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quarta-feira, 30 de julho de 2014

O TRIGO E O JOIO


Parábola do Trigo e do Joio é uma das duas únicas parábolas do Evangelho em que Jesus não apenas transmite o ensinamento, como tem o cuidado de explicá-lo (a outra é a do Semeador).
De forma genérica, a do trigo e o joio reflete as lutas travadas entre o bem e o mal com a vitória final do bem, como podemos conferir nos registros de Mateus (13:24 a 30):
[...] O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo.
Dormindo, porém, os homens, veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo e partiu. Quando germinou o ramo e produziu fruto, então apareceu também o joio. Aproximando-se os servos do senhor da casa, disseram-lhe: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? De onde, portanto, terá vindo o joio? E ele lhes disse:
Um homem inimigo fez isso; os servos lhe dizem: Sendo assim, queres que, após sair, o recolhamos?
Ele, porém, diz: Não; para que, ao recolher o joio, não desenraizeis junto com ele o trigo.
Deixai crescer ambos juntos até a ceifa e, no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros: Recolhei primeiro o joio e atai-o em molhos para os queimar; o trigo, porém, reuni no meu celeiro. (1)
A interpretação do Cristo ao próprio ensinamento é a seguinte:
[...] O que semeia a boa semente é o filho do homem. O campo é o mundo. A boa semente, essa são os filhos do Reino. O joio são os filhos do malvado. O inimigo que o semeou é o diabo; a ceifa é a consumação da era; os ceifeiros são os anjos. Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, assim será na consumação da era. O filho do homem enviará os seus anjos; e recolherão, do seu Reino, todos os escândalos e obreiros sem lei. E os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá o pranto e o ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol, no Reino do seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça! (Mateus, 13:37 a 43.) (2)
Jesus anuncia de forma inequívoca a Era de Regeneração, que nos aguarda no futuro, assim como os embates a que a Humanidade se submeterá a fim de encontrar o caminho definitivo da felicidade verdadeira. A propósito, Bezerra de Menezes adverte:
Se amanhece a madrugada de luz, também ainda existem sombras densas que tomam conta de outros segmentos da sociedade, gerando impedimentos para a propagação da vida, dos bens da vida, pelos interesses mesquinhos que defluem do materialismo e das expressões covardes da mentira e das paixões humanas. (3)
O escritor espírita Rodolfo Calligaris (1913-1975) considera que o campo, citado na parábola, faz referência à Humanidade terrestre; o semeador é Jesus; a semente de trigo é o Evangelho; o joio são as interpretações capciosas dos seus textos; e o inimigo são indivíduos que produzem discórdias onde quer que se encontrem. (4)
A parábola indica também que toda semeadura, boa ou má, estará inevitavelmente atrelada à respectiva colheita que acontecerá no momento oportuno.
[...] E colhe da natureza o que plantou. Do que damos, recebemos.
Toda semente, mais cedo ou mais tarde, de acordo com os dispositivos da Criação, irá crescer e frutificar. Por isso devemos ter o máximo cuidado com o que semeamos no solo do coração, nosso ou do semelhante.
E a semeadura se dá por pensamentos, palavras, gestos e ações. Certamente cada um só pode dar do que possui. À vista disto, precisamos nos suprir do que é útil e do que é bom. (5)
A frase “O Reino dos Céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo” indica que possuímos um campo de atuação, moral e intelectual, construído sobre as bases do livre-arbítrio. Como consequência das nossas más escolhas surgem provações existenciais, algumas verdadeiramente dolorosas, que serão amenizadas ou deixarão de existir à medida que aprendermos a semear a “boa semente”. Considerando a explicação de Jesus de que o campo é o mundo em que vivemos, Emmanuel assinala que aí “há infinito potencial de realizações, com faixas de terra excelente e zonas necessitadas de arrimo, corretivo e proteção”. (6)
O versículo 25 do texto evangélico, ora em estudo, informa que “dormindo, porém, os homens, veio o seu inimigo e semeou joio no meio do trigo e partiu”. (1)
