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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

A CONSCIÊNCIA




A consciência é definida como um conjunto de elementos psíquicos, simples ou combinados, intelectivos, afetivos ou emotivos, que ocorrem na unidade de tempo e que nos permitem tomar conhecimento do nosso próprio eu e do mundo exterior.

Vejamos, de início, a importância de que se reveste, para o espiritualista, o estudo da consciência: tomar conhecimento do nosso próprio eu e do mundo exterior.

Os arranjos referentes ao seu trabalho no interior do nosso psiquismo obedecem a duas condições: conteúdo das vivências e mecanismos psicológicos. 

O conteúdo das vivências pode ser estruturado: no campo intelectivo, com atividades elementares ou básicas, de percepção e de memória e, secundariamente, com funções intelectuais; no campo afetivo, com emoções e sentimentos; no campo volitivo, implicando os fenômenos que dependem da vontade. 

Nos mecanismos psicológicos, os objetos estão em relação com a sensopercepção do mundo exterior e pressupõem a noção de espaço e de tempo. 

Há, em nós, uma vivência de espacialidade que nem sempre corresponde ao espaço real. Vivemos num espaço tridimensional. É comum, em certos estados de perturbação emocional, sentirmos alterações nesse espaço tridimensional: parece que a terra nos foge, ou que o céu baixa sobre nós, dando-nos o sentimento de compressão. 

Quanto ao tempo, podemos considerá-lo exterior, ou do mundo, e interior. O tempo exterior, ou do mundo, é o marcado pelo relógio. É aquele que não muda e ao qual estão afetas todas as nossas atividades mundanas. O tempo interior dá-nos a vivência da temporalidade, dá-nos a noção de duração do passado, do presente e do futuro. Encerra, em si mesmo, o fluir do eterno vir a ser. 

Quando estamos tristes, parece que o tempo se arrasta e não tem mais fim. Quando estamos alegres, as horas passam tão rapidamente como se fossem minutos. É, pois, o mecanismo psicológico da consciência que altera a noção de tempo. 

A consciência do tempo é de grande utilidade para o estudante espiritualista. Pelo exercício da retrospecção, tem idéia do emprego do seu tempo durante o dia e prepara-se para aquele intervalo em que terá que rememorar toda a sua vida após a transição. Poderá, ainda, conforme a sua capacidade e persistência, chegar à consciência de vidas passadas, o que, por certo, muito enriquecerá a experiência de sua vida atual. 

Krishnamurti, filósofo indiano, conhecido em todo o mundo através das suas palestras, considera a consciência como o resultado da energia única que é a existência, ao mesmo tempo, condicionada e condicionante. 

Diz ele: “A consciência é o resultado do processo desta energia única. Com a consciência, combinam-se a ignorância e a ansiedade. Essa consciência mantém-se pelas suas atividades volitivas, nascidas da ignorância, da tendência e da ansiedade. Este processo auto mantenedor da individualidade, que é único, que não teve começo, não recebe, por assim dizer, um impulso, não é propelido para a frente por uma outra força ou energia”. 

Atentemos ao que Krishnamurti diz: processo auto mantenedor da individualidade. Esta afirmação harmoniza-se perfeitamente com a Filosofia Rosacruz. Tornando-nos conscientes da individualidade, deixando cair os enfeites da personalidade, só assim poderemos subir para as esferas espirituais, desapegados do fascínio da matéria. 

Continua Krishnamurti: “É um processo que, a todos os instantes, será auto-ativo por meio das próprias exigências volitivas, das ansiedades, das atividades”. 

É esta ativação do processo da consciência que visa a Filosofia Rosacruz ao recomendar o exercício de retrospecção pelo qual, cada vez mais, nos tornamos plenamente conscientes de cada ato da vida diária. 

O homem real, tendo consciência do corpo, é um conhecedor 
deste corpo; mas não é o corpo. Da mesma maneira que estamos conscientes do mundo ao nosso redor, estamos também conscientes das condições do corpo e da mente. Embora sendo conhecedores do corpo e da mente, estamos além deles. O conhecedor tem em si a consciência, que é sua própria essência. Um raio de luz não é consciente de si mesmo e não conhece nada. Mas, a luz espiritual que resplandece dentro de nós está consciente de si mesma e, além disso, consciente de tudo. 

