BOAS VINDAS

Seja bem vindo! Espero que aqui encontre alento, beleza, amor e paz! E que possa espalhar isto para o mundo, que vive tão sedento de tudo isto.



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sábado, 28 de dezembro de 2013

LÁGRIMA









Nunca sentiste uma força melodiosa
Cercando tudo que teus olhos vêem,
Um misto de tristeza numa paisagem grandiosa?
Ou um grito de alegria na morte de um ser que queres bem?
Nunca sentiste nostalgia na essência das coisas perdidas
Deparando com um campo devoluto
Semelhante a uma virgem esquecida?
Num circo, nunca se apoderou de ti, um amargor sutil.
Vendo animais amestrados
E logo depois te mostrarem
Serem humanos imitando um réptil?
Nunca reparaste na beleza de uma estrada
Cortando as carnes do solo
Para unir carinhosamente
Todos os homens, de um a outro pólo?
Nunca te empolgastes diante de um avião
Olhando uma locomotiva, a quilha de um navio,
Ou de qualquer outra invenção?
Nunca sentiste esta força que te envolve desde o brilho do dia
Ao mistério da noite,
Na extensão da tua dor
E na delícia da tua alegria?
Pois então, faz de teus olhos o cume da mais alta montanha
Para que vejas com toda amplitude

A grandeza infindável da poesia que não percebes
E que é tamanha!



Adalgisa Nery

DO BLOG TODOS OS SENTIDO DE SELMINHA

A LUZ


Ele não tinha sombras. Ele era Luz. Veio para as trevas e as trevas não O reconheceram.
Brilhou em meio à escuridão mas, os que perceberam Sua luminosidade, nada mais desejaram senão apagar a Luz que irradiava.
Ele não tinha sombras porque era perfeito. Nenhum traço de inferioridade lhe manchava a personalidade. Antes que a Terra exalasse seu primeiro suspiro como um planeta propício à vida, Ele já era.
Por isso, muitos O julgaram o próprio Incriado e O confundiram com a Divindade. Mas Ele, sempre correto, esclareceu, desde o primeiro momentoEu vim para cumprir a vontade de meu pai, que está nos céus.
Ele não tinha sombras. Nenhuma culpa, nenhum senão lhe maculava o Espírito.
Por isso, podia estabelecer o convite: Vem e segue-me.
Senhor do mundo, pastor de um rebanho de almas incultas, eivadas de erros e de viciações morais, veio para as conduzir.
Contudo, nem todos lhe ouviram a voz ou O desejaram seguir naqueles tempos.
Por isso, Ele prossegue com o insistente chamado, anunciando as bem-aventuranças do Reino do Pai.
Ele era a Luz. Os que nada desejavam senão espalhar sua própria sombra, O perseguiram, levantando calúnias, engendrando maldade.
Ele respondia com amor. Por onde passava, deixava pegadas luminosas a fim de que os que viessem empós, na fieira do tempo e das vidas, pudessem segui-lO. Quando o desejassem, quando lhe pudessem compreender a mensagem.
Falando com a autoridade de quem faz o que recomenda, Ele se dirigia aos Espíritos perturbadores e infelizes, arrancando-os da insensatez.
A Sua era a mensagem da paz: A minha paz vos deixo, a minha paz vos dou.
Senhor das estrelas, não amealhou bens perecíveis, antes preocupou-se em conquistar corações para o Reino de Deus.
A quem O feria, qual o sândalo que perfuma o machado que o agride, brindava com o aroma da Sua paz.
De tal forma isso impregnava a criatura que não mais O esquecia. E, na poeira do tempo, optava por se entregar a Ele.
Manso como as pombas, jamais se deixou vencer pelos violentos, a eles respondendo com a dignidade da Sua conduta.
Ao soldado que O esbofeteou em plena face, indagou, sem medo: Se disse algo equivocado, aponta meu erro. Mas, se nada disse errado, por que me bateste?
E, quando a hora soou, qual um cordeiro levado ao altar dos holocaustos, Ele se entregou, sem reagir.
E, sozinho, enfrentou o juízo arbitrário dos pigmeus que detinham o poder tolo e temporário: Anás, Caifás, Pilatos.
Ele era o Senhor do Mundo e submeteu-se à justiça comezinha dos homens, ensinando que o exemplo fala mais alto do que as palavras.
Ele era a Luz. Até hoje, Ele brilha e espera.
Espera que as Suas ovelhas lhe atendam ao chamado, reconheçam a Sua voz e descubram que com Ele não mais haverá noite de solidão e amargura.
Que com Ele, não haverá sede de justiça porque Ele é a água viva, que dessedenta para sempre.
Com Ele não haverá carências pois Ele é a plenitude.
Ele é Jesus, o Filho de Deus, o Bom Pastor das nossas almas.
Ele é o Enviado, o Messias aguardado no tempo e anunciado por séculos na voz dos profetas.
Ouçam-no. Sigam-no. Ele é a Luz, o Caminho, a Vida...