Esta frase revela o modo de proceder do adversário do Bem, identificado como o “inimigo” na parábola: age em surdina, com o intuito de plantar discórdia e desunião, aproveitando-se do momento de descanso ou de invigilância do trabalhador sincero. Daí a importância de estarmos atentos às influências inferiores que podem surgir a qualquer hora, oriundas de diferentes procedências, inclusive do grupo de trabalho onde atuamos, consoante esta outra instrução de Jesus: “Eis que eu vos envio como ovelhas no meio de lobos. Sede prudentes como as serpentes e inocentes como as pombas”. (Mateus, 10:16.)7
Como reflexão, façamos nossas as palavras do Benfeitor espiritual:
O mundo está cheio de enganos dos homens abomináveis que invadiram os domínios da política, da ciência, da religião e ergueram criações chocantes para os espíritos menos avisados [...].
[...] Mas o discípulo de Jesus, bafejado pelos benefícios do Céu todos os dias, que se rodeia de esclarecimentos e consolações, luzes e bênçãos, esse deve saber, de antemão, quanto lhe compete realizar em serviço e vigilância e, caso aceite as ilusões dos homens abomináveis, agirá sob a responsabilidade que lhe é própria, entrando na partilha das aflitivas realidades que o aguardam nos planos inferiores. (8)
É muito oportuna a recomendação transmitida pelo senhor aos seus trabalhadores, no momento em que foi informado que o joio fora semeado ao lado do trigo:
“Deixai crescer ambos juntos até a ceifa e, no tempo da ceifa, direi aos ceifeiros: Recolhei primeiro o joio e atai-o em molhos para os queimar; o trigo, porém, reuni no meu celeiro”. (1)
As sutilezas do mal nem sempre são percebidas pelos servidores devotados. Faz-se necessário, então, que a erva daninha cresça junto com a boa semente para que ambas possam ser identificadas, sem equívocos ou falsas suposições.
Somente assim a ceifa ocorrerá, em condições harmônicas, sem prejuízos de qualquer natureza.
Importa considerar que a parábola destaca dois tipos de trabalhadores: os denominados servos, incumbidos de semear a semente, e os ceifeiros, responsáveis pela colheita, propriamente dita. Os primeiros somos nós, todos os trabalhadores convocados para servir na seara do Evangelho, cultivadores da boa semente, de acordo com nosso entendimento e disposição.
Os segundos, os ceifadores ou “anjos” – segundo a explicação de Jesus –, pertencem à outra categoria de trabalhadores: são os servidores especializados que, por já conseguirem manter sintonia permanente com as fontes do bem, apresentam condições evolutivas que os habilitam a separar o bem do mal e dar destinação específica para cada um. O plantio pode ser feito por qualquer um de nós, aprendizes do Evangelho, mas a ceifa cabe aos ceifeiros, os Espíritos superiores.
O joio, ao brotar, é muito parecido com o trigo, e arrancá-lo antes de estar bem crescido seria inconveniente, por motivos óbvios.
Na hora de produção dos frutos, em que será perfeita a distinção entre ambos, já não haverá perigo de equívoco: será ele, então, atado em feixes para ser queimado. Coisa semelhante irá ocorrer com a Humanidade.
Aproxima-se a época em que a Terra deve passar por profundas modificações, física e socialmente, a fim de transformar-se num mundo regenerador, mais pacífico e, consequentemente, mais feliz. (9)
A ceifa expressa o momento final da produção agrícola. No plano individual, trata-se do instante em que a criatura colhe o que cultivou.
O joio reunido em feixes para ser queimado simboliza a aferição do real aprendizado do Espírito, demonstrando que as dificuldades não vêm isoladas, mas formam, quase sempre, um corolário de apreensões e dificuldades que nos cabe superar, exercitando a paciência, a humildade e a confiança em Deus.
O último ensino de Jesus, “o trigo, porém, reuni no meu celeiro”, mostra que no Celeiro divino só há espaço para o bem, para o Evangelho do Reino, representado pela semente de trigo. Praticando o bem estaremos dando expansão ao que há de divino em nós e, em consequência, experimentando a felicidade plena. Assim, sob quaisquer circunstâncias, é imperioso guardar confiança no Senhor, tendo fé em suas promessas e contando com a sua proteção, sobretudo nos momentos de sofrimento em que se faz necessário separar o joio do trigo e aquele seja atado em molhos para serem queimados.

MARTA ANTUNES MOURA
Reformador • Janeiro 2013

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