BOAS VINDAS

Seja bem vindo! Espero que aqui encontre alento, beleza, amor e paz! E que possa espalhar isto para o mundo, que vive tão sedento de tudo isto.



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quarta-feira, 30 de julho de 2014

O TRIGO E O JOIO


Parábola do Trigo e do Joio é uma das duas únicas parábolas do Evangelho em que Jesus não apenas transmite o ensinamento, como tem o cuidado de explicá-lo (a outra é a do Semeador).
De forma genérica, a do trigo e o joio reflete as lutas travadas entre o bem e o mal com a vitória final do bem, como podemos conferir nos registros de Mateus (13:24 a 30):
[...] O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo.
Dormindo, porém, os homens, veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo e partiu. Quando germinou o ramo e produziu fruto, então apareceu também o joio. Aproximando-se os servos do senhor da casa, disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde, portanto, terá vindo o joio? E ele lhes disse:
Um homem inimigo fez isso; os servos lhe dizem: Sendo assim, queres que, após sair, o recolhamos?
Ele, porém, diz: Não; para que, ao recolher o joio, não desenraizeis junto com ele o trigo.
Deixai crescer ambos juntos até a ceifa e, no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros: Recolhei primeiro o joio e atai-o em molhos para os queimar; o trigo, porém, reuni no meu celeiro. (1)
A interpretação do Cristo ao próprio ensinamento é a seguinte:
[...] O que semeia a boa semente é o filho do homem. O campo é o mundo. A boa semente, essa são os filhos do Reino. O joio são os filhos do malvado. O inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação da era; os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, assim será na consumação da era. O filho do homem enviará os seus anjos; e recolherão, do seu Reino, todos os escândalos e obreiros sem lei. E os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá o pranto e o ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol, no Reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça! (Mateus, 13:37 a 43.) (2)
Jesus anuncia de forma inequívoca a Era de Regeneração, que nos aguarda no futuro, assim como os embates a que a Humanidade se submeterá a fim de encontrar o caminho definitivo da felicidade verdadeira. A propósito, Bezerra de Menezes adverte:
Se amanhece a madrugada de luz, também ainda existem sombras densas que tomam conta de outros segmentos da sociedade, gerando impedimentos para a propagação da vida, dos bens da vida, pelos interesses mesquinhos que defluem do materialismo e das expressões covardes da mentira e das paixões humanas. (3)
O escritor espírita Rodolfo Calligaris (1913-1975) considera que o campo, citado na parábola, faz referência à Humanidade terrestre; o semeador é Jesus; a semente de trigo é o Evangelho; o joio são as interpretações capciosas dos seus textos; e o inimigo são indivíduos que produzem discórdias onde quer que se encontrem. (4)
A parábola indica também que toda semeadura, boa ou má, estará inevitavelmente atrelada à respectiva colheita que acontecerá no momento oportuno.
[...] E colhe da natureza o que plantou. Do que damos, recebemos.
Toda semente, mais cedo ou mais tarde, de acordo com os dispositivos da Criação, irá crescer e frutificar. Por isso devemos ter o máximo cuidado com o que semeamos no solo do coração, nosso ou do semelhante.
E a semeadura se dá por pensamentos, palavras, gestos e ações. Certamente cada um só pode dar do que possui. À vista disto, precisamos nos suprir do que é útil e do que é bom. (5)
A frase “O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo” indica que possuímos um campo de atuação, moral e intelectual, construído sobre as bases do livre-arbítrio. Como consequência das nossas más escolhas surgem provações existenciais, algumas verdadeiramente dolorosas, que serão amenizadas ou deixarão de existir à medida que aprendermos a semear a “boa semente”. Considerando a explicação de Jesus de que o campo é o mundo em que vivemos, Emmanuel assinala que aí “há infinito potencial de realizações, com faixas de terra excelente e zonas necessitadas de arrimo, corretivo e proteção”. (6)
O versículo 25 do texto evangélico, ora em estudo, informa que “dormindo, porém, os homens, veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo e partiu”. (1)