Redação do Momento Espírita. Em 20.12.2013.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

AVE MARIA

  

                         
Ave, Maria ! Mãe que por nós vela
                         Do teu trono de eterno resplendores ,
                         Auxilia os teus filhos sofredores,
                         Que padecem a fúria das procelas.


                         Cheia de graça ,estrela entre as mais                                   
belas ,
                         Anjo excelso dos pobres pecadores,
                         Balsamiza ,Senhora,as nossas dores,
                         Tu que por nossas almas desvelas .
 
 
                         O Senhor é contigo, Soberana ,
                         Astro sublime sobre a noite humana ,
                         Sol  que infinitos dons de Deus encerra!
 

                         Bendita és para sempre, Mãe querida,
                         Por teus braços de amor, ternura e vida ,
                         Por teu manto de luz que ampara a terra!


 

Psicografia de Francisco Cândido Xavier 

DEUS CONOSCO



e O chamarão com o nome *Immanuel”.
 ( Isaías, capitulo 7.4)  
       

           Ah, quem dera caíssem dos olhos as vendas que impedem enxergar Jesus como Ele é! Ah, se todo humano pudesse, por um instante, breve que fosse, sentir a paz da Sua constante presença. saber que tê-Lo por perto é incomparável, doce e imensurável! Ninguém é capaz de, como Ele, acolher e reparar incondicionalmente os expurgos da nossa alma e caráter. Ele é a própria Renovação! Jesus não se importa em cuidar das nossas doenças e feridas - do corpo e da alma -, nem que cheire a exclusão toda nossa miserabilidade e pobreza. Ele é Aquele que reverte nossos desertos em oásis. É o Deus conosco, recolhendo para Si, com amor, os descartados humanos, entulhos errantes que somos; refendo-nos, um a um, perfeitos n´Ele! Que Maravilha!

         Por isso e por muito mais, Jesus, o *Immanuel, não pode ser comparado a um deus filosófico, ideológico, cria e serviçal das idéias humanas, ou um mero fruto da elucubração religiosa de "iluminados" - como explicam os entendidos. Ele é, por excelência, a própria presença divina! O Único capaz de estar além, e ao mesmo tempo perto, retendo-nos em Suas mãos... 

           De Jesus, o *Immanuel, há muitas coisas que não podem ser transmitidas por presépios arrumados, igrejas decoradas e coros afinados, como insistem e se dão por satisfeitos alguns . Ele é o Deus da prática! E por isso, embora tão festejado em algumas épocas, agregue tão poucos aliados no dia a dia, gente disposta para mostrá-Lo. O “Immanuel” das cadeias, dos hospitais, dos sem-teto algum,  dos sem-esperança. Deus dos “sem-porquês”, porque é o Deus de todas as respostas. É o Socorro oportuno quando ninguém mais nos nota, quando a fé falha, a religião falta, e na inquietude temos fome, fome de tudo... uma fome que só Ele faz passar, pois a fome que temos é  d´Ele!  

 Jesus é o Emmanuel quando, no extremo da desesperança, faz-nos acreditar em milagres, mesmo que a espera dure toda uma vida. É o Immanuel, quando nosso grito de alerta não alerta, quando os amigos, e os irmãos emudecem... e os homens de boa vontade se tormamegoístas... quando sozinhos desistimos até de nós mesmos. Jesus é  o Deus que não abre mão de ser conosco, Immanuel... “Eis que estarei convosco todos os dias”.
                  Ricardo César Vasconcelos

                                   

domingo, 22 de dezembro de 2013

O VERDADEIRO ESPÍRITO DE NATAL: GENEROSIDADE E AMORR

É Natal e na grande maioria, esse dia do  ano, desperta dentro de alguns um potencial de solidariedade e compaixão, surgem as campanhas contra a fome e a miséria humana, renasce dentro de nós a esperança na humanidade e em sua generosidade. 

Muitas famílias passam juntas esta noite, pessoas perdoam-se mutuamente, desentendimentos são desfeitos, compartilha-se a emoção e a alegria que envolve a história do menino Jesus e a lenda do bom velhinho, tudo gira em torno do amor. É o aval que algumas pessoas precisavam para demonstrar seu carinho e sua gratidão às pessoas que querem bem.

A figura de JESUS simboliza a capacidade humana de ser humilde, generoso, de amar, compartilhar, preocupar-se com o outro e principalmente respeitar as pessoas, independente de classe social, ou mesmo das próprias crenças.

