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terça-feira, 16 de abril de 2013

BALANÇO AOS SETENTA







Há muito não escrevo. Somente poemas. 
Usando as palavras de Leonardo Boff, dentro de alguns dias, estou ficando “oficialmente velha”. Tenho, na reclusão em que vivo, por força das circunstâncias, feito um balanço dos meus setenta anos. E posso dizer, com alegria, que tudo valeu a pena!
Valeu a pena o sangue vertido, a dor sufocada, as lágrimas derramadas, o caminho percorrido, as amizades conquistadas, o estudo contínuo e profundo, varando madrugadas, os livros escritos, os amores vividos e perdidos, as gargalhadas retumbantes pela casa.
Valeu a pena ter nascido num lar, onde fui muito amada, tive uma infância plena de alegrias, surpresas, descobertas. As famílias de meu pai e minha mãe são famílias maravilhosas, com as quais aprendi os valores básicos que sempre nortearam minha vida.
Tive uma adolescência feliz, com travesseiros molhados por causa de falsos príncipes, festas gostosas, conversas jogadas fora, repreensões severas por chegar a casa depois da hora marcada; enfim, uma adolescência como os outros de minha geração, que tiveram famílias bem estruturadas.
Minha juventude também me traz doces lembranças. O tempo da Faculdade, em que saíamos pelas ruas de Montes Claros, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, cantando, com Vandré, felizes e cheias de esperanças: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Os namoros, os noivados, o casamento. Experiências fabulosas!
 Depois os cursos de pós na PUC, com turmas fantásticas, em que dividíamos experiências e sempre íamos para o “boteco”, beber cerveja e papear, depois das oito horas de aulas.
A maternidade tão desejada! A vida repetida na filha e, hoje, na neta. Tesouros preciosos! Os mais belos presentes que a Vida me deu.
Os Congressos por todo lado. Viajando todo o país, dando cursos e fazendo palestras. Conhecendo gentes diferentes, comidas estranhas, sotaques cantantes, arquiteturas maravilhosas e deixando amigos aqui e acolá...
Sozinha? Quem disse? Em primeiro lugar, adoro minha própria companhia, a companhia dos bons autores, da música e dos escritos... Amigos, graças a Deus e ao Amor que tenho espalhado, encontro-os por toda parte.
Sou puro Amor! E não me assusta a velhice! Em primeiro lugar, estou sempre diante da Divina Presença. Deus permeia toda minha vida e eu O vejo e sinto em toda a Sua Criação. Ele é o meu maior amigo.
Depois, tenho amigos excelentes, que garimpei pelo Caminho. Eles estão sempre, de alguma forma, presentes em minha vida.
Ainda tenho, também, a companhia de meus sonhos, esperanças e projetos. Pretendo viver muito, mas estou pronta para partir a qualquer hora. Nada de bagagem. Apenas meus erros e acertos. Apenas o que sou. A mulher que me tornei.
Em resumo:
Se fosse para voltar
Eu voltaria...
De novo todas as dores
Eu sofreria.
Pois foram as paixões
Que me ensinaram a amar.
Foram as loucas decisões
Que acabaram por me dar o siso.
Foi caindo que aprendi,
Foi chorando que conheci o riso.
O riso solto, alegre, livre...
Ah, eu voltaria sim
E teria os mesmos sonhos
Que me trouxeram até aqui.
Seria a menina curiosa
Que logo aprendeu a ler
E mil viagens pode fazer
Através dos mil autores
Que encheram de luz e felicidade
A minha infância e mocidade.
Seria aquela jovem atrevida
Que não aceitava peias,
Pois livre imaginava a vida.
Voltaria sim
Porque tudo valeu a pena.
E, hoje, é uma doce saudade
O porto seguro de meus pais,
As noites de serenata
e os tempos dos ais!
É a fruta madura
Que vale tirar do pé.
É a vida bem vivida
Que merece que perdure a Fé...
Maria Luiza Silveira Teles

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