquelas rugas amigas que testemunham uma vida bem vivida, saudável, serena e sábia. Como é complicado tentar explicar a maravilhosa realidade que consiste em encontrar -em cada fase da existência-, razões, estímulos e situações que nem sabemos descrever, mas que nos dão alento, alimento, alegria e um sentido especial de estarmos a serviço, de sermos úteis quando finalmente conseguimos trilhar, em sintonia com a Fonte, nossa missão de vida... em qualquer idade, em qualquer situação.

Utilizo, ou melhor dizendo, sugiro sempre a essas irmãs e irmãos necessitados as inúmeras técnicas energéticas de que hoje dispomos, com resultados comprovados e totalmente sem contra-indicações, mas constato que em muitos casos os pensamentos dos que precisam de ajuda são tão negativos, repetitivos e autodestrutivos que já dominam grande parte da mente da pessoa, imersa por completo num círculo vicioso no qual a força da Luz tem enorme dificuldade em penetrar. O que podemos fazer é enviar-lhes energias cristalinas, perdoar e pedindo perdão para a situação que os aflige, suplicando à Fonte para que despeje sua Misericórdia sobre elas, livrando-as da ilusão e permitindo a melhora definitiva e sua volta à evolução, parte principal de nosso projeto de vida.
Como minha sensibilidade e percepção sobre as implicações do tema são limitadas, recorri às amigas Iara e Alexandra da Era de Cristal para fechar com a energia de feminino sagrado este especial. Confira:

"Hoje, pela primeira vez, me dei conta de que o significado da palavra desespero é "sem espera", isto é, fazer, ou pensar, ou sentir, ou querer, ou qualquer outra coisa que se possa imaginar, sem esperar o tempo necessário.
E você me perguntará: "Mas qual é o tempo necessário?"

Bem, a única coisa que se pode responder é que o tempo necessário é aquele que acomoda, que aquieta, que estabelece a situação confortavelmente. Que aguarda os desajustes se dissiparem. Que nos relembra que não temos contra o quê lutar, por sermos todos um e o mesmo. Que nos recorda nossa origem divina e nos irmana a todos os seres do universo. E é justamente isso que não fazemos quando estamos desesperados.

Quando nos desesperamos, perdemos a noção da quietude e tudo vira um grande turbilhão. As pequenas situações se transformam em becos sem saída, uma tola observação é compreendida como uma grande reprimenda e um simples olhar, ou a falta deste, é entendido como um sinal de desprezo ou de esquecimento.

Estamos numa época de renovação e tudo que é novo e diferente nos causa a insegurança normal pela saída da área de conforto em que estávamos instalados.
Por outro lado, devemos encarar essa mudança como um parto. Por vários meses, aquele bebezinho estava habituado a viver em um lugar quente e confortável, ao qual foi se instalando e acomodando à medida que crescia. Porém, chega o momento em que aquele espaço fica pequeno para ele e há a necessidade de partir para conhecer uma nova etapa em seu desenvolvimento.

Se encararmos e enfrentarmos as mudanças que surgem em nossas vidas, como um novo marco para o nosso crescimento e aguardarmos que a acomodação necessária se estabeleça diminuiremos a sensação de perda, de instabilidade e de insegurança frente ao novo.

Tudo isto parece muito lógico e já amplamente divulgado, mas mesmo assim o que mais vemos nestes últimos meses é uma grande quantidade, porque não dizer, a maioria, de pessoas que eram extremamente dedicadas a trabalhos dirigidos ao equilíbrio e à harmonização, estarem completamente insatisfeitas, perdidas em suas convicções e questionando até a continuidade e a necessidade de sua ajuda nesses processos.

Precisamos nos lembrar que o eixo energético do nosso planeta mudou e com ele o nosso eixo de direcionamento também deve se reposicionar. Se no ciclo anterior, que terminou no final de 2012, a Kundalini da Terra estava no Oriente e hoje está Ocidente, é normal que o nosso foco de atenção deva seguir essa nova situação, em que só o passar do tempo nos dará novamente a confiança que havíamos perdido.

Nesse ínterim, se olharmos para a natureza ao nosso redor, verificaremos que o grande exemplo que ela nos fornece é a ESPERANÇA, que não é outra coisa senão o ato de saber esperar, de aguardar, de confiar. Quando uma lagarta aguarda o tempo necessário para sair do casulo, ou quando as folhas de uma árvore caem para que as raízes ganhem mais força e possam gerar novas floradas, estamos nos deparando com a transformação, com o novo, com o crescimento.

O crescimento e o desenvolvimento nos foram dados como uma condição indispensável pela Fonte, da qual partimos e fazemos parte, para que desfrutemos plenamente das nossas individualizações. Se nesse rumo ao novo é necessário passar pelo desconforto, que isto seja feito sem resistência, confiando na renovação e mantendo em nossos corações a chama da Esperança.

