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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

A PARTIDA


 A vida é feita de chegadas e partidas. Não há como evitar isto. Geralmente, a chegada é saudada com alegria e a partida com lágrimas.
Entretanto, há uma partida definitiva: aquela em que somos levados à outra dimensão, abandonando o corpo material, os afetos e tudo aquilo que achávamos que nos pertencia.
Nunca consegui entender porque as pessoas conversam tanto nos velórios. Na verdade, somente a família do morto chora em silêncio, mergulhada na dor da perda e da ausência.
As pessoas tagarelam e contam piadas. Botam a conversa em dia. É um encontro de confraternização.
Será esse comportamento uma maneira de exorcizar a morte? De não pensar que, um dia, lá estarão os amigos a nos velar e levar à tumba fria?
Sei lá! Ou será a vida moderna, na sua ferocidade, na sua velocidade para tudo, inclusive para os compromissos, que, de repente, faz da morte um intervalo para o encontro daqueles a quem queremos tão bem e com quem não podemos conviver na medida do nosso querer?
Seja como for, aqui e em outros cantos do planeta, o velório é quase uma festa, com "comes e bebes". Seria uma festa comemorando a Vida e não a morte? Por que o quê é a morte senão o fim de um ciclo? Talvez todos, em seu íntimo, e talvez inconscientemente, brindem à vida daquele que se foi. Do dever cumprido, da lembrança do que foi e do que deixou.
Porque ninguém passa pela vida em brancas nuvens, impunemente. A vida tem um preço e todos nós pagamos por ela. Ou com alegria e belas obras, ou com tristeza, mas trabalho e dor.
Não estou absolvendo a todos os seres humanos. Mas, a mim não cabe julgar ninguém. Cada um tem sua própria consciência, que é o inferno, o céu ou o purgatório, no encontro com a Morte. Esse é um momento de extrema solidão ao qual ninguém pode fugir. Nós e nossa consciência. Um encontro difícil e doloroso. Sei disso porque, embora cá ainda esteja pela Graça Divina, já passei por este momento, quando todos esperavam que eu morresse.
Finalizando tais elucubrações, acredito que é isso: nos velórios comemoramos a Vida, o Amor, a esperança do reencontro, as belezas e as dores da Viagem. Só pode ser!
Falando neste assunto do nosso dia-a-dia, quero homenagear, hoje, o nosso amigo e colega Raphael Reys, escritor e historiador, espiritualista convicto, que fez a sua Grande Viagem e foi enterrado ainda há pouco.
Raphael era um grande amante de Montes Claros e registrou em sua escritura momentos importantes e inesquecíveis de nossa história. Tanto conversamos sobre o fenômeno da morte que, para ambos, não era senão uma passagem para outra dimensão. Tanto filosofamos em inúmeros velórios!
Hoje foi a sua vez. Não pude ir ao seu velório. Melhor assim! Prefiro lembrar de meu amigo como ele sempre foi: um amante da Vida. E é a sua vida que celebramos agora,
Que Deus o tenha e que dê à sua família o conforto necessário neste momento difícil da separação.

Maria Luiza Silveira Teles (presidente da Academia Montes-clarense de Letras)


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