De forma geral, fomos educados dentro de uma concepção filosófico-religiosa onde aprendemos a valorizar o ser generoso, aquele que oferece toda a sua disponibilidade e bens para o outro, sem pedir nada em troca.
Só podemos oferecer o que temos, a generosidade é uma capacidade emocional que se relaciona ao desprendimento e a autoestima.

Quando você oferece algo para alguém esperando algo em troca, isto chama-se na verdade investimento e, portanto, você não está dando nada; quando você oferece algo e cobra o pagamento, isto é venda e, desse modo, o outro tem direito de saber o que está comprando e qual o preço do produto para decidir se o quer ou não.

As relações afetivas de todo tipo, sejam familiares, amorosas, sexuais, fraternas ou quaisquer outras, tem como base o compartilhar de afetos, pensamentos, emoções, respeito mútuo e, portanto, não se trata de investimentos no sentido que coloquei anteriormente, nem de venda. É como a garota que gasta todo seu salário com um lindo presente para seu namorado e na noite de natal ele chega com um pacotinho de bombom e sente-se culpado por ter sido tão mesquinho. Na verdade, nenhum dos dois estava satisfeito e seguro da própria atitude, ela esperava algo mais substancioso, pelo menos mais próximo do esforço que fez para agradá-lo, enquanto deveria, na verdade, reavaliar seu modo de sentir-se passível de ser amada. Esta equação: tenho que oferecer muito para as pessoas perceberem como eu sou legal, e obviamente ser recompensada, são velhas companheiras conscientes ou inconscientes das pessoas que se acham generosas demais para este mundo cruel e mesquinho que não reconhece sua grandeza e generosidade. Na verdade, o centro desta questão é uma autoestima muito baixa, uma dificuldade de perceber o próprio valor.

Como isso é possível numa sociedade capitalista e competitiva como a nossa? Como sermos ‘bons sem nos sentirmos bobos ou nos tornarmos tirânicos?
Aprendemos com nosso desenvolvimento pessoal, que toda relação contém em si algum tipo de troca; buscamos ser aceitos em nossa forma de estarmos no mundo, sermos compreendidos em nossos motivos e principalmente, buscamos ser felizes.

Ser BOM é diferente de ser BOBO, como também querer ser esperto também é diferente de ser generoso.

E qual a diferença entre essas coisas?

O diferencial está na capacidade de perceber-se e aceitar-se, de ser autêntico em suas atitudes, respeitando a si e ao outro. O bobo é aquele que na verdade não sabe do que é capaz e portanto não consegue perceber do que o outro é capaz, justamente por não ter real conhecimento da própria natureza (humana), coloca-se numa posição de total desproteção, tornando-se vulnerável. O esperto é aquele que está sempre tentando ‘levar vantagem em tudo’, mas sempre vestido de bom moço, ele é produto do entendimento equivocado da palavra generosidade. E, finalmente, o bom é aquele que sabe que não é bom nem mau e ao mesmo tempo é simplesmente o 'interjogo' dessas duas forças que existem dentro de nós e as quais procuramos, através de nossa maturidade emocional, aprender a manter em equilíbrio para nos relacionarmos de forma harmoniosa e feliz.

O advento da generosidade é algo maior que o poder econômico. Podemos ser generosos sem necessariamente termos dinheiro, podemos oferecer gratuitamente amor, atenção, solidariedade e principalmente respeito, aprendendo a olhar as pessoas que estão à nossa volta como seres humanos, não apenas enxergando seus defeitos, mas as suas qualidades e potenciais pessoais.

Desejo a todos um Natal generosamente fraterno e feliz.

Sirley Bittú  - PSICÓLOGA - BLOG STUM

sábado, 21 de dezembro de 2013

PASSAGENS



Desde dentro do miolo da vida
Tudo está em estado de passagem
Na rotação constante do movimento
No suceder rítmico de toda paragem.

Nas pelejas agridoces do cotidiano
Podemos renascer a cada momento
Dos desafios entre o velho e o novo
Rebentam os lampejos de renovamento.

Viver é arriscar e partejar todo dia
Nesse fluxo permanente de mutação
Inventando sempre novos compassos
Na cadência da dança de cada estação.

Urdir as tranças de nossas sagas
Com os pés bem fincados no chão
E os sonhos roçando as estrelas
Com o pulsar pregnante do coração.

Enveredar nosso destinamento
Nas encruzilhadas de espinho e flor
Pelas trilhas tortas das andanças
Vicejar as in-tensidades do amor.