Esta frase revela o modo de proceder do adversário do Bem, identificado como o “inimigo” na parábola: age em surdina, com o intuito de plantar discórdia e desunião, aproveitando-se do momento de descanso ou de invigilância do trabalhador sincero. Daí a importância de estarmos atentos às influências inferiores que podem surgir a qualquer hora, oriundas de diferentes procedências, inclusive do grupo de trabalho onde atuamos, consoante esta outra instrução de Jesus: “Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede prudentes como as serpentes e inocentes como as pombas”. (Mateus, 10:16.)7
Como reflexão, façamos nossas as palavras do Benfeitor espiritual:
O mundo está cheio de enganos dos homens abomináveis que invadiram os domínios da política, da ciência, da religião e ergueram criações chocantes para os espíritos menos avisados [...].
[...] Mas o discípulo de Jesus, bafejado pelos benefícios do Céu todos os dias, que se rodeia de esclarecimentos e consolações, luzes e bênçãos, esse deve saber, de antemão, quanto lhe compete realizar em serviço e vigilância e, caso aceite as ilusões dos homens abomináveis, agirá sob a responsabilidade que lhe é própria, entrando na partilha das aflitivas realidades que o aguardam nos planos inferiores. (8)
É muito oportuna a recomendação transmitida pelo senhor aos seus trabalhadores, no momento em que foi informado que o joio fora semeado ao lado do trigo:
“Deixai crescer ambos juntos até a ceifa e, no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros: Recolhei primeiro o joio e atai-o em molhos para os queimar; o trigo, porém, reuni no meu celeiro”. (1)
As sutilezas do mal nem sempre são percebidas pelos servidores devotados. Faz-se necessário, então, que a erva daninha cresça junto com a boa semente para que ambas possam ser identificadas, sem equívocos ou falsas suposições.
Somente assim a ceifa ocorrerá, em condições harmônicas, sem prejuízos de qualquer natureza.
Importa considerar que a parábola destaca dois tipos de trabalhadores: os denominados servos, incumbidos de semear a semente, e os ceifeiros, responsáveis pela colheita, propriamente dita. Os primeiros somos nós, todos os trabalhadores convocados para servir na seara do Evangelho, cultivadores da boa semente, de acordo com nosso entendimento e disposição.
Os segundos, os ceifadores ou “anjos” – segundo a explicação de Jesus –, pertencem à outra categoria de trabalhadores: são os servidores especializados que, por já conseguirem manter sintonia permanente com as fontes do bem, apresentam condições evolutivas que os habilitam a separar o bem do mal e dar destinação específica para cada um. O plantio pode ser feito por qualquer um de nós, aprendizes do Evangelho, mas a ceifa cabe aos ceifeiros, os Espíritos superiores.
O joio, ao brotar, é muito parecido com o trigo, e arrancá-lo antes de estar bem crescido seria inconveniente, por motivos óbvios.
Na hora de produção dos frutos, em que será perfeita a distinção entre ambos, já não haverá perigo de equívoco: será ele, então, atado em feixes para ser queimado. Coisa semelhante irá ocorrer com a Humanidade.
Aproxima-se a época em que a Terra deve passar por profundas modificações, física e socialmente, a fim de transformar-se num mundo regenerador, mais pacífico e, consequentemente, mais feliz. (9)
A ceifa expressa o momento final da produção agrícola. No plano individual, trata-se do instante em que a criatura colhe o que cultivou.
O joio reunido em feixes para ser queimado simboliza a aferição do real aprendizado do Espírito, demonstrando que as dificuldades não vêm isoladas, mas formam, quase sempre, um corolário de apreensões e dificuldades que nos cabe superar, exercitando a paciência, a humildade e a confiança em Deus.
O último ensino de Jesus, “o trigo, porém, reuni no meu celeiro”, mostra que no Celeiro divino só há espaço para o bem, para o Evangelho do Reino, representado pela semente de trigo. Praticando o bem estaremos dando expansão ao que há de divino em nós e, em consequência, experimentando a felicidade plena. Assim, sob quaisquer circunstâncias, é imperioso guardar confiança no Senhor, tendo fé em suas promessas e contando com a sua proteção, sobretudo nos momentos de sofrimento em que se faz necessário separar o joio do trigo e aquele seja atado em molhos para serem queimados.