Não há retrocesso no caminho evolutivo. Sempre estaremos amparados pela espiral ascendente do crescimento do Universo!
Seja Luz!" 


DO  SITE STUM

domingo, 21 de abril de 2013

ORAÇÃO DA CURA



Pai celestial, que habitais o meu interior, impregna com a Tua Luz vital cada célula de meu corpo, expulsando todos os males, pois estes não fazem parte de meu ser.
Na minha verdadeira realidade, como filho de Deus perfeito que sou, não existe doença; por isso que se afaste de mim todo o mal, todos os bacilos, micróbios, vírus, bactérias e vermes nocivos, para que a perfeição se expresse no meu corpo, que é templo de Divindade.
Pai; teu Divino filho Jesus disse: pedi e recebereis, porque todo aquele que pede recebe, portanto, tenho absoluta certeza de que a minha oração da cura já é a própria cura.
Para mim agora, só existe esta verdade: a cura total. Mesmo que a imagem do mal permaneça por algum tempo no meu corpo, só existe em mim agora a imagem mental da cura e a verdade da minha saúde perfeita.
Todas as energias curadoras existentes em mim estão atuando intensamente, como um exército poderoso e irresistível, visando os inimigos, fortalecendo as posições enfraquecidas, reconstruindo as partes demolidas, regenerando todo o meu corpo.
Sei que é o poder de Deus agindo em mim e realizando o milagre maravilhoso da cura perfeita.
Esta é a minha verdade mental. Esta, portanto é a verdade do meu corpo.
Agradeço-te, ó  Pai, porque Vós ouvistes a minha oração.
Dou-te graças, com toda alegria e com todas as forças interiores porque tua vontade de perfeição e saúde aconteceram em mim, em resposta ao meu pedido.

Assim é e assim será.

Autor: Dr. Manoel Dantas,do blog "Espiritismo Preces"

sábado, 20 de abril de 2013

CÂNTICO NEGRO





"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
Há, nos olhos meus, ironias e cansaços
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!


JOSÉ RÉGIO

sexta-feira, 19 de abril de 2013

MENSAGEM DE HOJE

Se a maledicência visita o seu caminho, use o silêncio antes que a lama revolvida se transforme em tóxicos letais.
Se a cólera explode ao seu lado, use a prece, a fim de que o incêndio não se comunique às regiões menos abrigadas de  sua  alma.
Se a incompreensão lhe atira pedradas, use o silêncio, em seu próprio favor, imobilizando os monstros mentais que a crueldade desencadeia nas almas frágeis e enfermiças.
Se a antipatia gratuita surpreende as suas manifestações de amor, use a prece, facilitando a obra da faternidade, que o Mestre nos legou.
O silêncio e a prece são antídotos do mal, amparando o Reino do Senhor, ainda nascente no mundo.
Se você pretende a paz no setor de trabalho que Jesus lhe confiou, não se esqueça dessa profilaxia da alma, imprescindível à vitória sobre a treva e sobre nós mesmos.