Assim a vida singra seu destinar
Em estado constante de travessia
Como as proezas das curvas do rio
Nas torrentes de remanso e ventania.



Miguel Almir Araújo

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

CONVITE AO DESPRENDIMENTO




"Não ajunteis para vós tesouros 
na terra, onde a traça e a ferrugem
os consomem, e onde os ladrões
penetram e roubam..."
(Mateus: 6-19.)

Desprendimento na qualidade de desapego, não de estroinice nem dissipação.
Todo e qualquer motivo que ata à retaguarda sob condicionamentos retentivos se transforma em cadeia escravizante.
Os objetos a que o homem se apega valem os preços que lhes são emprestados, constituindo-se elos a impedirem o avanço do possuidor, na direção do futuro...
Desapego, portanto, em forma de libertação do liame pessoal egoístico e tormentoso que constitui presídio e patíbulo para quem se fixa negativamente como para aquele que se faz vítima afetiva.
Liberta-se das aflições constritivas, asfixiantes, para marchar com segurança.
Doa com alegria quanto possas, generosamente.
O que distribuis com equilíbrio e lucidez multiplica-se, o que reténs reduz-se.
Abundância, como excesso engendram miséria e loucura.
Distende assim, mão generosa na alfândega da fraternidade, mas liberta-te da emotividade desregrada, da posse afetuosa e objetos, animais e pessoas, porquanto mais carinhos que te mereçam, mais devoção que lhes dês, chegará o dia de atravessares o portal do túmulo, fazendo-o soledade, livre de amarras ou jungido ao que se demorará, a desgastar-se pela ferrugem, pelo azinhavre, corroído ou simplesmente em trânsito por outras mãos ante a tua tormentosa impossibilidade de reter e interferir.

Aujtor:  Joanna de Ângelis
 

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

DEUS DE ETERNA BONDADE


"Deus de eterna bondade, em prece de louvor entrego-te minha alma, sê bendito meu pai em todos os recursos, ferramentas, processos e medidas dos quais te utilizasses à fim de que eu perceba que tudo devo à ti.

Agradeço-te, pois o tesouro da vida,
A presença do amor,
A constância do tempo,
O sustento da fé,
O calor da esperança que me acena o porvir,
O santo privilégio de servir,
O pensamento reto que me faz discernir o que é mau e o que é bem, na clara obrigação de nunca desprezar ou de ferir alguém...
Agradeço-te ainda, a visão das estrelas a esmaltarem de glória o lar celeste, as flores do caminho, os braços que me amparam e os gestos de carinho dos corações queridos que me deste.
Por tudo te agradeço e QUANDO te aprouver despojar-me dos bens com que me exaltas...
Ensina-me senhor a devolver tudo o que me emprestas-te...
Mas por piedade ó pai, deixa-me em tudo por apoio e dever, a benção de ACEITAR e o dom de COMPREENDER.

Assim seja.

Autor desconhecido. 
do blog "Espiritismo Preces"

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

POEMA DE RÚMI



Faltam-te pés para viajar?

Viaja dentro de ti mesmo,
e reflete, como a mina de rubis,
os raios de sol para fora de ti.
.
A viagem conduzirá a teu ser,
transmutará teu pó em ouro puro.

 .