MARTA ANTUNES MOURA
Reformador • Janeiro 2013

terça-feira, 29 de julho de 2014

REFLEXÃO PARA HOJE


“As boas coisas que a vida nos traz são percebidas como boas porque as comparamos com as que consideramos más. É uma atitude sábia aceitar como parte de nossa aprendizagem as dores que precisamos suportar. Nenhum caminho é desprovido de pedras; nem sempre o céu está sem nuvens. A felicidade dependerá da habilidade de cada um em saber aproveitar cada uma das pedras encontradas para com elas construir o alicerce que será a base de sua capacidade de crescer em força e autoestima. Aceite o que a vida lhe traz. Ela é sábia! Mas saiba transformar o sofrimento em sabedoria”.

Maria Luiza

domingo, 27 de julho de 2014

RESIGNAÇÃO NA ADVERSIDADE


O sofrimento é lei em nosso mundo. Em todas as condições, em todas as Idades, sob todos os climas, o homem tem padecido, a Humanidade tem derramado lágrimas. Apesar dos progressos sociais, milhões de seres gravitam ainda sob o jugo da dor. As classes elevadas também não têm sido isentas desses males. Entre os Espíritos cultivados as impressões são mais dolorosas, porque a sensibilidade está mais esmerada, mais apurada. O rico, assim como o pobre, sofre material e moralmente. De todos os pontos do globo o clamor humano sobe ao espaço.
Mesmo no seio da abundância, um sentimento de desânimo, uma vaga tristeza apodera-se por vezes das almas delicadas. Sentem que neste mundo é Irrealizável a felicidade e que, aqui, apenas se pode perceber dela um pálido reflexo. O Espírito aspira a vidas e mundos melhores; uma espécie de intuição diz-lhe que na Terra não existe tudo. Para o homem que segue a filosofia dos Espíritos, essa vaga intuição transforma-se em absoluta certeza. Sabe onde vai, conhece o porquê dos seus males, qual a causa do sofrimento. Além das sombras e das angústias da Terra, entrevê a aurora de uma nova vida.
Para apreciar os bens e os males da existência, para saber em que consiste a verdadeira desgraça, em que consiste a felicidade, é necessário nos elevarmos acima do círculo acanhado da vida terrena, O conhecimento do futuro e da sorte que nos aguarda permite medir as consequências dos nossos atos e sua influência sobre os tempos vindouros.
Observada sob este ponto de vista, a desgraça, para o ser humano, já não é mais o sofrimento, a perda dos entes que lhe são caros, as privações, a miséria; a desgraça será então tudo o que manchar, tudo o que aniquilar o adiantamento, tudo o que lhe for um obstáculo. A desgraça, para aquele que só observar os tempos presentes, pode ser a pobreza, as enfermidades, a moléstia. Para o Espírito que paira no alto, ela será o amor do prazer, o orgulho, a vida Inútil e culposa. Não se pode julgar uma coisa sem se ver tudo o que dela decorre, e eis por que ninguém pode compreender a vida sem conhecer o seu alvo e as leis morais. As provações, purificando a alma, preparam sua ascensão e felicidade; no entanto, as alegrias deste mundo, as riquezas, as paixões entibiam-na e atiram-na para uma outra vida de amargas decepções. Assim, aquele que é oprimido pela adversidade pode esperar e erguer um olhar confiante para o céu; desde que resgata a sua dívida, conquista a liberdade; porém, esse que se compras na sensualidade constrói a sua própria prisão, acumula novas responsabilidades que pesarão extraordinariamente sobre as suas vidas futuras.
A dor, sob suas múltiplas formas, é o remédio supremo para as imperfeições, para as enfermidades da alma. Sem ela não é possível a cura.
Assim como as moléstias orgânicas são muitas vezes resultantes dos nossos excessos, assim também as provas morais que nos atingem são consequentes das nossas faltas passadas. Cedo ou tarde, essas faltas recairão sobre nós com suas deduções lógicas. É a lei de justiça, de equilíbrio moral. Saibamos aceitar os seus efeitos como se fossem remédios amargos, operações dolorosas que devem restituir a saúde, a agilidade ao nosso corpo. Embora sejamos acabrunhados pelos desgostos, pelas humilhações e pela ruína, devemos sempre suportá-los com paciência. O lavrador rasga o seio da terra para daí fazer brotar a messe dourada. Assim a nossa alma, depois de desbastada, também se tornará exuberante em frutos morais.
Pela ação da dor, larga tudo o que é impuro e mau, todos os apetites grosseiros, vícios e paixões, tudo o que vem da terra e deve para ela voltar. A adversidade é uma grande escola, um campo fértil em transformações. Sob seu influxo, as paixões más convertem-se pouco a pouco em paixões generosas, em amor do bem. Nada fica perdido. Mas, essa transformação é lenta e dificultosa, pois só pode ser operada pelo sofrimento, pela luta constante contra o mal, pelo nosso próprio sacrifício. Graças a estes, a alma adquire a experiência e a sabedoria. Os seus frutos verdes e amargos convertem-se, sob a ação regeneradora da prova, sob os raios do Sol divino, em frutos doces, aromáticos, amadurecidos, que devem ser colhidos em mundos superiores.
A ignorância das leis universais faz-nos ter aversão aos nossos males. Se compreendêssemos quanto esses males são necessários ao nosso adiantamento, se soubéssemos saboreá-los em seu amargor, não mais nos pareceriam um fardo. Porém, todos odiamos a dor e só apreciamos a sua utilidade quando deixamos o mundo onde se exerce o seu império. Ela faz jorrar de nós tesouros de piedade, de carinho e afeição. Esses que não a têm conhecido estão sem méritos; sua alma foi preparada muito superficialmente.
Nesses, coisa alguma está enraizada: nem o sentimento nem a razão. Visto não terem passado pelo sofrimento, permanecem indiferentes, Insensíveis aos males alheios.
Em nossa cegueira, estamos quase sempre prontos a amaldiçoar as nossas vidas obscuras, monótonas e dolorosas; mas, quando elevamos nossa vista acima dos horizontes limitados da Terra, quando discernimos o verdadeiro motivo das existências, compreendemos que todas elas são preciosas, indispensáveis para domar os espíritos orgulhosos, para nos submeter a essa disciplina moral, sem o que não há progresso algum.