ANDRÉ LUIZ

terça-feira, 16 de abril de 2013

BALANÇO AOS SETENTA







Há muito não escrevo. Somente poemas. 
Usando as palavras de Leonardo Boff, dentro de alguns dias, estou ficando “oficialmente velha”. Tenho, na reclusão em que vivo, por força das circunstâncias, feito um balanço dos meus setenta anos. E posso dizer, com alegria, que tudo valeu a pena!
Valeu a pena o sangue vertido, a dor sufocada, as lágrimas derramadas, o caminho percorrido, as amizades conquistadas, o estudo contínuo e profundo, varando madrugadas, os livros escritos, os amores vividos e perdidos, as gargalhadas retumbantes pela casa.
Valeu a pena ter nascido num lar, onde fui muito amada, tive uma infância plena de alegrias, surpresas, descobertas. As famílias de meu pai e minha mãe são famílias maravilhosas, com as quais aprendi os valores básicos que sempre nortearam minha vida.
Tive uma adolescência feliz, com travesseiros molhados por causa de falsos príncipes, festas gostosas, conversas jogadas fora, repreensões severas por chegar a casa depois da hora marcada; enfim, uma adolescência como os outros de minha geração, que tiveram famílias bem estruturadas.
Minha juventude também me traz doces lembranças. O tempo da Faculdade, em que saíamos pelas ruas de Montes Claros, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, cantando, com Vandré, felizes e cheias de esperanças: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Os namoros, os noivados, o casamento. Experiências fabulosas!
 Depois os cursos de pós na PUC, com turmas fantásticas, em que dividíamos experiências e sempre íamos para o “boteco”, beber cerveja e papear, depois das oito horas de aulas.
A maternidade tão desejada! A vida repetida na filha e, hoje, na neta. Tesouros preciosos! Os mais belos presentes que a Vida me deu.
Os Congressos por todo lado. Viajando todo o país, dando cursos e fazendo palestras. Conhecendo gentes diferentes, comidas estranhas, sotaques cantantes, arquiteturas maravilhosas e deixando amigos aqui e acolá...
Sozinha? Quem disse? Em primeiro lugar, adoro minha própria companhia, a companhia dos bons autores, da música e dos escritos... Amigos, graças a Deus e ao Amor que tenho espalhado, encontro-os por toda parte.
Sou puro Amor! E não me assusta a velhice! Em primeiro lugar, estou sempre diante da Divina Presença. Deus permeia toda minha vida e eu O vejo e sinto em toda a Sua Criação. Ele é o meu maior amigo.
Depois, tenho amigos excelentes, que garimpei pelo Caminho. Eles estão sempre, de alguma forma, presentes em minha vida.
Ainda tenho, também, a companhia de meus sonhos, esperanças e projetos. Pretendo viver muito, mas estou pronta para partir a qualquer hora. Nada de bagagem. Apenas meus erros e acertos. Apenas o que sou. A mulher que me tornei.
Em resumo:
Se fosse para voltar
Eu voltaria...
De novo todas as dores
Eu sofreria.
Pois foram as paixões
Que me ensinaram a amar.
Foram as loucas decisões
Que acabaram por me dar o siso.
Foi caindo que aprendi,
Foi chorando que conheci o riso.
O riso solto, alegre, livre...
Ah, eu voltaria sim
E teria os mesmos sonhos
Que me trouxeram até aqui.
Seria a menina curiosa
Que logo aprendeu a ler
E mil viagens pode fazer
Através dos mil autores
Que encheram de luz e felicidade
A minha infância e mocidade.
Seria aquela jovem atrevida
Que não aceitava peias,
Pois livre imaginava a vida.
Voltaria sim
Porque tudo valeu a pena.
E, hoje, é uma doce saudade
O porto seguro de meus pais,
As noites de serenata
e os tempos dos ais!
É a fruta madura
Que vale tirar do pé.
É a vida bem vivida
Que merece que perdure a Fé...
Maria Luiza Silveira Teles

PENSAMENTO DE HOJE

Que eu não perca a vontade de doar este enorme amor que existe em meu coração, mesmo sabendo que muitas vezes ele será submetido às provas e até rejeitado. 

 Chico Xavier

ÚLTIMA CANÇÃO








Se puderes ainda
ouve-me, rio de cristal, ave
matutina. ouve-me,
luminoso fio tecido pela neve,
esquivo e sempre adiado
aceno do paraíso.
Ouve-me, se puderes ainda,
Devastador desejo,
fulvo animal de alegria.
Se não és alucinação
ou miragem ou quimera, ouve-me
ainda: vem agora
e não na hora da nossa morte
- dá-me a beber a própria sede. 




EugênioAndrade do site POEMA AO ACASO

segunda-feira, 15 de abril de 2013

HORAS DIFÍCEIS


Provável estejas atravessando as horas difíceis que não aguardavas.
Querias o empréstimo de recursos amoedados, para acertar os próprios negócios e os
amigos falharam.
Perdeste todos os haveres num investimento que te parecia importante e que resultou
em fracasso.
Colocaste todas as esperanças num filho querido que te trocou por aventuras inferiores.
Pessoas amadas deixaram-te a sós, afastando-se junto daqueles mesmos que te
recebiam apreço e confiança.
Companheiros de ontem surripiaram-te hoje as vantagens e os bens.
Apoiavas-te no afeto e na dedicação de alguém que a morte transferiu de plano,
impondo-te desajuste e solidão.
Se essas horas de crise te surgiram na existência, não te desanimes e nem te
desesperes.
Ergue a fronte para o alto e conta com Deus.

Chico Xavier - Emmanuel

domingo, 14 de abril de 2013

HUMILDADE


Humildade não tem o que fazer de qualquer reivindicação do eu, não tem o que fazer de qualquer atribuição de papel e de função, neste mundo.
É isso que é denominado, em termos comuns, Humildade: tornar-se de novo humano, tornar-se húmus, isto é, o sal da Terra e o pó da Terra.
Realizando, assim, as palavras: “tu és pó, e ao pó voltarás”, consistindo em não mais se identificar a qualquer efêmero (seja no corpo, nas reivindicações e em uma presença efêmera), mas transmutando esta instalação no Eterno.
Humildade: Sopro do Espírito, Sopro da Verdade, Vibração da Unidade, aceita, aquiescida e integrada.