ENTREVISTA SOBRE O POETA INDIANO,RÚMI



“Hei de lançar-me bêbado sem medo
a contemplar a alma do universo:
ou meus passos se apressam ao destino,
ou perco a vida, além do coração” (Rûmî)
IHU On-Line - Qual é a atualidade da poética de Rumi?
Faustino Teixeira -
 A poesia tem a força fabulosa de transformar a função natural das palavras. Na transmutação poética, a palavra destaca-se de sua função natural de reproduzir as coisas e deixa-se guiar pelas asas da imaginação criadora. Michel de Certeau  fala em “manipulação técnica”, mediante a qual as palavras se vêem atormentadas para poder dizer aquilo que literalmente não podem expressar. A poesia tem esse poder encantador de dar asas à imaginação para poder expressar o “rumor das coisas”, e se aproximar da “matéria volátil e incandescente da vida”. A poesia mística de Rûmî tem esse maravilhoso dom de nos despertar para o Real ensolarado que se camufla no coração de toda realidade. Ele diz num de seus mais lindos poemas, que “dentro deste mundo há outro mundo impermeável às palavras”. Para acessar esse mundo, é necessário ter um coração polido e transformar a paisagem interior. Há que lavar as mãos e o rosto “nas águas deste lugar” para poder sorver a riqueza de cenários que são inusitados.  É importante essa educação da sensibilidade para poder lutar contra um mundo marcado pelo “desgaste da compaixão”. O que é sempre atual na poética de Rûmî é a convocação ao amor. A seu ver, é a chama do amor que mantém a perseverança dos buscadores e faz despertar em seu coração o “perfume do Sedutor”. É a flama do amor que possibilita aos “amigos de Deus” captar o “perfume difuso” do Mistério maior que se espraia pela criação e história, convocando-os ao dinamismo de hospitalidade e solidariedade.
IHU On-Line - O que essa poética pode ensinar ao homem contemporâneo em termos de cultivo do espírito? 
Faustino Teixeira -
 O grande líder religioso mundial Dalai Lama  tem mostrado de forma muito clara a importância da distinção entre espiritualidade e religião. A espiritualidade relaciona-se com qualidades específicas do espírito humano, que podem ser desenvolvidas em alto grau também em pessoas não religiosas. São qualidades como a cortesia, o amor, a compaixão, a delicadeza, o cuidado, a hospitalidade, a solidariedade etc. Na poética de Rûmî, todas essas qualidades estão presentes de forma muito rica e trazem um ensinamento muito preciso aos nossos contemporâneos. Para ele, e tantos outros místicos de tradições diversificadas, o coração é a porta de entrada para a percepção do Real, é o órgão sutil, por excelência, da percepção mística. Não há como cultivar o espírito sem o trabalho incessante e diuturno de purificar o coração. Como diz o evangelho de Mateus, os “puros de coração” verão a Deus (Mt 5,8). Em várias passagens de sua poética, Rûmî sinaliza que os puros de coração mostram-se capazes de acolher a diversidade, de atuarem movidos pelos dons do cuidado, da generosidade e da delicadeza para com os outros.  Os valores que se desdobram da “lógica do coração” são bem diversos dos contra-valores que dominam hoje na racionalidade do mercado: a competição, a produtividade, o sucesso, o individualismo, o lucro, a vantagem a todo custo e o consumismo. Nesse sentido, a poética de Rûmî aponta para um horizonte distinto.
IHU On-Line - Rumi dizia que o espírito não está confinado aos limites da identidade, não sendo nem judeu, cristão ou muçulmano. Como essa idéia pode fomentar o diálogo inter-religioso na atualidade? 
Faustino Teixeira -
 Há um belo poema de Rûmî, no divan de Shams de Tabriz, no qual ele diz que não se reconhece como cristão, judeu ou muçulmano; nem como alguém do Ocidente ou do Oriente, nem “das minas, da terra ou do céu”. Não se reconhece como sendo feito de terra ou argila, mas como alguém que habita na sombra do Amado. Ele sinaliza que o seu lugar é o “não-lugar”, que venceu o dois e segue sempre a cantar e buscar o Um. O seu canto e sua dança traduzem a sede da Unidade. Não existem para ele nós ou vínculos que o impedem de sonhar com a ecumene universal. Talvez seja um dos místicos mais abertos à cortesia e hospitalidade inter-religiosos. O que mais importa para ele não são os nomes e a as formas, o que é espuma e está na superfície. Sua sede mais funda é da água pura, das qualidades mais profundas, que tocam a essência que está para além dos namarupa (nomes e formas). São qualidades que estão presentes e vivas em todo coração generoso e aberto, ainda que suas expressões não se adequem às regras das ortodoxias. Em passagem muito citada de seu mathnawi, Rûmî destaca o valor da oração simples e afetuosa de um pastor, animada por um coração que arde de amor. Ela se faz mais importante que muitos ritos enclausurados em sua exterioridade. E assinala que os verdadeiros mergulhadores não precisam de sapatos.
 
  
IHU On-Line - Como o amor enquanto presença e ausência se faz notar nas obras do poeta?
Faustino Teixeira -
 Para Rûmî, o amor é a expressão mais clara da sede metafísica que anima os amantes em sua busca do Mistério maior, simultaneamente transcendente e imanente (tashbih e tanzih). É a flama do amor que inspira a flauta de bambu (ney), arrancada de sua raiz, a desvelar os segredos mais íntimos do Amado criador de todas as coisas. O tema do amor está presente tanto em sua produção poética como na sua prosa. O ser humano, como a cana de bambu (flauta), traz consigo o grito de alguém que foi destacado de sua fonte, mas que anseia pela integração no mistério do Uno. É nesta árvore da Unidade que o ser humano pode encontrar a verdadeira paz. Na visão de Rûmî, mesmo sem poder compreender o mistério desta árvore, é na sua sombra que se desvela um caminho alternativo: “Se não posso compreender que árvore é essa, contudo sei que, depois que deitei meu olhar sobre ela, meu coração e minha alma se tornaram frescos e verdes. Vou então me colocar à sua sombra”.
IHU On-Line - Leonardo Boff  aproxima São Francisco e Rumi em função de suas experiências místicas radicais. Em que sentido podemos reinterpretar essas duas trajetórias a fim de resgatar a autenticidade do homem reencontrado com o cosmos?
Faustino Teixeira -
 Rûmî e São Francisco  são contemporâneos. Quando Rûmî nasceu, São Francisco tinha 26 anos. Os dois viveram quase no mesmo período. Mesmo sendo de lugares diferentes, Pérsia e Itália Central, partilharam de valores e ideais muito semelhantes. Como sublinhou Boff, “ambos são expressões notáveis do tempo do eixo ou do Espírito no mundo”. Os dois foram portadores de uma missão kairológica, de um tempo seminal, grávido de esperança, vida e hospitalidade. Os dois nunca se encontraram, mas muitos pontos comuns os irmanam, como o amor pelos mais simples, a humildade radical, a pobreza e a paixão pelo cosmo sagrado.
 