Livres em nossas ações, isentos de males, de cuidados. deixar-nos-íamos impulsionar pelo sopro das paixões, deixar-nos-íamos arrebatar pelo temperamento. Longe de trabalharmos pela nossa melhoria, nada mais faríamos do que amontoar faltas novas sobre as faltas passadas; no entanto, comprimidos pelo sofrimento, em existências humildes, habituamo-nos à paciência, ao raciocínio, adquirimos essa calma de pensamento indispensável àquele que quiser ouvir a voz da razão.
É no crisol da dor que se depuram as grandes almas. As vezes, sob nossa vista, anjos de bondade vêm tragar o cálice de amargura, como exemplificação aos que são assustados pelos tormentos da paixão. A prova é uma reparação necessária, aceita com conhecimento de causa por muitos dentre nós. Oxalá assim pensemos nos momentos de desânimo, e que o espetáculo dos males suportados com essas grandes resignações nos dê a força de conservarmo-nos fiéis aos nossos próprios compromissos, às resoluções viria que tomamos antes de encarnar.
A nova fé resolveu o grande problema da depuração pela dor. As vozes dos Espíritos animam-nos nas ocasiões criticas. Esses mesmos que suportaram todas as agonias da existência terrestre dizem-nos hoje:
“Padeci, e só os sofrimentos é que me tornaram feliz. Resgataram muitos anos de luxo e de ociosidade. A dor levou-me a meditar, a orar e, no meio dos inebriamentos do prazer, jamais a reflexão salutar deixou de penetrar minha alma, jamais a prece deixou de ser balbuciada pelos meus lábios. Abençoadas sejam as minhas provações, pois finalmente elas me abriram o caminho que conduz à sabedoria e à verdade.” (01)
Eis a obra do sofrimento! Não será essa a maior de todas as obras que se efetuam na Humanidade? Ela se executa em silêncio, secretamente, porém os seus resultados são incalculáveis. Desprendendo a alma de tudo o que é vil, material e transitório eleva-a, Impulsando-a para o futuro, para os mundos que são a sua herança. Fala-me de Deus e das leis eternas. Certamente, é belo ter um fim glorioso, morrer jovem, lutando por seu país. A História registrará o nome dos heróis, e as gerações renderão à sua memória um justo tributo de admiração. Mas, uma longa vida de dores, de males suportados pacientemente, é muito mais fecunda para o adiantamento do Espírito. Sem dúvida que a História não falará então a vosso respeito. Todas essas vidas obscuras e mudas, existências de luta silenciosa e de recolhimento, tombam no olvido, mas, esses que as enfrentaram encontram na luz espiritual a recompensa. Só a dor pode abrandar o nosso coração, avivar os fogos da nossa alma. É o cinzel que lhe dá proporções harmônicas, que lhe apura os contornos e a faz resplandecer em sua perfeita beleza. Uma obra de sacrifício, lenta, contínua, produz maiores efeitos que um ato sublime, porém insulado.
Consolai-vos, pois, vós todos que sofreis, esquecidos na sombra de males cruéis, e vós que sois desprezados por causa da vossa ignorância e das vossas faculdades acanhadas. Sabeis que entre vós se acham Espíritos eminentes, que abandonaram por algum tempo as suas faculdades brilhantes, aptidões e talentos, e quiseram reencarnar como ignorantes para se humilharem. Muitas inteligências estão veladas pela expiação, mas, no momento da morte, esses véus cairão, deixando eclipsados os orgulhosos que antes as desdenhavam. Não devemos desprezar pessoa alguma. Sob-humildes e disformes aparências, mesmo entre os idiotas e os loucos, grandes Espíritos ocultos na matéria expiam um passado tenebroso.
Oh! Vidas simples e dolorosas, embebidas de lágrimas, santificadas pelo dever; vidas de lutas e de renúncia, existências de sacrifício para a família, para os fracos, para os pequenos, mais meritórias que as dedicações célebres, vós sois outros tantos degraus que conduzem a alma à felicidade. É a vós, é às humilhações, é aos obstáculos de que estais semeadas que a alma deve sua pureza, sua força, sua grandeza. Vós somente, nas angústias de cada dia, nas imolações da matéria, conferis à alma a paciência, a resolução, a constância, todas as sublimidades da virtude, para então se obter essa coroa, essa auréola esplêndida, prometida no espaço para a fronte dos que sofrem, lutam e vencem!
Se há prova cruel, essa é a perda dos entes amados; é quando, um após outro, os vemos desaparecer, levados pela morte, é quando a solidão se faz pouco a pouco em torno de nós, cheia de silêncio e trevas. É quando a velhice, gelada, muda, se adianta e vai colocando o sinal em nossa fronte, amortecendo os nossos olhos, enrijando os nossos músculos, curvando-nos ao seu peso, é quando vem, em seguida, a tristeza, o desgosto de tudo e uma grande sensação de fadiga, uma necessidade de repouso, uma espécie de sede do nada. Oh! nessa hora atribulada, nesse crepúsculo da vida, como se rejuvenesce e reconforta o lampadário que brilha na alma do crente, a fé no futuro infinito, nas novas vidas renascentes, a fé na Justiça, na suprema Bondade!
Essas partidas de todos os que nos são caros são outros tantos avisos solenes; arrancam-nos do egoísmo, mostram-nos a puerilidade das nossas preocupações materiais, das nossas ambições terrestres, e convidam a nos prepararmos para essa grande viagem.
A perda de uma mãe é Irreparável. Quanto vácuo em nós, ao nosso redor, assim que essa amiga, a melhor, a mais antiga e mais certa de todas, desce ao túmulo; assim que esses olhos, que nos contemplaram com amor, se fecham para sempre; assim que esses lábios, que tantas vezes repousaram sobre nossa fronte, se esfriam! O amor de uma mãe não será o que há de mais puro, de mais desinteressado? Não será como que um reflexo da bondade de Deus?
A morte dos filhos também é fonte de amargos dissabores. Um pai, uma mãe não poderiam, sem grande mágoa, ver desaparecer o objeto da sua afeição. É nessas ocasiões que a filosofia dos Espíritos é de grande auxílio.