Arcanjo Anael - Autres Dimensions
blog Portal dos Anjos e estrelas de Avalon





sexta-feira, 12 de abril de 2013

A VIDA












Tão complexo como entender, definir e compreender o amor, os seres humanos se deparam em seu dia a dia com um termo mais complexo ainda, que tem capacidade para envolver em seu nome toda a gama de complexidade dos mais variados termos, dos mais variados sentidos, das mais variadas sensações existentes no Universo.
Com mente pequena, não aproveitando tudo o que o aparato cerebral traz, os seres humanos passam pela vida, em grande volume e intensidade, sem parar para refletir o motivo de estarem passando.
Diria que o termo “passar” não emoldura a grandiosidade do tema, pois quando se passa pela vida, simplesmente não se vive.
Não se vive porque a própria capacidade humana de pensar não permite muitas delongas e o que se vê são apenas “passagens” sem significância, sem acréscimo, sem preenchimento de sentimentos e atitudes de nobreza.
Com a Vida literalmente não se brinca, mas os seres humanos aos milhares brincam e rateiam o verdadeiro significado de conduzir-se por uma vida plena, recheada por atitudes de quem sabe o que faz.
Em outras palavras, afirmaria que a Vida é benefício para ações e para sensações.
O fato de estar em um mundo de provas e expiações não retira do homem a condição de eterno aprendiz, assim como o fato de um dia estar em um mundo melhor ou um plano melhor, também não vai redimir o homem de aprender, de praticar, de ensinar e evoluir cada vez mais.
Na verdade a Vida tem a subjetividade como comando, mas ramificações que permitem aos seres humanos muitas práticas no campo da racionalidade e da ação.
É um verdadeiro extermínio ao progresso pessoal simplesmente ficar de mãos atadas esperando bênçãos de Deus enquanto muito se poderia fazer para quem se encontra preso no martírio da fome, da miséria moral e física, inexistindo dentro de si expectativa de melhorar sua condição.
Também é apenas “passar” pela vida acreditando que a felicidade plena encontra-se no parceiro, no sonho de concluir um curso, de obter algo materialmente desejado...Lamentável, pois nunca as coisas e o outro devem estar acima de si próprio, e conhecer a si mesmo é trabalho árduo, pois proporciona aos seres humanos a conseqüência de vigiar os próprios atos, de frear os impulsos impróprios, sejam eles compostos por críticas, maledicências, egoísmo, orgulho, falsa conduta moral, ciúmes, posse, entre tantos outros.
A bondade que muitos pensam ter muitas vezes não condiz com a realidade...
A temperança, o espírito moral irrompível, são facilmente levados com as primeiras dificuldades quando não se está pleno das próprias convicções de vida!
E a Vida continua em seu curso, e os seres humanos sucumbidos pelos primeiros obstáculos e enfrentamentos no terreno da aprendizagem...
Em verdade, das inúmeras aprendizagens que a vida traz, uma se destaca: a fé.
Ninguém suportará as dificuldades que a Vida traz sem ter fé!
A fé de que toda dificuldade passa, a fé de que na verdade tudo o que aqui no plano terreno aconteça tem uma explicação (mesmo que não se saiba o motivo), a fé na espiritualidade e em Deus que trabalham incessantemente para o êxito da existência de cada ser humano.
A importância da união do ser humano com Deus e com ele mesmo é o que permite a evolução neste mundo de provas e expiações.
Observando com olhos atentos os seres humanos perceberão os acontecimentos a eles pertencentes como solução e não como atraso evolutivo.
A Vida trará oportunidades de crescimento para quem tiver olhos para compreender e optar pela ação, mas isso dependerá do livre arbítrio, da livre escolha para caminhar pelo caminho escolhido.
Esconder-se atrás de coisas, atrás dos outros, não traz o beneficio desejado para progredir...isso não seria viver.
Viver é enfrentar os obstáculos, aprender, evoluir, conduzir a própria existência, e não simplesmente passar por ela!
E o lembrete é sempre o mesmo: o tempo, outra ramificação da Vida, simplesmente urge!