 
IHU On-Line - Quais foram os ecos do lançamento do livro O canto da Unidade?
Faustino Teixeira -
 O livro foi lançado no dia 18 de outubro, no Rio de Janeiro, na livraria Letras e Expressões (Leblon). Foi um evento marcado por muita alegria e informalidade. Estavam presentes não só os dois organizadores do livro, Marco Lucchesi e Faustino Teixeira, como também dois dos autores de artigos publicados no livro: Leonardo Boff e Mário Werneck .
 
Não há como deixar de destacar o resultado do trabalho editorial de Armando EriK e sua equipe (editora Fissus). O livro apresenta uma capa extremamente feliz, de autoria de Daniela Cronolly de Carvalho, e uma apresentação gráfica de primeira qualidade. Vale também destacar o lindo texto de Pablo Beneito  e Pillar Garrido  que apresentam a obra.
IHU On-Line - Quais são as maiores dificuldades de se traduzir Rumi e de tornar sua obra conhecida?  
Marco Lucchesi -
 São muitas e bem variadas. Primeiro o volume. Rumi é um poeta oceânico. A vastidão de sua obra e a variedade das formas poéticas assumidas representam algo comparável à obra de Dante  ou de Petrarca . Depois, o problema do acesso às edições críticas e isentas de um emaranhado de autoria e remissão. O trabalho monumental de Furuzanfar dá bem a idéia do que vamos dizendo. Não fossem bastantes esses desafios, a língua de Rûmî guarda uma extrema complexidade, que vai além do estudo da gramática persa, mas que se localiza na riqueza de suas metáforas e alegorias, translatos, similitudes inesperadas e remissões delicadíssimas. Finalmente, a música do original e a sua releitura na língua de chegada, com a sua tradição poética. Foi trabalho intenso em que a presença de Rafi Moussavi se mostrou essencial.    
IHU On-Line - Quais são as maiores peculiaridades de sua poética? 
Marco Lucchesi -
 A de uma simplicidade absoluta, praticamente inatingível. Água pura. Água de fonte cristalina. As metáforas surgem em estado larval. As imagens tomam um sentido físico, táctil e visual. Como se víssemos a coisa. Mesmo quando não. Como se a descobríssemos áspera e forte, mesmo como promessa de um estado que ainda não se completa. Temos uma cascata de imagens. Imagem de imagem. Alusão de alusão. Alegoria de alegoria. E o resultado muitas vezes não deixa de ser vertiginoso, de saltos largos, de elementos que se mostram, de tão claros, quase nebulosos.  A dialética do véu e do rosto. Quando muito o primeiro. Raras vezes o segundo. Quase um suplício, de espera de promessa.  E – como diria Machado – se nem sempre compreendemos, a culpa é do leitor e não do poeta...
IHU On-Line - Como percebe o uso de uma lógica não linear em seus poemas?  O que essa poética pode ensinar ao homem contemporâneo em termos de  cultivo do espírito?
Marco Lucchesi -
 A poesia mística não está além ou acima, ao lado ou ao longe das categorias poéticas e de suas lógicas plurais. Deslocamentos. Inversões. Dislates aparentes. Absurdos luminosos. Metonímias. E grandes repertórios de metáforas. São elementos que pertencem à poesia mística e não mística. E Rûmî permanece vivo e autônomo (diante de outras de suas inúmeras facetas) como poeta de marca. E do muito que se pode aprender com ele, Faustino Teixeira e Leonardo Boff já o disseram com acerto. E também Mário e Heliane. Quanto a mim, penso que a leitura de Rûmî para o leitor atual é a de um poeta que, pela beleza de sua obra, é tão ou mais contemporâneo do que nós, e nos acena para um exercício de silêncio e abandono ativo, que caracteriza a digital da poesia.

do blog Portal dos Anjos

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O PAI NOSSO DA ETERNIDADE


Sagrado Princípio, Divino Espírito Emanador,
Pai Onisciente, Onipresente e Onipotente,
Cujas Leis Fundamentais resumem o Amor,
A Virtude Divina que embala eternamente.