Há uma diferença fundamental entre luz espiritual e luz física. Aquela luz que está presente dentro de nós é a própria essência de nosso ser. 
A mente não é auto-luminosa porque a mente é objetivada. Qualquer coisa que seja objetivada não tem luz em sua essência. Isso foi ensinado pelo grande filósofo e psicólogo Patanjali. 

Há muitos filósofos ocidentais que pensam que a consciência pertence à mente. Mas estados mentais não são conscientes em si mesmos. A mente tem um conhecedor. O Ser é esse conhecedor; o Ser é o homem real. 

O Ser cuja natureza é pura consciência, sempre brilha e é imutável. O Ser é aquele conhecedor imutável, puro, livre, e por natureza imortal; além de crescimento e decadência, e pertencendo à Realidade Suprema ele é perfeito. Essa perfeição existe e sempre existiu dentro de nós. 

No estado de vigília, somos levados pela consciência do corpo. No estado de sonho o ser individual move-se do nível físico ao nível subconsciente. Abaixo do nível de consciência normal, naquela região subconsciente, residem nossas tendências, anseios e as impressões passadas de nossas experiências vividas. No estado de vigília a pessoa tem uma consciência definida do ego, mas quando passa do nível físico ao nível subconsciente, onde todas as impressões são armazenadas, o sentido do ego desperto é perdido. O ego está, então,submerso em uma região onde as impressões mentais encontram-se armazenadas, por assim 
dizer. 

O poder de raciocínio e a vontade não funcionam no estado subconsciente; a imaginação predomina e a emoção está sem controle. A Imaginação cria um sem número de imagens das impressões sutis. No estado de sonho somos privados dos dois grandes poderes que nos 
caracterizam como seres humanos: o poder de raciocinar e o poder da vontade. Realmente, nesse estado estamos à mercê da emoção e da imaginação. 

Então, em sono profundo, nos aprofundamos ainda mais. Bem abaixo do nível de sonho da mente há outro nível - o estado causal. No estado de sonho há diversidades na mente, tais como: amor, sentimento e memória. Mas no estado causal tudo fica homogêneo. 

Por exemplo, na árvore nós notamos variações; mas na semente que contém a árvore em forma latente nenhuma variação é notada. Da mesma forma há um estado causal da mente em cada pessoa, onde todas as operações mentais são completamente silenciadas. Até mesmo a consciência do ego é perdida. 

No sono profundo não temos vontade, nem autoconsciência. Mas quando emergimos ao estado de vigília temos todas as oportunidades necessárias para progredir. Nenhuma realização, nenhum progresso é possível a não ser no estado de vigília. Nenhum progresso acontece no nível subconsciente porque naquele estado não há nenhuma autoconsciência. Semelhantes a esses estados de sono e de sono sem sonhos são os estados de intoxicação, de coma, ou de estados induzidos por drogas ou hipnose. Eles são semelhantes aos estados de sonho e sono sem sonhos porque lhes falta o poder de raciocínio e vontade. 
O estado de vigília é, então, importante para homem. Qualquer realização que ele possa alcançar deve ser no estado em que está desperto, porque é então que ele tem autoconsciência, e esta consciência cria autodeterminação. A autodeterminação é que serve 
como alicerce de nosso poder de raciocínio e poder de vontade. 

O que distingue o nível humano do nível de subumano? O poder de raciocínio e o poder de vontade. No nível subconsciente, somos guiados pelo instinto; mas no nível consciente a ação da vontade prevalece. E não pode haver nenhuma volição, ou poder da vontade, sem o poder de julgamento ou razão. Todo o progresso no nível humano é o resultado da vontade associada com o poder de julgamento. Vemos coisas e ao mesmo tempo julgamos coisas. Os olhos percebem e a mente julga se é bom ou não para nós. Nem sempre o prazer, ou o que é agradável para nós, é necessariamente bom. O cultivo da vida intelectual, moral, ética e 
espiritual - tudo o que distingue o ser humano das outras formas de vida - só é possível no estado de vigília. 