  

Bibliografia

Baseado nas Obras Básicas de Allan Kardec
Lilian Karla Buniak Pinto (Catanduva/SP)
é membro da Rede Amigo Espírita
Psicóloga, pós-graduada em Medicina Desportiva pela Faculdade de Medicina de Catanduva/SP, autora do livro: “Vida, Saúde, Otimismo e Participação: o equilíbrio em um envelhecer saudável”, co-autora no livro: “A assistência humanizada ao idoso: os projetos assistenciais desenvolvidos no Recanto Monsenhor Albino” com o capítulo: “A atuação psicológica em instituição geriátrica”, mantenedora do site www.lilianbuniak.com.br onde disponibiliza artigos variados de psicologia, palestrante nas áreas de Recursos Humanos, Saúde e Educacional, atuando o momento em Saúde Pública e Educação.
Médium de psicografia, oradora espírita, freqüenta a Associação Espírita Nosso Lar na cidade de Catanduva/SP desde 1999. 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

PENSAMENTO DE HOJE







Quando você fizer uma boa ação e não for devidamente reconhecido, não fique triste. Lembre-se que o sol dá um espetáculo durante todas as manhãs, porém muitos ainda estão dormindo.

 John Winston Lennon

quarta-feira, 10 de abril de 2013

NA ESCOLA DO PERDÃO




Na grande escola da Vida,
Somente sobe de nível
Quem aprende a perdoar
O que parece impossível.
*
Perdoa a quem te feriu...
Quem fere aos outros a esmo,
Já é bastante infeliz
No mal que causa a si mesmo.
*
O homem que não perdoa,
Do mal fazendo alvoroço,
Penso que, às vezes, se esquece
Que é feito de carne e osso.
*
Chave mestra que conheço
Sobre as mãos de quem cintila,
Abrindo todas as portas,
É a consciência tranquila.
*
Sinceramente, não sei,
Em exata proporção,
Se maior é quem perdoa,
Ou se quem pede perdão.
*
Eis a lição que Jesus
Ensinou ao mundo incréu:
Depois da cruz, o perdão;
Depois do perdão, o Céu!...

Eurícledes Formiga

terça-feira, 9 de abril de 2013

QUAL É O PAPEL DOS GUERREIROS DA LUZ?



(...)Bem amadas Sementes de Estrelas, o Guerreiro da Luz é um Guerreiro pacífico.
É aquele que compreendeu que a Unidade é Verdade e que a dualidade é Ilusão.
É aquele que age no Ser, é aquele que age na Unidade, e não para fazer o bem ou para fazer o mal.
Existe, em meio a esse Guerreiro, apenas uma vontade de ser Si, na Verdade, no Coração e unicamente isso.
A Luz se estabelece, a Luz se revela, a Luz é.
Vocês se tornam vocês mesmos guerreiros da Luz a partir do momento em que a sua Consciência, inteiramente, acolher a Coroa Radiante do Coração e acolher o Fogo do Céu e da Terra nas suas estruturas limitadas.
Um Guerreiro da Luz não combate.
Um Guerreiro da Luz estabelece, em si, a Unidade e a manifesta ao olhar deste mundo. (...)

ARCANJO MIGUEL
PORTAL DOS ANJOS E ESTRELAS DE AVALON

sexta-feira, 5 de abril de 2013

PENSAMENTO DE HOJE


"Que na esquina de todas as dores, o amor seja o aconchego, o colo de que se necessita. Que na travessia da solidão, haja o preenchimento de nós mesmos por dentro como a melhor companhia. Que não falte amparo quando o abraço esperado estiver longe. E que na nossa rotina de dores e amores que ficam e vão, que mesmo com todas as lacunas e vãos, possamos cumprir, nesta existência, lindamente nossa missão."