Teu Sacro Nome é Santo por Essência,
Dispensa os conceitos de homem qualquer,
E quando o homem for bom, por decência,
Com o Amor triunfará, porque este é o Mister.

Teu Reino é Amor, Inteligência e Glória,
Em cada espírito está, nos seus fundamentos.
E para desabrochar, vive o homem sua história,
Como bem ensinam, todos os Testamentos.

Tua Vontade é Lei, acima de humanos conceitos,
Nem tarda nem falta, mas oferece reparações,
E todos assim aprendem, e executam preceitos,
Sobem na Escala, e atingem Divinos Escalões.

Sendo acima de infernos e de humanos céus,
De tempos e locais, tão humanos e relativos,
A todos convida, para que deixem de ser labéus,
Desabrochem o Amor, e sejam da Glória cativos.

Teu pão é o Amor, e dele é feita a Vitória,
Porque o do mundo passa, é apenas peregrino,
E quem disto vem a saber, demanda à Glória,
Aquela união vibracional, o Sagrado Destino.

Em Tua Justiça a Harmonia tudo representa,
Com a dor e a tormenta, concita à reparação,
De cada qual faz o juiz, como a Lei sustenta,
Porque é da experiência, que surte a solução.

Há testes, não tentações… E há que triunfar,
E para todos conhecerem, enviaste Revelações,
Dizendo que o Reino, ninguém fora irá realizar.
Visto que estão no homem, as Divinas Equações.

Assim sejam, portanto, Tuas Leis cumpridas,
E Tuas centelhas, que foram de Ti emanadas,
Crescendo na Verdade, virão a ser unidas,
Verbos Teus serão, cumprindo Missões Sagradas.

Desconheço autoria

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O MAGNETISMO DA ÁGUA



O contato da água no corpo provoca um estímulo magnético que percorre todo o organismo, deixando-o calmo, e preparando-o para o sono reparador ou para as lutas de cada dia. O banho diário, quando encontra na mente apoio, torna-se um passe. Além das virtudes curativas da água, enxertar-se-ão fluidos magnéticos, de acordo com a irradiação da alma.
 A disciplina dos pensamentos é uma fonte de bem-estar na hora da higiene do instrumento carnal. No instante do banho é preciso que se entenda a necessidade da alegria, que nosso pensamento sustente o amor, até um sentimento de gratidão à água que nos serve de higiene.  Visualize, além da água que cai em profusão, como fluidos espirituais banhando todo o seu ser. O impulso dessa energia destampa em nosso íntimo a lembrança da fé, da esperança, da solidariedade, do contentamento e do trabalho.
Por este motivo, banho e passe, conjugados, são uma magia divina ao alcance de nossas mãos.
O chuveiro seria como um médium da água e dele sai o fluido que vivifica o corpo. Poder-se-á vincular o banho ao passe, e ele poderá ser uma transfusão de energias eletromagnéticas, dependendo do modo pelo qual nós pensamos enquanto nos banhamos.Uma mente ordenada na alta disciplina e pela concentração, em segundos, selecionará, em seu derredor, grande quantidade de magnetismo espiritual e os adicionará, pela vontade, na água que lhe serve de veículo de limpeza física, passando a ser útil na higiene psíquica. Observem que, ao tomar banho, sentimo-nos comovidos, a ponto de nos tornarmos cantores! E a alegria advinda da esperança nos chega da água, que é portadora dos fluidos espirituais, que lhes são ajustados por bênção do amor. O lar é o nosso ninho acolhedor e nele existem espíritos de grande elevação, cuja dedicação e carinho com a família nos mostrará como Deus é bom. Essa assistência atinge, igualmente, as coisas materiais, desde a harmonização até o preparo das águas que nos servem. Quantas doenças surgem e desaparecem sem que a própria família se conscientize disso? É a misericórdia do Senhor pelos emissários de Jesus, operando na dimensão oculta para os homens, e encarregados de assistir ao lar. Eles colocam fluidos apropriados nas águas para o banho e nas que bebemos. E, quando eles encontram disposições mentais favoráveis, alegram-se pela grande eficiência do trabalho.
Na hora das refeições, é sagrado e conveniente que as conversas sejam agradáveis e positivas. No momento do banho, é preciso que ajudemos, com pensamentos nobres e orações, para que tenhamos mãos mais eficientes operando em nosso favor. Se quisermos quantidade maior de oxigênio nitrogenado, basta pensarmos firmemente que estamos recebendo esses elementos, e a natureza nos dará isto, com abundância.
 É o “pedi e obtereis”, do Cristo.
 E, com o tempo, estaremos mestres nessa operação que pode ser considerada uma alquimia. A alegria tem também bases físicas. Um corpo sadio nos proporcionará facilidades para expressar o amor.
Quando tomar o seu café pela manhã, tome convicto(a) de que está absorvendo, juntamente com os ingredientes materiais, a porção de fluidos curativos, de modo a desembaraçar todo o miasma pesado que impede o fluxo da força vital em seu corpo. E sairá da mesa disposto (a) para o trabalho, como também para a vida.
Despeça-se de sua família com carinho e atenção e deixe que vejam o brilho otimista nos seus olhos, de maneira a alegrar a todos que o amam; assim, eles lhe transmitirão as emoções que você mesmo despertou neles e isso lhe fará muito bem.
Lembre-se de que um copo de água que tome, onde quer que seja, pode ser tomado e sentido como um banho e passe internos. Não se esqueça de bebê-lo com alegria e amor, lembrando com gratidão de quem lhe deu essa água tão necessária, pois se ela vem rica de dons espirituais, aumentará a sua conexão com o divino poder interno.
É muito bom estar consciente a cada coisa que nos acontece e estar agradecido, se sentindo abençoado(a) e cheio(a) de amor. A consciência, a gratidão e o amor são dois caminhos paralelos, que a felicidade percorre com alegria.