Da mesma maneira que o nível subconsciente está abaixo da consciência do ego, o nível supraconsciente está acima deste nível de consciência. Se quisermos alcançar o estado supraconsciente, isso terá que ser feito através do exercício do nosso poder de raciocínio e do poder de vontade. Temos que nos libertar completamente da idéia de ego, que nos limita. 

Tomando drogas, ou submetendo-nos a outras alterações mentais provocadas por substâncias químicas, perdemos aquele elemento precioso da consciência, que nos torna autoconscientes e autodeterminados, e que nos capacita a cultivar nossa vida intelectual, moral e espiritual. Não somos nada quando perdemos esta autoconsciência. 

Temos que ir além da consciência do ego. Os grandes líderes espirituais que alcançaram o estado supraconsciente enfatizam que a mente anseia pela Verdade. A não ser que a mente mova-se para longe do que é temporal, em direção do eterno, não poderá alcançar essa 
Verdade. Sri Ramakrishna disse: "Enquanto existir uma fibra que se desfia da linha, a mesma não pode passar pelo buraco da agulha". As pessoas que anseiam superar os seus desejos pelos prazeres transitórios e cultivar o anelo pelo eterno devem praticar certas disciplinas para 
alcançar este estado supraconsciente. 

Se pudermos superar o desejo pelo que é transitório, poderemos dar início à nossa jornada em direção do Supremo. Mal e bem são inseparáveis. Não podemos ter o um sem o outro. Enquanto nos agarrarmos ao ego, experimentaremos o bem e mal, vida e morte, crescimento e decadência, alegria e tristeza. 

Se desejarmos ir além da dualidade - do drama de amor e ódio, de sorrisos e lágrimas -devemos nos libertar da dominação da consciência do ego. Os maiores líderes espirituais procuram nos apressar na busca da realização de nosso anelo pelo eterno, pela paz e liberdade. 

Temos que praticar disciplinas físicas e mentais. Somente quando uma devoção natural florescer no coração, e só então, é que se pode efetivamente meditar em Deus. Pode-se pensar intelectualmente que Deus é o Ideal supremo e agarrar-se a isso, mas a menos que se possa desenvolver um natural e espontâneo anelo por Ele a meditação não pode ser praticada com sucesso. Através da meditação profunda, quando a mente está tranquila e serena, pode-se ter a percepção da Realidade. Deus não é somente um Ser pessoal; Ele está manifestado no 
universo inteiro. Ele está em todos os lugares; Ele é a Existência, o Absoluto, o Um. Ele não é uma existência material; é a Luz de todas as luzes; é sempre resplandecente. 

A expansão da consciência somente poderá ser alcançada se sobrepujarmos as limitações do eu. O verdadeiro Ser está sempre brilhando em nosso interior. Quanto mais meditamos nesse Ser, maior será a nossa realização de que não somos nem o corpo físico, 
nem a mente. Somos puro espírito. Quanto mais percebermos esse fato, maior será o nosso sentimento de que não pertencemos a este mundo físico, que pertencemos à ilimitada e Suprema Realidade. 

Temos que desenvolver a consciência espiritual, que nos une com o supremo Espírito. E só podemos chegar a este estado através das disciplinas morais e espirituais. Todos os grandes santos e místicos do mundo pagaram esse preço pelas suas experiências. Quando 
uma pessoa realizar a Verdade Suprema, será conduzida a uma vida livre das fraquezas comuns da humanidade, livre do egoísmo. Ficará estabelecida para sempre na Verdade e na Luz. 

Lê-se no Mundaka Upanishad: 

“Quando Ele, que é imanente e transcendente, é conhecido, diretamente 
experienciado, então todas as dúvidas são dissipadas. Todos os nós do coração, quep rendem uma pessoa a este universo sensível, são completamente desfeitos e todo o Karma passado acumulado é apagado” 

Swami Satprakashananda

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