Aos nossos pesares, à nossa dor de ver essas existências promissoras tão cedo interrompidas ela responde que a morte prematura é, muitas vezes, um bem para o Espírito que parte e se acha livre dos perigos e das seduções da Terra. Essa vida tão curta — para nós Inexplicável mistério — tinha sua razão de ser. A alma confiada aos nossos cuidados, às nossas caricias veio para completar a obra que deixara inacabada em encarnação anterior. Não vemos as coisas senão pelo prisma humano, e daí resultam os erros. A passagem desses entes sobre a Terra ter-nos-á sido útil, fazendo brotar do nosso coração essas santas emoções da paternidade, esses sentimentos delicados que nos eram desconhecidos, porém que, produzindo o enternecimento, nos tornarão melhores. Ela formará laços assaz poderosos que nos liguem a esse mundo invisível, onde todos nos deveremos reunir... É nisso que consiste a beleza da doutrina dos Espíritos. Assim, esses seres não estão perdidos para nós.
Deixam-nos por um instante, mas, finalmente, deveremos juntar-nos a eles. Mas, que digo eu, a nossa separação só é aparente. Essas almas, esses filhos, essa mãe bem-amada estão perto de nós. Seus fluídos, seus pensamentos envolvem-nos; seu amor protege-nos. Podemos mesmo comunicar-nos com eles, recebermos suas animações, seus conselhos. Sua afeição para conosco não ficou desvanecida, pois a morte tornou-a mais profunda, mais esclarecida. Eles exortam-nos a desviar para longe essa tristeza vã, essas mágoas estéreis, cujo espetáculo os torna infelizes. Suplicam-nos que trabalhemos com coragem e perseverança para o nosso melhoramento, a fim de tornarmos a encontrá-los, de nos reunirmos a eles na vida espiritual.
É um dever lutar contra a adversidade. Abandonar-nos, deixar-nos levar pela preguiça, sofrer sem reagir os males da vida seria uma covardia. Mas, quando os nossos esforços se tornam supérfluos, quando tudo é inevitável, chega então o momento de apelarmos à resignação. Nenhum poder seria capaz de desviar de nós as consequências do passado. Revoltar-nos contra a lei moral seria tão insensato como o querermos resistir às leis de extensão e gravidade. Um louco pode procurar lutar contra a ordem imutável das coisas, mas o espírito sensato acha na provação os meios de retemperar, de fortificar as suas qualidades viris. A alma Intrépida aceita os males do destino, mas, pelo pensamento, eleva-se acima deles e dai faz um degrau para atingir a virtude.
As aflições mais cruéis, as mais profundas, quando são aceitas com essa submissão, que é o consentimento da razão e do coração, indicam, geralmente, o término dos nossos males, o pagamento da última fração do nosso débito. É o momento decisivo em que nos cumpre permanecer firmes, fazendo apelo a toda a nossa resolução, a toda a nossa energia moral, a fim de sairmos vitoriosos da prova e recolhermos os benefícios que ela nos oferece.
Muitas vezes, nos momentos críticos, o pensamento da morte vem visitar-nos.Não é repreensível o solicitar a morte, ela, porém, só é realmente desejável quando se triunfa de todas as paixões. Para que desejar a morte, quando, não estando ainda curados os nossos vícios, precisamos novamente voltar para nos purificarmos em penosas encarnações? Nossas faltas são como túnica de Nesso apegada ao nosso ser, e de que somente nos poderemos desembaraçar pelo arrependimento e pela expiação.
A dor reina sempre como soberana sobre o mundo; todavia, um exame atento mostra-nos com que sabedoria e previdência a vontade divina regulou os seus efeitos. Gradativamente, a Natureza encaminha-se para uma ordem de coisas menos terrível, menos violenta. Nas primeiras Idades do nosso planeta, a dor era a única escola, o único aguilhão para os seres. Mas, pouco a pouco, atenua-se o sofrimento; males medonhos — a peste, a lepra, a fome — desaparecem. Já os tempos em que vivemos são menos ásperos do que os do passado. O homem domou os elementos, reduziu as distâncias, conquistou a Terra. A escravidão não mais existe. Tudo evolve, tudo progride. Lentamente, mas com segurança, o mundo e a própria Natureza aprimoram-se. Tenhamos confiança na potência diretora do Universo. Nosso espírito acanhado não poderia julgar o conjunto dos meios de que ela se serve. Só Deus tem noção exata dessa cadência rítmica, dessa alternativa necessária da vida e da morte, da noite e do dia, da alegria e da dor, de que se destacam, finalmente, a felicidade e o aperfeiçoamento das suas criaturas. Deixemos-lhe, pois, o cuidado de fixar a hora da nossa partida e esperemo-la sem desejá-la e sem temê-la.
Enfim, o ciclo das provas está percorrido; o justo sente que o termo está próximo. As coisas da Terra empalidecem pouco a pouco aos seus olhos. O
Sol parece-lhe suave, as flores, sem cor, o caminho, mais desbastado. Cheio de confiança, vê aproximar-se a morte. Não será ela a calma após a tempestade, o porto depois de travessia procelosa?
Como é grande o espetáculo oferecido à alma resignada que se apresta para deixar a Terra após uma vida dolorosa! Atira um último olhar sobre seu passado; revê, numa espécie de penumbra, os desprezos suportados, as lágrimas concentradas, os gemidos abafados, os sofrimentos corajosamente sustentados. Docemente, sente-se desprender dos laços que a prendiam a este mundo. Vai abandonar seu corpo de lama, deixar para bem longe todas as podridões materiais. Que poderia temer? Não deu ela provas de abnegação, não sacrificou seus interesses à verdade, ao dever? Não esgotou, até o fim, o cálice purificador?
Também vê o que a espera. As imagens fluídicas dos seus atos de sacrifício e de renúncia, seus pensamentos generosos, tudo a precedeu, assinalando, como balizas brilhantes, a estrada da sua ascensão. São esses os tesouros da vida nova.
Ela distingue tudo isso e seu olhar eleva-se ainda mais alto, lá, onde ninguém vai senão com a luz na fronte, o amor e a fé no coração.
Perante esse espetáculo, uma alegria celeste penetra-a; quase lastima não ter sofrido por mais tempo. Uma derradeira prece, uma espécie de grito de alegria irrompe das profundezas do seu ser e sobe ao Pai e ao seu Mestre bem-amados. Os ecos no espaço perpetuam esse grito de liberdade, ao qual se juntam os cânticos dos Espíritos felizes que, em multidão, se apressam a recebê-la.
(01) Comunicação mediúnica recebida pelo autor.

