BOAS VINDAS

Seja bem vindo! Espero que aqui encontre alento, beleza, amor e paz! E que possa espalhar isto para o mundo, que vive tão sedento de tudo isto.



Pesquisar este blog

Seguidores

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

SILÊNCIO E NÓS




 Consideremos a expressão nos domínios da palavra.
A todos os momentos somos convocados a participar das considerações humanas através dos sons articulados. Nossa condição momentânea exige-nos a condução do pensamento através ora da movimentação da língua, ora da grafia inteligível, na permuta de impressões e na troca de opiniões. O êxito dessa empreitada constante depende, todavia, de como empregamos as faculdades de que dispomos. Falar e escrever bem; falar e escrever mal.
Geralmente, as possibilidades efetivas do homem esbarram na precipitação, e não cedem à providência da calma, na aprendizagem dirigida, senão o tempo estritamente necessário à concatenação fisiológica. Assim, por exemplo, o olhar se dirige às cenas menos enobrecedoras, no campo do mundo, imantado por uma necessidade de alimentação recíproca dos dínamos da alma. A audição quase sempre se aguça às mímicas indiscretas e às insinuações maldosas. As pernas ganham em celeridade, toda vez que chamadas a colaborar na efetivação de intenções terra-a-terra. As mãos se aprestam em escrever páginas histriônicas, dissertações picantes e frases desdenhosas. Indisfarçável a expressão de gozo face às anedotas deprimentes. Em tudo isso, reside a motivação no Espírito, ficando patente que essas injunções, denunciadoras do padrão em que vibramos, não se asilam no automatismo de nossas reações, mas o próprio automatismo se origina na fonte das intenções que nos povoam o ser.
Focalizando especificamente o terreno da linguagem articulada, não nos esqueçamos de que há momentos consagrados à expressão do silêncio. Tanto a pena se aquieta quanto a voz se acautela, em benefício da sociedade.
Completando o seu Moisés, Miguel Ângelo primeiramente silencia. Profundo silêncio rodeia o grande legislador hebreu após a chegada dos Dez Mandamentos, em meio ao Monte Horebe, em pleno deserto do Sinai. As grandes telas não foram compostas entre explosões verbais. Os mestres da música recolhem-se ao mutismo para trazer ao pentagrama a grande voz. As magnas obras literárias não se estruturaram no vozerio dos cafés, nem nas tavernas, entre vinhos inebriantes, mas no silêncio criador, qual o que se nos impõe a indagação ante o céu noturno, quando mergulhamos a alma na vibração divina, disseminada pelo zimbório estrelado.
Assim também, conscientes em nossa esfera de ação própria, esforçando-nos por ascender para Deus, não cultivemos a voz na impostação improdutiva do sofisma, no conselheirismo viciado, ou em criações mentais que se voltarão contra nós de esquina a esquina.
Se formos chamados a pronunciamentos ostensivos, caracterizemos a mediação construtiva em nosso verbo e em nossa escrita.
Não desprezemos, porém, a grandeza do silêncio, aproveitando-o para adentrarmos o próprio íntimo, em busca do amadurecimento.
A palavra é a convicção do próprio homem; é basicamente ela que nos diferencia de nossos irmãos ditos irracionais. Poderá, contudo, ser precisamente ela que nos fará, por vezes, mais fragmentários do que eles mesmos.
Reeduquemo-nos agora. Paulo, perante Félix, e, após, diante de Pórcio Festo e do Rei Herodes Agripa II, não verberou acusações nem vociferou cizânia. Limitou-se a realmente esclarecer. Assim façamos nós.
Jesus, perante Pôncio Pilatos, guardou silêncio.

Anchieta
(Página psicografada pelo médium Gilberto Campista Guarino, na reunião pública de 5 de marco da 1976, na FEB — Seção Rio de Janeiro, RJ.)

Reformador, maio 1976, p. 149.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

ALGUMAS DE MINHAS OBRAS

MEU MAIS NOVO LIVRO

MEU MAIS NOVO LIVRO