Marla de Queiroz

DEPOIMENTO DA ATRIZ ANA ROSA PELA PERDA DE SUA FILHA


Algumas vezes eu representei cenas de perdas de entes queridos em novelas. No dia 17 de novembro de 1995, no velório de minha filha Ana Luisa, nascida em São Paulo no dia 10 de dezembro de 1976, eu não queria acreditar que estivesse vivendo aquilo de verdade.
No dia seguinte, saí para comprar alguns presentes de Natal. Afinal, meus outros seis filhos ainda estavam ali e precisavam da mãe. Mas eu parecia um zumbi. Numa loja, me senti mal. Tontura, fraqueza, parecia que meu peito iria explodir, que eu não iria agüentar tanta dor. Pedi à vendedora que me deixasse sentar um pouco. Eu estava quase sufocando, as lágrimas queriam saltar de meus olhos. Mas eu não queria chorar. Queria esconder minha dor, fazer de conta que aquilo não havia acontecido comigo. Bebi água, respirei fundo e saí ainda zonza.
Eu sempre acreditei que iria terminar de criar minha filha, como todos os outros. Que iria vê-la formar-se em veterinária. Vê-la casada, com filhos. Achava que teria sempre a Aninha ao meu lado. Um dia, ela me contou que quando era pequena e eu saía pra trabalhar, ela sentia medo de que eu não voltasse. Por isso ficava sempre na porta de casa me olhando até eu sumir de sua vista. Por isso vivia grudada em mim.
Imagino que ela já pressentia ainda criança, que iríamos nos separar cedo. Só que foi ela a ir embora. Foi ela que saiu e não voltou mais. Foi ela que me deixou com a sua saudade. Para amenizar a falta, o vazio que ela deixou, eu ficava horas revendo os vídeos mais recentes com suas imagens. Nossas viagens, festas de aniversários, a formatura da irmã, seu jeitinho lindo tão meu conhecido de sentir vergonha.
Ela com o primeiro e único namorado. O gesto característico de arrumar os cabelos. A sua primeira apresentação de piano. Nesse vídeo então, eu ficava namorando suas mãos de dedos longos e finos. Até hoje eu me lembro de cada detalhe das mãos da Aninha. Assim como me lembro de cada detalhe de seus pés, do seu rosto...
Dali pra frente, o que mais me chocava e surpreendia era que todo o resto do mundo continuava igual. Como se nada tivesse acontecido: o sol nascia e se punha todos os dias, as pessoas andavam pelas ruas. O mesmo movimento, barulho. O mundo continuava a girar. Tudo, tudo igual. Só na minha casa, na minha família, dentro de mim, é que nada mais voltaria a ser como antes. Faltava minha filha, Ana Luisa!
Eu passava, quase diariamente, nos lugares comuns: o colégio Imaculada Conceição, em Botafogo. Cinema, lanchonete, restaurante, o metrô, onde tantas e tantas vezes viajamos juntas. A loja das comprinhas, o shopping, o parquinho, o clube onde fazia natação. A praia de Botafogo onde ela foi atropelada, o hospital Miguel Couto, onde passamos as horas mais angustiosas de nossas vidas.
O cemitério São João Batista, onde repousam seus restos mortais. Até hoje cada um desses lugares me lembra alguma coisa de minha filha. Até hoje guardo as lembranças de seus abraços, seus chamegos, o cheirinho da sua pele, o calor, seu carinho e aconchego. Ana vivia literalmente pendurada em mim. Já grandona, maior que eu, mas sempre como se fosse meu nenê pedindo colo.
Saudade. Saudade. Saudade, minha Aninha.
Não fosse a minha fé e a convicção de que a vida não termina com a morte, não fossem os outros filhos que ainda precisavam de mim, acho que teria pirado. Além da família, o trabalho, a terapia e o estudo da doutrina espírita me deram forças para superar a separação e a falta da Ana Luisa.
Sou e serei eternamente grata ao meu Pai do Céu, porque fui agraciada com muitos sinais de que a separação é apenas temporária. Alguns dias após sua passagem entrei em seu quartinho que ficou inundado pelo cheiro de rosas. Instintivamente fui olhar pela janela. Naturalmente o cheiro não vinha de fora. O perfume intenso era só ali dentro.
Um mês depois, no grupo que eu frequentava no Centro Seara Fraterna, minha filha se manifestou. Ainda meio confusa pela mudança abrupta e repentina, mas já consciente de sua passagem. Naquela noite, o buraco no meu peito que parecia uma ferida sangrando, mudou de aspecto. Continuava a doer, mas a certeza de que minha filha continuava e continua viva em alguma outra dimensão me trouxe uma nova perspectiva. A de que eu poderia chorar pela sua ausência, nunca pelo seu fim.
Dalí pra frente, algumas vezes vi, em outras pressenti, sua essência ao meu lado. No decorrer desses doze anos, recebi, por acréscimo de misericórdia, um bom número de mensagens dela. Uma das últimas foi através de um médium reconhecido, que foi fazer uma palestra num evento que eu apresentava. Sem que eu esperasse ou solicitasse, ele disse que via uma jovem ao meu lado – me descreveu exatamente minha filha - e que ela me apontava para ele dizendo: é esta aqui, ó.
Esta é que é a minha mãe. Quando me sentei, ele disse que ela sentou-se no meu colo. Entre as várias coisas no recado que me mandou, encerrou dizendo que as violetas (enceno a peça “Violetas na janela” há 11 anos) que ela cultiva onde se encontra, não serão colocadas na janela, e sim, serão usadas para fazer um tapete de flores para eu pisar quando chegar lá.
 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

RIQUEZA X POBREZA




Nas romagens pela carne, ora se estagia pela penúria, ora pela abundância, a depender das necessidades evolutivas de cada espírito