Léon Denis
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quinta-feira, 24 de julho de 2014

DESAPEGO


O apego é a causa de todo o sofrimento humano. Diante disso, sabemos que precisamos nos desapegar, mas o que isso significa e como alcançamos isso?


Antes de mais nada, é preciso entender que o desapego maior que precisamos ter não é em relação à matéria ou a relacionamentos com outras pessoas, mas sim nos desapegarmos do nosso ego, da nossa personalidade, de ideias e crenças limitadoras, de emoções e sentimentos de baixa vibração e de pensamentos negativos. Se conseguirmos isso, seremos livres e serenos em todas as situações; capazes de ver as circunstâncias como elas são realmente, sem ilusões ou expectativas fantasiosas. Portanto, sem apego não teremos nenhuma ansiedade em relação a nada. Não esperaremos nada de ninguém, nenhum resultado pressuposto, nenhum reconhecimento alheio, seremos apenas o que somos, parte sagrada do Todo e só isso nos trará imensa paz e felicidade.

Na verdade, somos apegados ao nosso ego, às ideias criadas pela nossa mente, conceitos baseados em crenças, medos e anseios, geralmente uma imagem bastante distorcida do que seria o nosso Eu, uma imagem muito cristalizada e difícil de ser dissipada.

Todas as características da nossa personalidade foram criadas por projeções daquilo que imaginamos ser uma pessoa ideal para que ela seja aprovada pela sociedade, pelos nossos pais, amigos e outras pessoas importantes para nós. Pensamos que para “vencer na vida” temos que ser parecidos com esta ou aquela pessoa que se “deu bem”, deixando de lado a nossa real natureza, os nossos dons e as nossas virtudes divinas, causando-nos transtornos internos e externos. Estamos sempre nos comparando a alguém, desejando ser como outra pessoa e competindo com os outros; resumindo, nunca estamos satisfeitos com o que somos. A grande maioria tem a ilusão de que só será feliz se for bonito ou rico. Assim nos tornamos pessoas carentes e confusas, sem saber quem realmente somos, com muito medo de sermos rejeitados e de ficarmos sozinhos e sermos infelizes. Com isso, vamos criando máscaras e mais máscaras para nos defendermos da solidão e da insatisfação que temos conosco.

Bem, a primeira coisa a ser feita para nos desapegarmos do ego é abrir o coração e a mente para admitirmos que essa imagem não corresponde à realidade, pois o nosso Verdadeiro Eu é simplesmente Consciência e não tem nenhuma pretensão de ser algo além disso, pois já é completo em si mesmo. A missão do nosso verdadeiro Eu é ser o Amor em plenitude, alcançando assim a felicidade plena na União Consciente com o Todo. Na verdade, a nossa Consciência está apenas adormecida e precisa passar pela experiência da vida para despertar e se autorrealizar.

De fato, é o desapego ao ego que irá dissipar a falsa imagem de nós mesmos, trazendo alívio para os nossos conflitos ao nos revelar a nossa verdadeira identidade. Precisamos porém de coragem para enxergar a nossa própria sombra, humildade para admiti-la e determinação para não nos deixarmos influenciar por ela novamente. É necessário silenciar a nossa mente para apagarmos as imagens que criamos, abandonarmos os aspectos negativos e fantasiosos de nós mesmos e deixarmos aflorar do nosso coração o nosso verdadeiro Eu.

Concluindo, somente através do desapego real poderemos nos enxergar, assumir quem realmente somos e assim nos tornarmos seres realizados e felizes.

Marta Magalhães site STUM


segunda-feira, 21 de julho de 2014

TU E TUA CASA


"E eles disseram: Crê no Senhor Jesus-Cristo, e serás salvo, tu e a tua casa." -
(ATOS, 16:31.)

Geralmente, encontramos discípulos novos do Evangelho que se sentem profundamente isolados no centro doméstico, no capítulo da crença religiosa.
Afirmam-se absolutamente sós, sob o ponto de vista da fé. E alguns, despercebidos de exame sério, tocam a salientar o endurecimento ou a indiferença dos
corações que os cercam. Esse reporta-se à zombaria de que é vítima, aquele outro acusa familiares ausentes.
Tal incompreensão, todavia, demonstra que os princípios evangélicos lhes enfeitam a zona intelectual, sem lhes penetrarem o âmago do coração.
Por que salientar os defeitos alheios, olvidando, por nossa vez, o bom trabalho de retificação que nos cabe, no plano da bondade oculta?
O conselho apostólico é profundamente expressivo.
No lar onde exista uma só pessoa que creia sinceramente em Jesus e se lhe adapte
aos ensinamentos redentores, pavimentando o caminho pelos padrões do Mestre, aí
permanecerá a suprema claridade para a elevação.
Não importa que os progenitores sejam descrentes, que os irmãos se demorem endurecidos, nem interessam a ironia, a discussão áspera ou a observação ingrata.
O cristão, onde estiver, encontra-se no domicílio de suas convicções regenerativas, para servir a Jesus, aperfeiçoando e iluminando a si mesmo.
Basta uma estaca para sustentar muitos ramos. Uma pedra angular equilibra um edifício inteiro.
Não te esqueças, pois, de que se verdadeiramente aceitas o Cristo e a Ele te afeiçoas, serás conduzido para Deus, tu e tua casa.

Chico Xavier - Emmanuel
Livro - Vinha de Luz

sábado, 19 de julho de 2014

AMIGO - UM ENSAIO

 
  
 
 Difícil querer definir amigo. Amigo é quem te dá um pedacinho do chão, quando é de terra firme que você precisa, ou um pedacinho do céu, se é o sonho que te faz falta. Amigo é mais que ombro amigo, é amo estendida, mente aberta, coração pulsante, costas largas. É quem tentou e fez, e não tem o egoísmo de não querer compartilhar o que aprendeu. É aquele que cede e não espera retorno, porque sabe que o ato de compartilhar um instante qualquer contigo já o realmente, satisfaz. É quem já sentiu ou um dia vai sentir o mesmo que você. É a compreensão para o seu cansaço e a insatisfação para a sua reticência.
É aquele que entende seu desejo de voar, de sumir devagar, a angústia pela compreensão dos acontecimentos, a sede pelo "por vir". É ao mesmo tempo espelho que te reflete, e óleo derramado sobre suas águas agitadas. É quem fica enfurecido por enxergar seu erro, querer tanto o seu bem e saber que a perfeição é utopia. É o sol que seca suas lágrimas, é a polpa que adocica ainda mais seu sorriso.
Amigo é aquele que toca na sua ferida numa mesa de chopp, acompanha suas vitórias, faz piada amenizando problemas. É quem tem medo, dor, náusea, cólica, gozo, igualzinho a você. É quem sabe que viver é ter história pra contar. É quem sorri pra você sem motivo aparente, é quem sofre com seu sofrimento, é o padrinho filosófico dos seus filhos. É o achar daquilo que você nem sabia que buscava.
Amigo é aquele que te lê em cartas esperadas ou não, pequenos bilhetes em sala de aula, mensagens eletrônicas emocionadas. É aquele que te ouve ao telefone mesmo quando a ligação é caótica, com o mesmo prazer e atenção que teria se tivesse olhando em seus olhos. Amigo é multimídia.
Olhos... amigo é quem fala e ouve com o olhar, o seu e o dele em sintonia telepática. É aquele que percebe em seus olhos seus desejos, seus disfarces, alegria, medo. É aquele que aguarda pacientemente e se entusiasma quando vê surgir aquele tão esperado brilho no seu olhar, e é quem tem uma palavra sob medida quando estes mesmos olhos estão amplificando tristeza interior. É lua nova, é a estrela mais brilhante, é luz que se renova a cada instante, com múltiplas e inesperadas cores que cabem todas na sua íris.
Amigo é aquele que te diz "eu te amo" sem qualquer medo de má interpretação : amigo é quem te ama "e ponto". É verdade e razão, sonho e sentimento. Amigo é pra sempre, mesmo que o sempre não exista.

