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terça-feira, 3 de maio de 2016

A VIDA É COMO AS CEREJEIRAS



Quando estamos lendo um bom livro, com uma história envolvente e que nos provoca emoções indescritíveis, não queremos que ele chegue ao fim. Quando vemos um belo filme, também sentimos o mesmo. Uma linda noite de amor, daquela que sentimos que somos apenas os dois no mundo e que o mundo lá de fora nem existe... Ah, como gostaríamos que o tempo parasse e que ela jamais terminasse! Não é verdade?
No meu tempo de jovem, lembro-me bem de uma música linda que dançávamos juntinhos, de rosto colado! Sua letra dizia assim: “relógio não marque as horas, porque vou enlouquecer, ela se vai para sempre quando amanhecer outra vez. Relógio detém teu caminho porque a minha vida se extingue. Segura o tempo em tuas mãos, faça desta noite perpétua para que nunca amanheça”. Como gostaríamos de deter o tempo! Mas, isto é algo impossível!
Os japoneses apreciam tanto as flores das cerejeiras não apenas porque elas são belíssimas, mas porque são efêmeras como a própria vida e sempre voltam na outra primavera. Isto é o melhor: apreciar a vida enquanto ela existe e saber que ela só termina aqui, mas que muitas e muitas primaveras haverão de fazê-la florescer em outras paragens.
As crianças e os jovens vivem como se cada momento fosse eterno. Porém, quando chegamos a certa altura da vida, a consciência de que o fim se aproxima torna-se aguda em nós. Por isso, vivemos a buscar o passado como se apenas ele fosse belo e gostoso. Mas, não. A vida, em qualquer tempo, é sempre bela! Todo ciclo termina e novo ciclo se inicia. Aí está sua maior beleza.
O bom, o bom mesmo seria que, em qualquer ocasião, nos lembrássemos de que esta é a oportunidade que temos de conviver com os que amamos, de realizar nossos sonhos, de fazer o Bem, de construir algo, de adquirir conhecimento, de aprender a amar, de deixar nossos rastros no Caminho.
Tão efêmera é a vida e tantas vezes a desperdiçamos com lamúrias, com atos impensados de consequências tristes, com mergulhos em prazeres que nos deixam vazios.
Seria bom que não nos esquecêssemos de que todas as nossas dores e alegrias e toda a beleza e iniquidade da vida e do ser humano têm como palco um ponto infinitesimal de poeira cósmica no Universo. E, ainda, que um universo tão vasto e belo é o da nossa interioridade que temos por obrigação desenvolver e expandir, pois os talentos e dons foi a Vida que nos deu de presente. Devemos ter abertura para a poesia do existir para que, com a morte, possamos repetir as palavras do poeta Tagore: “Terra minha, cheguei à tua praia como estranho; vivi em tua casa como hóspede e agora me despeço como amigo”. Limpos e puros para entrarmos na casa do Pai e sermos recebidos pelos anjos.

Maria Luiza Silveira Teles (presidente da Academia Montes-clarense de Letras)



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