Riqueza e pobreza são duas faces de uma mesma moeda que visa ampliar a capacidade do espírito de se compreender os inúmeros papéis sociais terrenos e coloca o indivíduo diante das provas e desafios de cada situação. Nas romagens pela carne, importante salientar que ora se estagia pela riqueza, ora pela pobreza, a depender das necessidades evolutivas de cada um. Portanto, não há privilégios na ordem Divina. Embora muitos consideram que nascer na opulência, com polpuda conta bancária seja um privilégio, isso não se traduz em realidade, porquanto se fosse verdade todos os ricos seriam felizes e todos os pobres infelizes, e não é o que se verifica todos os dias. Há ricos felizes e infelizes, como há pobres na mesma ordem. O espírito que hoje tem uma vida abastada pode não tê-la em existência futura, eis, pois, que riqueza e pobreza são situações transitórias.
Além disso, diferente da ideia de “voto de pobreza” que as religiões tradicionais pregavam aos fieis em troca do passe para o céu, o Espiritismo esclarece que ninguém está destinado a viver definitivamente na miséria. A Lei do Trabalho e do Progresso expressa emO Livro dos Espíritos justamente relata a importância do indivíduo romper com o acomodamento e ultrapassar os obstáculos existenciais, o que inclui buscar sair também da penúria material através de seu esforço.
Parece impossível, mas o empresário Antônio Carlos Ferreira, retratado na revista Isto É Dinheiro, edição de junho de 2010, é um exemplo: “O empresário Antônio Carlos Ferreira, 48 anos, não se esquece do gosto amargo e da consistência pastosa do café com farinha que tomava de manhã antes de sair de casa para trabalhar. Quando criança, Ferreira vivia em uma favela, na cidade paulista de São Caetano do Sul, com sua família. Passava tanta dificuldade que, muitas vezes, não tinha nem um pão para comer. Inconformado, foi à luta. Começou trabalhando como engraxate e depois percebeu que podia ganhar mais catando sucata na rua e revendendo para o ferro-velho do bairro. “Conseguia o equivalente a R$ 30 por semana. Durante a manhã, estudava em um colégio público e à tarde catava sucata.” Hoje, passadas mais de três décadas, Ferreira é dono da Neolider, fornecedora de tubos de aço, que faturou R$ 200 milhões no ano passado e tem clientes do porte da Petrobras, Nestlé e Coca-Cola. Como ele, outros empreendedores brasileiros atravessaram adversidades, chegaram a passar fome, mas venceram.”
Reencarna-se para livrar-se de condicionamentos e crescer em todos os ângulos. E o comodismo é um desses condicionamentos. A partir do instante que se levanta da cadeira existencial e vai à luta, a espiritualidade interfere a favor. Em muitas ocasiões é o velho comodismo que impede o indivíduo de não obter sucesso sob o aspecto financeiro. Obviamente que nem todas as pessoas tornar-se-ão milionárias ao mobilizarem suas forças, até porque há vários fatores envolvidos, todavia fato é que não ficarão na total penúria material, porquanto a favor delas fala a iniciativa e o empenho por avançar. E, em avançando, como foi o caso de Antônio Carlos, acabou por criar uma empresa que hoje é o sustento de muitas famílias, ou seja, venceu a adversidade e multiplicou os benefícios.

A provação da riqueza
Entre as ilusões terrenas, nascer com todas as possibilidades ao alcance da criatura soa como um dos maiores privilégios da existência, porém, não é assim que as coisas se processam na realidade imaterial do espírito. Como se diz, o dinheiro não compra a felicidade e a paz, tampouco é sinal de virtude ou imperfeição. Virtudes e imperfeições são características do espírito, jamais da situação econômica do indivíduo. E ampliar as primeiras e rejeitar as segundas, pois, são os grandes desafios a que o homem rico é chamado diante da facilidade material.
Por isso é que a prova da riqueza material, conforme ensinam os Espíritos, é uma das mais complexas. Em O livro dos Espíritos, questão 816, Kardec indaga aos mentores sobre a questão pertinente à riqueza: “Se o rico tem mais tentações, não tem também mais meios de fazer o bem?”. Respondem os espíritos: “É justamente o que nem sempre faz; torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. Suas necessidades aumentam com a riqueza e ele acredita nunca ter o suficiente.” Ao que Kardec complementa: “A riqueza e o poder despertam todas as paixões que nos ligam à matéria e nos afastam da perfeição espiritual; é por isso que Jesus ensinou: “Em verdade vos digo que é mais fácil um camelo* passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”.
Jesus, em sua imensa sabedoria, via o grande perigo do apego material já em seu tempo, e situa isso como um dos impedimentos para que o indivíduo alcance o reino dos céus. Imerso em pensamentos de glória e poder, o homem apegado aos bens materiais geralmente se esquece de que está na Terra apenas de passagem, o que o faz desinteressar-se pela vida futura. Todavia, obviamente que ao rico não está fechada as portas do mundo espiritual. Pode-se perfeitamente vencer a provação da riqueza. Como? Não se trata de tarefa simples, porquanto para vencer qualquer provação é preciso que se utilize o empenho por superar as limitações. Mas é possível vencer a prova da riqueza ao trabalhar a generosidade. Não se trata de dar tudo o que se tem aos pobres e vagar pela miséria, uma vez que deixar de beneficiar pessoas para tornar-se um peso para a sociedade não é meritório.
Há um fator interessante a considerar: a diferença das aptidões. Nem todas as criaturas possuem a mesma capacidade, inteligência e condições para administrar grandes somas, daí que distribuir tudo a todos é contraproducente. Eis, então, que o homem abastado pode utilizar de forma inteligente seus recursos, promovendo o progresso e fazendo com que os bens que estão temporariamente sob seus cuidados, sejam motivos de evolução aos outros, assim como o empresário citado acima.
E como utilizar os recursos de forma inteligente? O empresário que se preocupa em oferecer excelentes condições de trabalho e benefícios às famílias dos empregados; o rico que investe grandes somas em pesquisas para descobrir a cura de determinadas doenças; o investimento em instituições sociais que desenvolvem trabalho eficiente junto às comunidades carentes; e muitos outros. Enfim, as possibilidades de não deixar que o dinheiro escravize são inúmeras, é preciso que o indivíduo olhe amorosamente para seu entorno e procure – efetivamente – o bem e a dignidade que pode ajudar a construir. Lembrando, pois, que a riqueza é um empréstimo e que lhe será pedido a prestação de contas ao final da existência, a respeito do uso que haja feito em função da coletividade.