Procópio Bach Kapp Schimidt

sexta-feira, 18 de julho de 2014

PENSAMENTO DE HOJE

É fundamental que, desde cedo, o indivíduo tenha consciência da transitoriedade da vida e da essência do eterno.

Maria Luiza

quinta-feira, 17 de julho de 2014

REFLEXÃO

Existem acontecimentos e situações que nos desagradam muito. Permitir que os fatos nos tornem infelizes é permitir que eles nos tiranizem, que determinem uma vida de amargura para nós, e isso não podemos aceitar.

Paulo e Lauro Raful

quarta-feira, 16 de julho de 2014

NECESSIDADES REAIS



As tuas necessidades reais não exorbitam a área das tuas posses,
Cada criatura nasce ou renasce dentro do esquema que lhe faculta as melhores possibilidades para ser feliz.
A inconformação e a rebeldia, porém, normalmente armam o indivíduo com ambição e violência que geram estados desditosos, mesmo quando ele consegue acumular excessos e quinquilharias a que atribui valores relevantes, exagerados.
Nunca faltariam os recursos para a sobrevivência humana, caso não houvesse nos corações o predomínio do egoísmo, da avareza e do desinteresse fraternal.


    Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco

terça-feira, 15 de julho de 2014

SONETO

Toda mulher é uma menina
Pois toda menina é só pureza.
E toda esta candura que fascina,
É própria da sua natureza...

Se o tempo passa como um vento
Marcando seu corpo de verdade ,
A mulher se traduz em sentimento
Ficando mais linda com a idade...

Fitando seus olhos tão brilhantes
Não percebo as rugas circundantes,
E no Amor seu corpo rejuvenesce.

E por amá-la assim profundamente
Não vejo a ação do tempo inclemente
E esta menina nunca envelhece !..


Nelson Antônio Corrêa

PENSAMENTO DE HOJE




Ninguém tem o poder de mudar o mundo de acordo com a sua vontade. O que podemos fazer é viver neste mundo, olhando-o sob um ângulo diferente, ou seja, mudando nossa atitude em relação a ele.

Paulo e Lauro Raful

domingo, 13 de julho de 2014

OBJETIVO DA FÉ


"Alcançando o fim da vossa fé, que é a salvação das vossas almas." Pedro. (I PEDRO, 1:9.)

"Qual a finalidade do esforço religioso em minha vida?" Esta é a interrogação que todos os crentes deveriam formular a si mesmos, frequentemente.
O trabalho de auto-esclarecimento abriria novos caminhos à visão espiritual.
Raramente se entrega o homem aos exercícios da fé, sem espírito de comercialismo inferior. Comumente, busca-se o templo religioso com a preocupação de
ganhar alguma coisa para o dia que passa.
Raciocínios elementares, contudo, conduziriam o pensamento a mais vastas ilações.
Seria a crença tão-somente recurso para facilitar certas operações mecânicas ou rudimentares da vida humana? Os irracionais, porventura, não as realizam sem maior  esforço? Nutrir-se, repousar, dilatar a espécie, são característicos dos próprios seres
embrionários.
O objetivo da fé constitui realização mais profunda. É a "salvação" a que se reporta a Boa Nova, por excelência. E como Deus não nos criou para a perdição, salvar, segundo o Evangelho, significa elevar, purificar e sublimar, intensificando-se a iluminação do espírito para a Vida Eterna.
Não há vitória da claridade sem expulsão das sombras, nem elevação sem suor da
subida.
A fé representa a bússola, a lâmpada acesa a orientar-nos os passos através dos
obstáculos; localizá-la em ângulos inferiores do caminho é um engano de conseqüências
desastrosas, porque, muito longe de ser uma alavanca de impulsão para baixo, é asa
libertadora a conduzir para cima.

Chico Xavier - Emmanuel
Livro - Vinha de Luz

sexta-feira, 11 de julho de 2014

MIGALHA E MULTIDÃO



"E tendo mandado que a multidão se assentasse sobre a relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, os abençoou, e, partindo os pães, deu os
aos discípulos, e os discípulos à multidão."
(MATEUS, 14:19.)