 Mensagem atribuída a André Luiz, através da psicografia de Chico Xavier

domingo, 8 de dezembro de 2013

O AMOR A SI MESMO


A síntese proposta por Jesus, em torno do amor, é das mais belas psicoterapias que se conhece: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Ante a impossibilidade de o homem amar a Deus em plenitude, já que tem dificuldade em conceber o absoluto, realiza o mister, invertendo a ordem do ensinamento,amando-se de início, a fim de desenvolver as aptidões que lhe dormem em latência.
Esforçando-se para adquirir valores iluminativos a cada momento, cresce na direção doamor ao próximo, decorrência natural do autoamor, já que o outro é extensão dele mesmo.
Então, finalmente conquista o amor a Deus, em uma transcendência incomparável, na qual o amor predomina em todas as emoções e é o responsável por todos os atos.
O Espírito Joanna de Ângelis, através da mediunidade de Divaldo Franco, apresenta a necessidade primeira de autoamor, como alavanca fundamental para a conquista de todas as esferas desse sentimento supremo.
Mas, de que forma amar a si mesmo?
como a si mesmo, da proposta de Jesus, é um imperativo que não deve ser confundido com o egoísmo, ou o egocentrismo.
Amar a si mesmo significa respeito e direito à vida, à felicidade que o indivíduo tem e merece.
Trata-se de um amor preservador da paz, do culto aos hábitos sadios e dos cuidados morais, espirituais e intelectuais para consigo mesmo.
É sempre estar fazendo as melhores escolhas para si mesmo, vendo-se como Espírito imortal, sem nunca deixar de respeitar, obviamente, o bem comum.
Quando escolho amar mais minha família, dedicando-me inteiramente aos relacionamentos, cultivando a paciência e a tolerância, estou amando a mim mesmo.
Quando escolho perdoar e deixar de levar comigo o peso de uma mágoa, estou amando a mim mesmo.
Quando escolho aprender, buscando aprimoramento intelectual nas áreas do conhecimento de meu interesse, estou me autoamando.
Quando me aceito como sou e vejo em minhas imperfeições situações temporárias - uma vez que me esforço para corrigir meus erros - estou amando a mim mesmo.
Quando me dedico, diariamente, ao exame de consciência, à meditação, ao autoconhecimento, estou dando provas de amor a mim mesmo.
São exemplos de atitudes, de pensamentos e sentimentos que elevam nossa autoestima - que é este julgamento que fazemos de nós mesmos - e nos empurram sempre para frente, para a felicidade.
O autoamor proporciona uma visão mais clara de quem se é, do que se deseja e do que não se deseja para si.
É através dele que estabelecemos metas para nossa existência: metas educacionais, familiares, sociais, artísticas, econômicas e espirituais, pensando em nós não apenas agora, mas nos cuidados para com o futuro.
Somos todos importantes. Criaturas únicas no Universo que buscam a felicidade através do aprender a amar: a si, ao outro e a Deus.
Ame a você mesmo... Enquanto é hoje.

Redação do Momento Espírita, com base no cap. 13, do livro Amor, imbatível amor, de Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 15.11.2011.

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