A provação da miséria
Se a prova da riqueza inclina o homem às más tendências, a prova da miséria não fica atrás. Em O livro dos Espíritos, questão 815, Kardec questiona os sábios da espiritualidade: “Qual das duas provas é a mais terrível para o homem, a miséria ou a riqueza?” E os mentores respondem: “Tanto uma como outra; a miséria provoca a lamentação contra a Providência; a riqueza estimula todos os excessos.”
Enquanto uma suscita os exageros, a outra pode provocar a rebeldia ou a revolta contra Deus, atribuindo à Divindade a causa de seus próprios males. Não é raro estabelecer a velha comparação: “Mas por que meu vizinho nasceu em lar abastado, tem facilidades de todos os tipos e eu passo por privações do mínimo necessário?” Eis que a resposta é encontrada em o próprio O Livro dos Espíritos, questão 814: “Por que Deus deu a uns riquezas e poder e a outros a miséria? Para experimentar cada um de maneiras diferentes. Aliás, vós já o sabeis, essas provas foram os próprios Espíritos que escolheram e, muitas vezes, nelas fracassam.”
Cada espírito que passa pela Terra tem o aprendizado que precisa em favor de sua própria evolução. Se a prova dos abastados é resistir aos arrastamentos às paixões funestas, aos excessos, à tentação do poder e do status, também terão a oportunidade de se fazerem exemplos para os demais através de sua conduta reta e dignificante; Ao que nasce na pobreza, por sua vez, é dado aprender o valor do trabalho árduo, resistir às tentações do ganho fácil, descobrir os valores reais do espírito, e não raro se vê entre a pobreza as mais dignas demonstrações de solidariedade.

A inversão dos valores
Quem não soube trabalhar adequadamente os bens materiais nascerá, necessariamente, na pobreza na próxima vida? Não necessariamente, mas a lógica da reencarnação como bendita escola da evolução humana coloca que quando os valores nobres do espírito não são descobertos ou utilizados com a ferramenta oferecida por Deus, certamente a Vida trocará de ferramenta. Eis aí a possibilidade da inversão dos papéis sociais, a fim de que o indivíduo aprenda a valorizar as oportunidades que lhe são concedidas. Tudo aquilo que é desvalorizado pode ser perdido para que haja o processo de reflexão, e a criatura compreenda a importância de não se deixar passar em branco as chances de progresso ensejadas pelo Criador.
Seja na pobreza ou na riqueza, no entanto, vale o esforço, conforme orientam os espíritos a Kardec, de cada indivíduo no enobrecimento de si mesmo, utilizando a realidade que lhe foi permitida. E qual a meta? “Amarás o senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este o maior e primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhantes a esse: amarás o teu próximo, como a ti mesmo – Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos” (Mateus, 22:37-40).


Wellington Balbo (Bauru – SP) é membro da Rede Amigo Espírita
Wellington Balbo é professor universitário, escritor e palestrante espírita, Bacharel em Administração de Empresas e licenciado em Matemática. É autor do livro "Lições da História Humana", síntese biográfica de vultos da História, à luz do pensamento espírita, e dirigente espírita no Centro Espírita Joana D´Arc, em Bauru.
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