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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

DESGRUDE-SE DO APEGO


Um dos caminhos para ter paz de espírito e coração leve é abrir mão do desejo de conservar as coisas, as pessoas, as situações indefinidamente.
Aprenda como libertar-se das artimanhas do apego
 - isso fará bem para você e para todos a sua volta.
Na língua portuguesa, a palavra apego tem até uma sentido positivo.
"Ele é tão apegado à família...", se diz no interior de São Paulo e Minas Gerais.
Já o contrário, o desapego, é malvisto:
"Ele é completamente desapegado, não liga para nada..."
Mas o apego, na linguagem budista e cristã, tem outro significado. É algo opressivo, que nos asfixia e aprisiona, sem mesmo termos consciência.
"Apego é o maior sinônimo de sofrimento e sua maior causa", sintetiza o filósofo indiano Krishnamurti no livro
A Mutação Interior (ed. Cultrix).
Desapegar-se, portanto, é liberar-se do apego.
É, literalmente, soltar-se do laço que nos sufoca.
Algo que traz alívio interno, paz de espírito, uma alegria que relaxa. "O problema é que não percebemos que existe o laço.
Pensamos que não podemos viver sem aquilo, que na verdade é uma grande fonte de angústia", reconhece a socióloga Fátima Souza Murtinho, de Belo Horizonte.
Como perceber se estamos apegados a algo?
"Apego é atribuir exagerada importância a um objeto, uma situação ou uma pessoa", explica a psicóloga Bel Cesar, diretora do Centro de Dharma da Paz, em São Paulo.
Em outras palavras: apego não é uma manifestação de amor, mas de posse, um desejo incontrolável de conservar algo para sempre.
Tudo muda o tempo todo
"Sofremos e nos inquietamos só de pensar em nos desapegar de algo", reconhece a psicóloga.
"Ficamos dependentes, vulneráveis.
Nem percebemos que somos nós mesmos que atribuímos tantas qualidades àquilo que nos prende, exagerando sua real importância", explica Bel Cesar.
E fazemos isso o tempo todo, dizem os budistas, tanto com as pessoas a quem queremos bem como também com aquelas a quem odiamos.
É mais fácil até nos apegarmos às emoções negativas do que às boas memórias.
Podemos ficar anos remoendo algo que alguém disse e nos magoou.
As filosofias e religiões orientais reconhecem que somos uma coleção ambulante de apegos:
aos nossos hábitos, às nossas pequenas manias, ao que consideramos certo e errado, ao que achamos que somos. Simplesmente nos recusamos a mudar - até que a vida dê um jeito de nos obrigar a fazer isso.(...)
Todo mundo já ouviu alguém dizer:
"Sou tão desapegado, para mim nada tem valor..."
Nada mais falso.
Desapego nada tem a ver com indiferença.
 "É uma ilusão acreditar que o desapego é apenas uma renúncia aos bens materiais", explica Oddone Marsiaj, instrutor de meditação e diretor do grupo budista Shambhala do Brasil.
O verdadeiro desapego é renunciar à cola que nos gruda a objetos, situações e pessoas.
"Podemos usufruir de tudo isso, mas sem grudar ou se deixar aprisionar", salienta.
Desapegar-se, portanto, não significa abdicar dos prazeres - ter uma casa nova, usar um belo vestido, saborear uma refeição deliciosa ou mesmo se apaixonar intensamente por alguém. "Podemos ter o que quisermos, mas sabendo que também podemos abrir mão de tudo, se necessário", explica ele.
Já o falso desapego, aquele que faz desistir da vida e dos outros, pode esconder um amargor profundo, um sentimento de impotência e injustiça.
 "Nesse caso, o rótulo de desapego serve apenas como desculpa para encobrir dificuldades com a parte concreta da vida", continua o instrutor.
O raciocínio é simples: já que não consigo ter os bens que desejo, renuncio a tê-los.
"Ou melhor, penso que desisto", esclarece.
"Na verdade, o desejo continua existindo, só que reprimido, sufocado, gerando frustração", diz Oddone.
O falso desapego também pode ser usado como uma máscara para a arrogância.
Nesse caso, as pessoas se vangloriam de sua própria condição espiritual: se julgam desapegadas, como se fossem mártires.
Santo Agostinho (354-430), um dos maiores teólogos da Igreja Católica, afirmou que esse é um dos maiores pecados que podem existir - ele o chama de "o orgulho dos santos".
"Essa pretensa espiritualidade não passa de expressão do ego, de vaidade", frisa Oddone Marsiaj.
Pode até se transformar num instrumento para manipular e influenciar os outros.
O verdadeiro desapego é resultado da sabedoria, da compreensão do que é a vida.
Aprendemos, por meio dos ensinamentos espirituais ou pelas nossas próprias experiências, que tudo nesse mundo é impermanente, que as coisas sempre mudam e se transformam, e que ficar grudado a situações, pessoas, sentimentos ou hábitos torna-se apenas fonte de dor e angústia.
"Compreender e aplicar esse princípio à vida nos liberta", finaliza Oddone Marsiaj.


Liane Camargo de Almeida Alves
       


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