Ante o quadro da legião de famintos, qualquer homem experimentaria invencível desânimo, considerando a migalha de cinco pães e dois peixes.
Mas Jesus emprega o imenso poder da bondade e consegue alimentar a todos,sobejamente.
Observemos, contudo, que para isso toma os discípulos por intermediários.
O ensinamento do Mestre, nesse passo do Evangelho, é altamente simbólico.
Quem identifica a aluvião de males criados por nós mesmos, pelos desvios da vontade, na sucessão de nossas existências sobre a Terra, custa a crer na migalha de bem
que possuímos em nós próprios.
Aqui, corrói a enfermidade, além, surge o fracasso, acolá, manifestam-se expressões múltiplas do crime.
Como atender às necessidades complexas?
Muitos aprendizes recuam ante a extensão da tarefa.
Entretanto, se o servidor fiel caminha para o Senhor, a migalha de suas luzes é imediatamente suprida pelo milagre da multiplicação, de vez que Jesus, considerando a oferta espontânea, abençoar-lhe-á o patrimônio pequenino, permitindo-lhe nutrir verdadeiras multidões de necessitados.
A massa de nossas imperfeições ainda é inaquilatável.
Em toda parte, há moléstias, deficiências, ruínas ...
É imprescindível, no entanto, não duvidar de nossas possibilidades mínimas no bem.
Nossas migalhas de boa-vontade na disposição de servir santamente, quando conduzidas ao Cristo, valem mais que toda a multidão de males do mundo.

Chico Xavier - Emmanuel
Livro - Vinha de Luz

terça-feira, 8 de julho de 2014

IMPRECISÃO

Viver não é preciso
Está aquém e além
Do siso da linha reta.
Está no gozo desmedido
Da gratuidade do riso.

Viver é desrealizar
No alumbramento do sonho
A urdidura do caminhar
Na escuta dos segredos
Do coração fremente.

Viver é e não é
É ser tão sim
E tão bem não
No sertão de cada ser 
Na curva de cada estação. 

Viver é afinar 
Tons de ordem e desordem
Entre o prumo e o pião
Amanhecer redivivo
Na vertigem da aurora.

Viver é sorver o doce-amargo
Da proeza de cada momento
Decantar o sopro vesgo
Da pesura e leveza do vento
Inventar no cio então
O som e o silêncio.


Miguel Almir de Araújo

sexta-feira, 4 de julho de 2014

MONTES cLAROS

MONTES CLAROS

Ah, Montes Claros,
que saudade tenho de ti!...
A Montes Claros 
de minha mocidade,
Do colégio Tiradentes
no velho prédio...
Dos clubes volantes
de nossos amores...
De casas tão lindas,
hoje no chão
e do antigo apito
do trem do sertão!...
Ah, Montes Claros,
que fizeram de ti?
Dói-me o peito
a lembrar serenatas
e seresteiros e poetas
que hoje vivem
em nossa saudade...
Montes Claros das marujadas
e das canções de outrora...
De homens valorosos
que derramam, hoje, 
lembranças calorosas...
Montes Claros de claros montes, 
ar tão puro e cheio de calor...
Dos velhos quintais
e seus pomares
cheios de mangueiras,
seriguelas e cajueiros...
De gente honesta e trabalhadora...
Daquela pequena cidade
em que todos eram amigos...
Minha querida  Montes Claros,
tu te tornas cada vez mais moça
e cosmopolita...
O progresso chegou
e só és menina 
em minha lembrança...
Montes Claros das procissões,
o povo de uma fé tão linda!...
Padre Dudu sempre lembrado
e tantos padres tão queridos!...
Meninas corajosas
a fundar uma faculdade,
onde talentos floresceram ...
A Igreja do Rosário,
do Bom Jesus e dos Morrinhos,
que belas canções inspiraram...
Tenho queixas de ti, ó Montes Claros,
mas te amo com todo ardor,
ó Princesa desse sertão!

Maria Luiza Silveira Teles

quinta-feira, 3 de julho de 2014

PARA REFLETIR

Somente somos capazes de amar o outro quando amamos a nós próprios. Somos felizes com o outro quando somos felizes conosco mesmos. A nossa felicidade não deve depender, jamais, de outra pessoa.

Maria Luiza Silveira Teles

terça-feira, 1 de julho de 2014

A MELHOR CHAVE



    Efetivamente, muitos são os problemas que nos assediam a existência. Dificuldades que não se esperam, tribulações que nos espancam mentalmente de imprevisto, sofrimentos que se instalam conosco sem que lhes possamos calcular a duração, desajustes que valem por dolorosos constrangimentos.

    Se aspiras a obter solução adequada às provas que te firam, não te guies pela rota do desespero.
    Tens contigo uma chave bendita, -A chave dahumildade, cunhada no metal puro da paciência. Perante quaisquer tropeços da estrada, usa semelhante talento do espírito e alcançarás para logo a equação de harmonia e segurança a que se pretendes chegar.
    Nada perderás, deixando fale alguém com mais autoridade do que aquela de que porventura disponhas; nunca te diminuirás por desistir de uma contenda desnecessária; em coisa alguma te prejudicarás abraçando o silêncio de conceitos deprimentes que te sejam desfechados; não sofrerás prejuízo em te calando nesta ou naquela questão que diga respeito exclusivamente às tuas conveniências e interesses pessoais; grandes lucros no campo íntimo te advirão da serenidade ou da complacência com que aceites desprestígios ou preterição; jamais te arrependerás de abençoar ao invés de reclamar, ainda mesmo em ocorrências que te amarguem as horas; e a simpatia vibrará sempre em teu favor, toda vez que cedas de ti mesmo, a benefício dos outros.
    Efetuemos os investimentos valiosos de paz e felicidade, suscetíveis de serem capitalizados por nós, através de pequenos gestos de tolerância e bondade e o programa de trabalho a que a vida nos indique ganhará absoluta eficiência de execução.
    Seja na vida particular ou portas a dentro de casa, no grupo de serviço a que te vinculas ou na grande esfera social em que se te decorre a existência, sempre que te vejas à beira do ressentimento ou revide, rebeldia ou desânimo, nunca te entregues à irritação.
    Tenta a humildade.
    Livro: Mãos Unidas 
    Emmanuel & Francisco Cândido Xavier





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